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A arte do equilíbrio

Álvaro L. Teixeira

30.05.2016

A arte do equilíbrio

Às vezes, fico pensando se a vida está dividida entre o palco e a plateia. Será que alguns de nós passamos como observadores e ficamos sentados na plateia? Enquanto os outros vão para o palco desenvolver o melhor desempenho possível? O certo é que cada um de nós pode ter seus quinze minutos de fama. Uns tiram proveito da oportunidade, enquanto os outros parecem assustados e querem enfiar a cabeça na terra como os avestruzes.

Fico triste por aqueles que não conseguem ir ao palco por qualquer motivo: falta de coragem, falta de oportunidade, falta de competência, falta de talento, falta de modéstia, enfim qualquer falta. São incapazes de apoiar ou admirar quem vai e faz. Ficam escondidos na plateia a atirar pedras e desmerecer o que os outros estão fazendo. Uma coisa que nunca esqueço: só é capaz de errar quem tentar fazer. Quem não fizer nada nunca vai errar e também nunca vai fazer. Não terá jamais o sentimento da derrota e também jamais terá a sensação da vitória. Viverá uma vida média sem emoções.

É certo que estar no palco é muito mais difícil. Muitas vezes, precisamos sentar e apenas observar o que se apresenta no palco da vida para podermos entender o que realmente está acontecendo. Outras vezes, somos obrigados a ir ao palco e tomar parte da peça, pois se não o fizermos alguém o fará no nosso lugar. É nesse momento que descobrimos que uma simples atitude ou “fala” no placo pode mudar o rumo para os próximos anos.

Ficamos muitas vezes esperando que as coisas aconteçam e não tomamos a iniciativa de fazê-las acontecer. Isto é, ficar na plateia e esquecer que o palco muitas vezes precisa ser ocupado por nós. Posso imaginar que estão pensando que muitos ocupam o palco e não percebem que já deveriam ter saído. Eles continuam no palco e nós na plateia. O importante é não esquecer que o palco só existe porque tem alguém na plateia para admirar. Se você está pensando naquelas pessoas que ficam criando “situações” para continuar sendo o centro das atenções, não esqueça que elas só são capazes de fazer isso porque nós continuamos na plateia a admirá-las. Outros como nós falam e reclamam de que essas pessoas estão tomando conta da “peça de teatro” que inclui a nossa vida.

E assim como nós, continuam sentados na plateia. Enquanto não mudarmos essa situação, tudo continuará como está. Se não tomarmos a iniciativa para a mudança; se não subirmos no palco quando necessário, nem que seja para uma única “fala”; se não tivermos atitude proativa e ficarmos esperando algum milagre para que tudo mude, em outras palavras: continuaremos levando a vida com a barriga. O certo é que nada vai mudar, tudo vai ficar do jeito que não queremos. Só nós somos capazes de fazer alguma coisa para mudar as “nossas” coisas. Devemos ocupar o nosso lugar no palco e não perder o tempo de dizer a nossa “fala”.

Precisamos ter o cuidado para não achar que somos os donos do palco. O palco é de todos e nós devemos ocupar apenas o nosso lugar. Pois se não o fizermos, alguém o fará. E esse alguém certamente não o fará por nós e sim por ele. Muitas vezes, evitamos o confronto para não termos nenhum incômodo. Toda vez que penso nisso, lembro o ditado popular que diz: “Dou um boi para não entrar em uma briga e a boiada inteira para não sair!”. Acredito que não devemos ir demais ao céu e nem ficarmos grudados à Terra.

Devemos, sim, participar e fazer parte ativa daquilo que “devemos fazer”, porém devemos ter a clareza de saber sair de cena quando necessário. Uma das maiores habilidades que podemos ter é esta: sair da área de confronto sem sermos percebidos ou deixá-la quando não somos mais necessários. O dia em que aprendermos a entrar e sair sem perder o boi ou a boiada estaremos certamente levando uma vida mais equilibrada e feliz do que a maioria...


Publicado originalmente em 01/12/2008


Tags: Álvaro L. Teixeira, Álvaro Teixeira, motociclismo


Álvaro Larangeira Teixeira - escritor e administrador de empresas, especialista em tecnologia da informação e apaixonado pelo motociclismo.

Álvaro faleceu prematuramente em 14/09/2009. Se alguém possuir outras crônicas do Álvaro ou sobre ele, peço que me encaminhem para serem publicadas.




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