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Sinais diacríticos.

Roberto Henry Ebelt

27.07.2012

Sinais diacríticos.

Na página 3 do Jornal do Comércio de 24 de julho de 2012, o Fernando Albrecht menciona o problema que nós brasileiros enfrentamos quando usamos gadgets americanos com teclado real ou virtual feitos para escrever sem acentos. Acentos gráficos (uma chatice) que me fazem lembrar o meu saudoso pai. Apesar de ter nascido na Alemanha, ele dominava a língua portuguesa muitíssimo bem, a ponto de ser ele (alemão) e não a minha mãe (brasileira, descendente de alemães) quem corrigia os meus homeworks de português. Ele sempre dizia, referindo-se à guerra franco-prussiana (ele nasceu na Prússia Oriental em 1905) que, enquanto os franceses se preocupavam em acentuar corretamente as palavras, os prussianos ganharam a guerra. Comentário politicamente incorreto, mas que serve muito bem para mostrar a perda de tempo que é a utilização de acentos gráficos (sinais diacríticos). No português, eles são os acentos agudo, grave e circunflexo, a cedilha, o trema e o til. O texto do Fernando Albrecht também me trouxe à memória o que aconteceu na Indochina quando foi conquistada pelos franceses na segunda metade do século 19.

Indochina is the former name of a region of southeast Asia, which dates from the period when it was a colony of France under the full name of French Indochina. The name has its origins in the French, Indochine, as a combination of the names of "China" and "India", referring to the location of the territory between China and India. The people in the region are neither Chinese nor Indian. The Indochinese peninsula refers to a region in Southeast Asia lying roughly southwest of China, and east of India. The term "Indochina" may also be used in biogeography for the "Indochinese Region", a major biogeographical region within the Indomalaya ecozone.



French Indochina was a federation of French colonies and protectorates, that France named Cochin China, Tonkin, Annam, Laos and Cambodia. France had an imperial presence in the region between 1884 and 1954. France withdrew from southeast Asia following the loss of the Indochina War.

Indochina had boundaries imposed by France as a result of military conquests in the region, encompassing areas that are now modern Cambodia, Laos, and Vietnam. The subjects of the colony were not homogenous; rather, Indochina was a "separate entity, it was largely unrelated to the cultural, geographical, and racial elements which shaped the people and governments of its constituent parts". (from Wikipedia)

Uma das coisas boas que os franceses fizeram foi diminuir drasticamente o analfabetismo dos vietnamitas. Eles usavam a escrita chinesa, que (ainda hoje) tem cerca de 5.000 ideogramas. Uma pessoa analfabeta dificilmente acumula um vocabulário de 1.000 palavras. Agora imaginem esse mesmo analfabeto tendo pela frente a tarefa de aprender 5.000 ideogramas. O resultado é que ele continuava analfabeto pelo resto da vida (usei – indevidamente - a palavra "analfabeto" por não saber como se descreve uma pessoa que não sabe ler nem escrever ideogramas). O número de iletrados no Vietnam era altíssimo, o que era excelente para os seus eternos dominadores, os chineses. Os novos conquistadores franceses resolveram facilmente tal problema: acabaram com o uso dos ideogramas chineses e estabeleceram o uso do alfabeto romano. Hoje o Vietnam tem um dos mais elevados índices de alfabetização do mundo. (E depois ainda falam mal da cultural ocidental – sem ela, estaríamos ainda nos comportando como os "mussuls" no século XV).

Eu acredito que o uso de sinais diacríticos só complica a vida dos povos cujos idiomas os utilizam. E acho que seria muito melhor um movimento de desobediência civil para eliminar tais sinais de nossa vida do que inventar um teclado virtual para I-pads e tablets. Infelizmente, como somos escravos do congresso nacional no que diz respeito ao nosso idioma e a maneira como o escrevemos, ainda teremos que usar sinais diacríticos por muito tempo. Lamentável. Extremamente lamentável que dependamos de políticos para nos dizerem como devemos escrever uma palavra.


Dixi.


Tags: Roberto Henry Ebelt, ensino, inglês


Roberto Henry Ebelt é professor, escritor, escreveu uma coluna semanal para o Jornal do Comércio de Porto Alegre entre 2001 e 2013, e é diretor do curso HENRY'S BUSINESS ENGLISH desde 1971.

Seu mais recente livro, O QUE VOCÊ DEVE SABER ANTES DE ESTUDAR INGLÊS, pode ser encontrado nas livrarias Disal, Cultura e SBS ou à rua Hoffmann, 728 em Porto Alegre.

E-mail: roberto@henrys.com.br
Fone (51) 3222-3144
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Opinião do internauta

  • Carlos Mello (31.07.2012 | 09.51)
    Perfeita tua abordagem. Ha uns 25 anos atras, quando apareceram os primeiros redatores de texto, eu me lembro que usava o WordStar, nao existia a possibilidade de se colocar acentos e essas drogas de sinais diacriticos. Eu adorava, ate imaginei que o idioma portugues seria obrigado a evoluir. MAS passaram uns dois anos a apareceram estes sinais novamente, para felicidade das professoras de portugues que ja estavam preocupadas com a perda dessa dificuldade que facilitaria a alfabetizacao e portanto estavam arriscando terem de ir para uma funcao mais util. Pois elas praticamente existem devido a dificuldade de aprender esse idioma. Outra coisa que tambem devia estar preocupando os politicos e religiosos, eh que com um idioma mais facil de ser aprendido diminuiria muito o anafalbetismo, e com isto aumentaria o nivel de informacao. Como eles precisam de quantidade de votos e cordeiros e nunca de qualidade, deve ter sido um alivio a volta destes sinais. Quanto a sugestao de se fazer um movimento de desobediencia civil para eliminar estes sinais, eu ja estou fazendo. Este trecho por exemplo nao tem NENHUM sinal.
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