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Tradutores eletrônicos.

Roberto Henry Ebelt

01.11.2013

Tradutores eletrônicos.

Tradutores eletrônicos.

Certamente você já se perguntou sobre a qualidade das traduções feitas por softwares de tradução. Não sei qual foi a sua conclusão, mas posso afirmar categoricamente que o ato de traduzir um texto é algo extremamente sofisticado. Fico imaginando o nosso grande mestre Donaldo Schüller traduzindo as esquisitices de James Joyce contidas em Finnegans Wake.


Professor Donaldo Schüller, um dos tradutores de Finnegans Wake para a língua portuguesa.

Um tradutor eletrônico, provavelmente começaria errando na tradução do título, pois Finnegan é um nome próprio. O som de S no fim desse nome sugere um caso possessivo tipo John's book, ou Betty's dress. Como o sobrenome do personagem que dá nome ao livro também tem um significado, temos todos os elementos para obter uma tradução totalmente fora da (i) realidade de James Joyce.

O verbo TO WAKE, WOKE WAKEN significar ACORDAR.

Como substantivo, WAKE pode ser:

  1. trail, trace, track left by ship in water,
  2. path of anything that has passed;
  3. practice of viewing a dead body in its coffin before the burial; funeral gathering characterized by festive remembrance of the deceased (velório).

Caberia agora ao tradutor eletrônico escolher qual o significado correto do título desse livro, o que é uma tarefa impossível. Eu, que nunca li esse livro, antes de me dar conta que não havia um apóstrofo + S depois de Finnegan, podia jurar que a tradução do título desse livro era O VELÓRIO DE FINNEGAN, o que está totalmente errado. O professor Donaldo Schüller deixa claro que o título do livro nada mais é do que o nome do personagem, e o traduz por FINNICIUS REVÉM, mesmo porque trazir por Fineggans Velório poderia transmitir uma ideia falsa a respeito do conteúdo do livro.

Encerremos, momentaneamente, o assunto Finnegans Wake.

Há poucos dias recebi, na minha cota diária de spams mal intencionados (agora, além de recebermos spams inofensivos – apenas propagandas que podem ou não nos interessar, recebemos também, diariamente, uma cota de spams maléficos, com elevado poder de destruição dos tesouros pessoais que guardamos dentro de nossos HARD DISKS e em nossas CHECKING ACCOUNTS ou BANK ACCOUNTS) um spam originado de algum lugar em que não falam português e, talvez, nem  inglês, e cujo texto, certamente foi traduzido por algum software ( atenção: a PRONÚNCIA desta palavra NÃO é SÓFTER –  a pronúncia correta é SOFT – UÉR. Notem a existência do som vocálico U . Além disso, a palavra softer existe em inglês. Softer é o grau comparativo do adjetivo soft - macio) e não tem nada é ver com softwear.

Digo que talvez o malandro em questão não fale nem inglês, pois tenho a impressão que o sujeito que escreveu esse texto em seu idioma nativo, traduziu-o eletrônicamente para o inglês e depois traduziu, mais uma vez, para o português. Esse é o procedimento mais comum para traduzir de um idioma que não seja o inglês para outro idioma que também não seja o inglês. A língua portuguesa, em termos de número de falantes e de importância internacional, fica atrás do inglês, espanhol, mandarim, alemão, francês, italiano, japonês, cantonês, etc. Assim sendo, os softwares de tradução sempre são feitos para traduzir de um idioma qualquer para o inglês e vice-versa.

Isso posto, olhem a preciosidade "literária" que recebi sob forma de spam malicioso:


Queridos amados Bom dia!

eu e minha esposa ganhou um cento e quarenta e oito milhões libras britânicas apenas ( £ 148,000,000.00) no último ano, e temos feito muita coisa de caridade doação, para que possamos decidir a dar um milhão de libras ( £ 1,000,000.00) cada um a 5 lucky indivíduos desconhecidos este ano, Felizmente o seu e-mail foi-nos dada pelo Google gestão como um dos nossos felizes beneficiários após o sorteio. Parabéns para você e sua família.

