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CENTRAL DE CASHES BANCÁRIOS.

Roberto Henry Ebelt

08.03.2013

CENTRAL DE CASHES BANCÁRIOS.

Semana passada, dei uma passada na nova Galeria Chaves. Fiquei agradavelmente surpreso com o seu novo visual e aproveitei para visitar todos seus ambientes, mesmo aqueles que não estavam na minha rota original que era descer da rua da Praia para a rua José Montauri. No piso inferior deparei-me com uma bela praça de caixas eletrônicos, porém fiquei surpreso com a denominação deste lindo ambiente: CENTRAL DE CASHES ELETRÔNICOS.

Consultei o meu Aulete Digital e não consegui encontrar a palavra CASHES. Apesar de o substantivo CASH não ter plural, procurei-o também, sob a forma CASHES, no meu Babylon, mas realmente CASHES como substantivo não existe. O que existe é o verbo TO CASH, que, na terceira pessoal do singular do Present Tense é CASHES.

Exemplo:

She doesn't like ATMs (Automated Teller Machines). She cashes all her checks with the bank teller.

Tradução: Ele não gosta de caixas eletrônicos. Ele desconta todos os seus cheques com o caixa do banco.

A palavra CASHES, portanto, existe. Mas não como substantivo; ela é apenas a 3ª pessoa do singular do Present Tense. A expressão CENTRAL DE CASHES BANCÁRIOS ou ELETRÔNICOS portanto não faz sentido nem para quem fala português, nem para quem fala inglês. Melhor seria CENTRAL DE CAIXAS ELETRÔNICOS. Fica a sugestão.

É muito interessante a rota que a palavra CASH percorreu até entrar, por baixo do pano, na língua portuguesa. Existe uma expressão que todo mundo conhece em português que é CAIXA REGISTRADORA.

Em português, atualmente, a palavra CAIXA pode significar, além de BOX, dinheiro. Na realidade, tenho que admitir que já faz anos que não ouço alguém dizer: Me empresta 100 paus. Estou curto de caixa.

Para os mais jovens, explico que estar curto de caixa significa estar com pouco dinheiro ou totalmente "desprevenido".

A dúvida que surge é como a palavra caixa chegou, um dia, a significar dinheiro. E ainda com o detalhe de ser do gênero masculino, pois, originalmente caixa é do gênero feminino.
E mais, ainda: como é que a pessoa que o atende, em um banco, passou a se chamar caixa bancário?

Parece até que o ramo bancário está intimamente ligado à indústria de embalagens.

Provavelmente você já deduziram que essa história de caixa ligada a dinheiro tem algo a ver com a palavra inglesa cash. Pois é isso mesmo.

Para começar, caixa registradora não tem nada a ver com uma caixa. Na realidade, tudo começou com as CASH REGISTERS, aqueles enormes equipamentos (veja a ilustração acima) produzidos pela multinacional americana NATIONAL CASH REGISTER (NCR) que serviam para registrar as vendas dos estabelecimentos comerciais durante grande parte do século passado, no Brasil. Nos EUA, elas já era muito comuns no fim do século 19. Essa empresa (NCR) ainda é muito importante atualmente, e na década de 50 era conhecida como um dos anões da IBM: IBM and the Seven Dwarfs, numa alusão a SNOW WHITE AND THE SEVEN DWARFS, dos irmãos Grimm.

Como esses trambolhos (cash registers) invadiram o Brasil na primeira metade do século vinte, era necessário batizá-los, pois até que algo receba um nome, tal coisa não existe. Visto que o nome original da máquina registradora era CASH REGISTER (registrador de entrada de dinheiro), as pessoas começaram a chamá-las de caixas registradoras, como se fosse o caso de ter uma enorme geringonça daquelas para registrar caixas. O que era necessário registrar eram as entradas de dinheiro para, no fim do dia, fechar o "caixa". Fechar a o "caixa" é outra expressão provavelmente derivada das famosas cash registers.

Definitivamente, o substantivo CASH significa dinheiro sonante, dinheiro vivo, dinheiro em espécie.

O verbo TO CASH significa transformar algo (um cheque, uma promissória, um título, um valor) em dinheiro vivo.

O caixa de um banco não tem nada a ver com BOX, tanto é que, em inglês, esse profissional é conhecido como TELLER (bank teller). O que nós conhecemos como caixa eletrônico, em inglês é conhecido como AUTOMATED TELLER MACHINE cuja sigla é a famosa abreviação ATM.

Se deixei alguma dúvida sobre esse assunto, sinta-se à vontade para me enviar um e-mail para o endereço Roberto@henrys.com.br.

Have an excellent weekend.


Tags: Roberto Henry Ebelt, ensino, inglês


Roberto Henry Ebelt é professor, escritor, escreveu uma coluna semanal para o Jornal do Comércio de Porto Alegre entre 2001 e 2013, e é diretor do curso HENRY'S BUSINESS ENGLISH desde 1971.

Seu mais recente livro, O QUE VOCÊ DEVE SABER ANTES DE ESTUDAR INGLÊS, pode ser encontrado nas livrarias Disal, Cultura e SBS ou à rua Hoffmann, 728 em Porto Alegre.

E-mail: roberto@henrys.com.br
Fone (51) 3222-3144
www.henrys.com.br
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