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Quando um mais um não é igual a dois, e uma oração em latim.

Roberto Henry Ebelt

09.08.2013

Quando um mais um não é igual a dois, e uma oração em latim.

O título do artigo de hoje era para ter sido "quem não se comunica se trumbica ou pode perder o seu emprego". Porém, na área da comunicação, instigar o leitor é parte integrante do jogo. Tanto isso é verdade que, em inglês, até existe uma palavra para descrever as peças publicitárias cujo objetivo é instigar a curiosidade do público, a saber, TEASER.

Voltando ao título: ao somar unidades, sem dúvida, um mais um é igual a dois, mas quando somamos efeitos, o resultado pode ser muito diferente. Se criar um filho causa preocupações, e principalmente problemas, equivalentes a, digamos, 10 unidades, ao criar dois filhos, essas preocupações e problemas certamente não serão equivalentes a apenas 20 unidades, pois deverão ser considerados os efeitos da interação entre as crianças. Pelo tanto que vi e aprendi, o resultado está mais para 100 unidades do que para 20. Talvez essa seja uma das razões porque tantos casais estão formando famílias com um filho só.

INGLÊS: quando você pode honestamente acrescentar ao seu currículo FLUÊNCIA EM INGLÊS, você não está apenas somando mais uma qualificação ao seu resumé, mas multiplicando por dois todas as suas capacidades.

Isso na hipótese mais conservadora, pois, devido ao fato deste idioma excepcional capacitá-lo, bem ou mal, a se comunicar até na China, para mencionar apenas um país com uma língua extremamente diferente da nossa amada, bela, última e inculta flor do Lácio, segundo Olavo Bilac, você poderá multiplicar as suas capacidades por um número muito maior do que 2, em vez de simplesmente dobrá-las.

Tenho dedicado bastante atenção a dois idiomas que me encantam sobremaneira, embora não sejam fáceis de entender por quem fala português ou inglês como idioma nativo; refiro-me a latim e alemão.

A característica que distingue esses idiomas de línguas como português, inglês, espanhol e francês é o fato de serem idiomas flexionados ou idiomas que "conjugam" os seus substantivos. A frase correta é "Alemão e latim são idiomas que declinam seus substantivos".

Estamos todos acostumados a conjugar verbos, o que já propicia bastante trabalho para quem precisa aprender português como idioma estrangeiro. Os substantivos, em português, incomodam quem o estuda como segunda língua, apenas quando se trata de gênero, pois qual é a razão de computador ser um substantivo masculino em português? Ele é feminino em espanhol.

A resposta é "não existe lógica". É óbvio que gênero não deve ser confundido com sexo, apesar de que, devido a maldita praga do "politicamente correto", sexo confunde mais do que explica, depois que no paraíso do PC, os EUA, um garotinho ou garotinha de 10 anos de idade se recusou a usar tanto o banheiro feminino como o masculino, exigindo (e foi atendido) que a escola lhe disponibilizasse um banheiro "transgenérico". Quando vejo essas maluquices, só posso me lembrar do que em inglês é conhecido como FALL OF THE ROMAN EMPIRE.

Felizmente existem algumas regras que ajudam muito, tais como as que estabelecem que os substantivos terminados em O são, via de regra, do gênero masculino e os terminados em A são, normalmente, do gênero feminino. O problema é que nem todos os substantivos terminam em O ou A. Além disso, existem palavras, como a unidade de peso grama, que termina em A e deve ser tratada como um substantivo masculino, um verdadeiro contrassenso que em nada contribui para os brasileiros se comunicarem de uma melhor maneira.

Agora imaginem latim e alemão com três gêneros: masculino, feminino e neutro. No latim, além dos gêneros, os substantivos têm 06 classes ou casos gramaticais. E cada caso deve ser multiplicado por dois, pois as terminações, que caracterizam esses casos gramaticais, mudam quando o substantivo está no plural. Finalizando, em latim existem 05 tipos diferentes de substantivos, a saber, os da primeira declinação, os da segunda, os da terceira, os da quarta e os da quinta.

Provavelmente você já deduziu por que existem tantas línguas neolatinas que não são declinadas (graças a Deus). A razão é a tendência que as pessoas comuns (não os políticos e os mandachuvas governamentais) têm de simplificar tudo que pode ser simplificado. Jesus deveria estar pensando nessas pessoas comuns quando disse "bem aventurados (sejam) os pobres de espírito, pois deles é o reino dos céus". "Blessed are the poor in spirit, for theirs is the kingdom of heaven".

Para eliminar possíveis dúvidas, notem que em inglês existem duas palavras para expressar CÉU: SKY, para designar o céu dos astrônomos e HEAVEN, para designar o céu dos religiosos.

Infelizmente no Brasil, os políticos, que podem incluir até mesmo analfabetos funcionais, são os que têm poderes absurdos sobre o idioma nacional. Esse pessoal, indispensável para que tenhamos uma democracia, mas que tanto prejudica a nação, no início do século 20, chegou ao cúmulo de mudar a grafia do nome de nosso país de BRAZIL para BRASIL. Pode???

É possível imaginar maior falta de respeito a uma instituição ou pessoa do que arbitrariamente mudar o seu nome?

O resultado das constantes mudanças na ortografia do português–brasileiro é que um número enorme de pessoas escreve palavras corretas em frases que não fazem o menor sentido. Melhor seria alguém errar a grafia de uma palavra, porém redigir seus textos de modo inteligível.

Para encerrar, um texto latino cujo significado até os ateus conhecem:

PATER NOSTER

Pater noster, qui es in caelis,                                        Our Father which art in heaven,

sanctificetur Nomen Tuum;                                            Hallowed be thy name.

adveniat Regnum Tuum;                                               Thy kingdom come,

fiat voluntas Tua,                                                          Thy will be done

sicut in caelo, et in terra.                                               in earth as it is in Heaven

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;                    Give us this day our daily bread,

et dimitte nobis debita nostra,                                       And forgive us our debts

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;                     as we forgive our debtors,

et ne nos inducas in tentationem;                                   And lead us not into temptation,

sed libera nos a malo.                                                   But deliver us from evil

A tradução da Bíblia patrocinada por King James ainda possui as seguintes palavras que a versão católica, conhecida com Vulgata, omite:

For thine is the kingdom and the power, and the glory forever. Amen.

Pois teu é o reino e o poder, e a glória para sempre. Amem.

Detalhe: SIC ou SICUT (assim) é a palavra latina que deu origem a palavra portuguesa SIM e a espanhola SI.

Observem palavras iguais, no texto latino, com grafias diferentes porque estão em casos gramaticais diferentes:

Caelis – caelo

Tuuam – tua

nobis – nos

Nostra - nostris

If you have questions regarding the English language, send me an e-mail. I will be delighted to share my humble knowledge with you.

Have an excellent weekend


Tags: Roberto Henry Ebelt, ensino, inglês


Roberto Henry Ebelt é professor, escritor, escreveu uma coluna semanal para o Jornal do Comércio de Porto Alegre entre 2001 e 2013, e é diretor do curso HENRY'S BUSINESS ENGLISH desde 1971.

Seu mais recente livro, O QUE VOCÊ DEVE SABER ANTES DE ESTUDAR INGLÊS, pode ser encontrado nas livrarias Disal, Cultura e SBS ou à rua Hoffmann, 728 em Porto Alegre.

E-mail: roberto@henrys.com.br
Fone (51) 3222-3144
www.henrys.com.br
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