Visite www.xxxxxxxxxxxxxx.co.uk

E a resposta com seu nome completo: Endereço: número de telefone:

Contato Person: Fulano de Tal (phd)
Email:  fulano de tal@hotmail.c
Telefonar: +xxxxxxxx
Best diz respeito, o senhor/a Sra. Adrian Bayford.
Deus te abençoe.

Não é uma beleza? Certamente o filho da mãe que enviou este e-mail para milhares de brasileiros não tem mais nada a fazer. De qualquer maneira, esse texto mostra claramente que confiar nesses tradutores eletrônicos é algo muito temerário. Você pode usar algo como o Google Translator para ter uma ideia do que está escrito em uma página da internet, mas fique por aí, pois traduções inteligíveis ainda estão bem longe de serem feitas por computadores, por melhores que sejam os softwares de tradução.

Para terminar a nossa aula de hoje, observem a origem da palavra velório em inglês, WAKE; como disse antes o verbo TO WAKE significa ACORDAR.  Durante a idade média, o vinho frequentemente era bebido em taças de madeiras, mas depois passaram a usar taças de estanho. O vinho, ácido, em contato com o estanho, produzia uma substância venenosa que podia provocar uma condição conhecida como catalepsia.

CATALEPSY: a condition of suspended animation and loss of voluntary motion in which the limbs remain in whatever position they are placed.

O indivíduo encontrado em tal condição, semelhante à de um cadáver, costumava ser enterrado como se morto estivesse. Com a falta de lugares nos cemitérios (isso na Inglaterra) começaram a reutilizar os campos santos. Ao abrirem os caixões dos enterrados, notaram que muitos cadáveres não se encontravam na posição em que se esperava que se encontrassem. Logo os coveiros (grave-diggers) chegaram à conclusão que estavam enterrando pessoas que ainda estavam vivas. A razão de isso estar acontecendo, eles não sabiam, mas concluíram que o mínimo a fazer seria  aguardar algum tempo antes de enterrar os defuntos. Esse tempo de espera deveria superar, pelo menos, um dia. Esse prazo, portanto, sempre envolvia uma noite. Durante o período de espera, o corpo era colocado em cima de uma mesa e os parentes ficavam acordados durante a noite na esperança (ou não) que o camarada acordasse. Como o verbo acordar é TO WAKE, surgiu a expressão TO HOLD A WAKE (manter – todos – acordados) que, em português nós chamamos de velório.

A história continua e, na nossa próxima aula, falaremos mais sobre essas curiosidades.

Apesar dos comunas tupiniquins odiarem o fato de o inglês ser o idioma mais importante do mundo, nada há nada que se possa fazer a respeito, a não ser aprender a se comunicar em inglês. Até para realizar aquela besteira do fórum social mundial, é importante que seus participantes se comuniquem em inglês. Portanto, se você ainda não tem um bom relacionamento com a língua inglesa, não perca mais tempo, pois falar inglês é preciso, falar português não é preciso.

Aproveito para desafiar os meus queridos leitores a substituíram a palavra "PRECISO" com um sinônimo correto na frase de Fernando Pessoa "navegar é preciso, viver não é preciso".

Se tiverem dúvidas sobre inglês, saibam que tenho grande prazer em tentar responder as suas perguntas. Just send me an e-mail.

Have a nice weekend.


Tags: Roberto Henry Ebelt, ensino, inglês


Roberto Henry Ebelt é professor, escritor, escreveu uma coluna semanal para o Jornal do Comércio de Porto Alegre entre 2001 e 2013, e é diretor do curso HENRY'S BUSINESS ENGLISH desde 1971.

Seu mais recente livro, O QUE VOCÊ DEVE SABER ANTES DE ESTUDAR INGLÊS, pode ser encontrado nas livrarias Disal, Cultura e SBS ou à rua Hoffmann, 728 em Porto Alegre.

E-mail: roberto@henrys.com.br
Fone (51) 3222-3144
www.henrys.com.br
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