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Quando não existem perfeitos equivalentes.

Roberto Henry Ebelt

29.11.2013

Quando não existem perfeitos equivalentes.

Quando uma pessoa começa a aprender um novo idioma, principalmente no caso do segundo idioma (que geralmente dá mais trabalho para aprender do que um terceiro) muitas perguntas e dúvidas surgem na mente do aluno. Justamente por essa razão eu tive o prazer de escrever o livro O QUE VOCÊ DEVE SABER ANTES DE ESTUDAR INGLÊS. De qualquer maneira, um livro de 170 páginas não cobre todas as dúvidas dos que começam a estudar inglês. Eu sempre digo que aprender um idioma (estrangeiro ou mesmo o nativo) é uma tarefa que dura uma vida inteira. O detalhe é que você não precisa de um professor durante a vida inteira. Basta estar atento às novidades que surgem a cada novo dia e tentar absorvê-las.

Entre essas dúvidas destaca-se a curiosidade que o aluno tem quando descobre que algo que existe em português, mas não existe em inglês. Muitas vezes, isso não passa de uma falsa impressão; outras vezes, esse sentimento de que algo está faltando em inglês é verdadeiro. Lembro que essas impressões também ocorrem na mente de um falante nativo de inglês que esteja aprendendo português. Também é comum o aluno sentir-se inseguro e nem se dar conta da razão de tal insegurança, que, às vezes, é a constatação de uma determinada falta de equivalência.

Um excelente exemplo, que pode atormentar a vida de um brasileiro, é constatar que o verbo SER é TO BE, e o verbo ESTAR também é TO BE. Como os verbos SER e ESTAR transmitem ideias ligeiramente diferentes em português, o aluno fica imaginando como vai fazer para expressar a ideia exata de SER ou de ESTAR, em inglês.

Apenas para não deixar uma dúvida sem resposta, vou dar dois exemplos (que definitivamente não cobrem todas as possibilidades):

  1. Como é que ele está? (Quero saber se ele melhorou ou piorou de uma determinada condição).
  2. Como é que ele é? (Quero saber se o indivíduo é alto ou baixo, se é loiro ou moreno).

Na primeira pergunta, diremos HOW IS HE?

Na segunda pergunta, diremos WHAT IS HE LIKE?

Como não temos a pretensão de ensinar inglês aqui, não vou dar mais exemplos. Desejo apenas que os leitores levem em consideração que para cada problema deste tipo, existe uma resposta.

Um aluno me perguntou como é que se diz bula de remédio, em inglês. A resposta é que a palavra bula (de remédio) não tem um equivalente em inglês do tipo que a gente gostaria que existisse.

Se você se lembrou da expressão BULA PAPAL, leia o trecho a seguir e veja que a palavra BULL (touro) também serve para descrever uma bula papal:

A papal bull is a particular type of letters patent or charter issued by a Pope of the Catholic Church. It is named after the lead seal (bulla) that was appended to the end in order to authenticate it.

Papal bulls were originally issued by the pope for many kinds of communication of a public nature, but by the 13th century, papal bulls were only used for the most formal or solemn of occasions.[1]

Since the 12th century, papal bulls have carried a lead seal with the heads of the apostles Saint Peter and Saint Paul on one side and the pope’s name on the other.[1]

Letters patent (carta patente): autorização pública para fazer alguma coisa (no Brasil, cartas patente são necessárias para abrir instituições bancárias, por exemplo).

Lembro que os links do texto acima estão ativos e que você poderá clicar nesses links para obter maiores informações sobre tais palavras.

Abaixo segue a foto de uma bula papal:


Papal bull of Pope Urban VIII, 1637, sealed with a leaden bulla. (LEADEN significa feito de chumbo. Chumbo é lead).

A palavra BULLA em latim significa SELO. Atualmente, em português, a melhor tradução, em minha opinião, seria LACRE (vide a ilustração acima).

Bula de remédio nada mais é do que instruções de uso do remédio. Assim sendo, bula de remédio, em inglês é INSTRUCTIONS OF USE.

Em tempo: Patent não tem nada a ver com a nossa patente (vaso sanitário). Já a palavra LATRINE, de origem latina, é realmente o que parece ser em português (latrina). Como os primeiros aparelhos sanitários existentes no Brasil foram importados da Inglaterra e dos Estados Unidos, neles sempre constava a palavra PATENT ou PATENTED para indicar que esses aparelhos eram produtos patenteados e que, portanto, não poderiam ser copiados nem produzidos sem autorização dos detentores das referidas patentes. Daí para imaginar, erroneamente, que o nome do aparelho sanitário era PATENTE foi um passo muito pequeno.

Conclusão: nem tudo que parece ser alguma coisa realmente é o que pensamos.

O provérbio que expressa essa ideia poderia ser NEM TUDO QUE RELUZ É OURO. Em inglês: NOT ALL THAT GLITTERS IS GOLD.

Cada caso é um caso que precisa ser aprendido separadamente, apesar das enormes similaridades que existem entre inglês e português, o que facilita enormemente o aprendizado. 

O meu conselho é o seguinte: se possível, não invente quando estiver falando ou escrevendo em inglês. Dê preferência a expressões que você já conhece e que você tem certeza que existem em inglês. Quando se trata de idioma estrangeiro, copiar, ou plagiar, é a melhor opção para não errar. Lembre-se também que frequentemente as coisas (expressões) em inglês são muito menos complicadas do que imaginamos.

Mais uma vez, coloco-me, através do meu endereço de e-mail, Roberto@henrys.com.br, à disposição dos leitores para tentar resolver dúvidas que tiverem a respeito da língua inglesa. Não que eu saiba tanto assim, mas depois de mais de 40 anos trabalhando com a língua inglesa, eu já conheço a maioria das perguntas que afligem os alunos brasileiros. Além disso, as minhas fontes de consulta são bastante confiáveis.

Have an excellent weekend and let's keep studying English.


Tags: Roberto Henry Ebelt, ensino, inglês


Roberto Henry Ebelt é professor, escritor, escreveu uma coluna semanal para o Jornal do Comércio de Porto Alegre entre 2001 e 2013, e é diretor do curso HENRY'S BUSINESS ENGLISH desde 1971.

Seu mais recente livro, O QUE VOCÊ DEVE SABER ANTES DE ESTUDAR INGLÊS, pode ser encontrado nas livrarias Disal, Cultura e SBS ou à rua Hoffmann, 728 em Porto Alegre.

E-mail: roberto@henrys.com.br
Fone (51) 3222-3144
www.henrys.com.br
Página no Facebook: https://www.facebook.com/henrysbusinessnglish/?pnref=lhc




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