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CULTURA e CONVERSAÇÃO

Roberto Henry Ebelt

21.08.2015

CULTURA e CONVERSAÇÃO

Na década de 50 e 60, tínhamos duas grandes instituições de ensino de inglês em Porto Alegre, a saber, o Instituto Cultural Brasileiro Norte Americano e o Yázigi, trazido de São Paulo para o Rio Grande do Sul por duas pessoas notáveis, Moacir Akui e Sonilton Alves.

O Cultural (o que aconteceu com o Cultural?) fundado em 1939, tanto quanto eu sei, era o braço cultural do Consulado Americano em Porto Alegre, tanto é que, quando o esquerdista (democrata) Bill Clinton fechou o consulado em Porto Alegre, o Cultural, aos poucos, saiu de cena.

O Yázigi, sem nenhum apoio de algum governo, tinha que se manter como qualquer empresa normal, pagadora de impostos sempre escorchantes, e se manteve em pé até o passamento prematuro de seu líder comercial, Sonilton Alves. (Até hoje não descobri se o Cultural tinha ou não benefícios fiscais tais como isenção de pagamento do ISSQN, apesar de ser voz corrente, na época em que funcionava ligado ao Consulado, de que tinha tal isenção).

O gênio (behind the scenes) do Yázigi era o mestre Moacir Akui, a quem devo praticamente tudo que sei sobre ensino de inglês para brasileiros. Moacir faleceu em março de 2009 - vide  http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=4050 -  quando já se encontrava há muito tempo desligado do Yázigi. Durante seus últimos anos de vida, tive o privilégio de trabalhar novamente com ele e de continuar sorvendo seus profundos conhecimentos de linguística.

Pois essas duas organizações, historicamente importantíssimas para a cultura rio-grandense, eram conhecidas pela ênfase maior que davam ou à cultura ou à conversação nos métodos de ensino que utilizavam. O Cultural era conhecido pela ênfase que dava à cultura (e ao estudo de gramática) e o Yázigi pela ênfase dada à conversação. Naturalmente isso era um exagero e ambas as instituições produziam excelentes resultados para seus alunos. Trabalhei quase cinco anos no Yázigi na década de 60, e tive oportunidade de conhecer grandes personalidades gaúchas às quais tive oportunidade de ensinar um pouco de inglês.

O propósito destas linhas é dizer que um idioma sem a sua cultura é estéril – vide o caso do Esperanto, que por não ter uma cultura que o sustente,  tem não mais do que 1.000 famílias, no mundo inteiro, que o falam como língua nativa:
Native Esperanto speakers are people who have acquired Esperanto as one of their native languages.  As of 1996, there were 350 or so attested cases of families with native Esperanto speakers. Estimates from associations indicate that there are currently around 1,000 Esperanto-speaking families, involving perhaps 2,000 children. In all known cases, speakers are natively bilingual, raised in both Esperanto and either the local national language or the native language of their parents. In all but a handful of cases, it was the father who used Esperanto with the child. In the majority of such families, the parents had the same native language, though in many the parents had different native languages, and only Esperanto in common (https://en.wikipedia.org/wiki/Esperanto).

Ou seja, mesmo línguas criadas pelas circunstâncias, como o Ídiche, são muitíssimo mais usadas do que o Esperanto, que inegavelmente é obra de um intelectual de grande renome, o Dr. L. L.  Zamenhof. Isso, repito, devido à falta de uma cultura que o sustente. Estudar um idioma sem conhecer a cultura por trás dele é insuficiente e ao Esperanto falta esta cultura.

Por outro lado, você não desenvolverá a sua capacidade de falar outro idioma se não tiver a humildade de uma criança. Digo criança, pois elas simbolizam a vontade de aprender sem restrições à necessidade de  repetir tantas vezes quantas foram necessárias para que falem corretamente. Repetir a forma correta, sem se preocupar com regras gramaticais, é a chave para o aprendizado de um idioma, seja ele o nativo ou não. O pior aluno é aquele que não tem tal humildade e se recusa a repetir até que o resultado seja satisfatório. Gramática, cultura, repetição, tudo isso é importantíssimo para aprender um idioma estrangeiro, mas o começo sempre é ouvir e repetir, exatamente como aconteceu quando aprendemos português.

Mais instruções sobre como enfrentar o desafio de aprender, como adulto, a se comunicar em inglês, você encontra no livro O QUE VOCÊ DEVE SABER ANTES DE ESTUDAR INGLÊS.

Dúvidas sobre inglês? Mande-me um e-mail.


Tags: Roberto Henry Ebelt, inglês, artigo, coluna


Roberto Henry Ebelt é professor, escritor, escreveu uma coluna semanal para o Jornal do Comércio de Porto Alegre entre 2001 e 2013, e é diretor do curso HENRY'S BUSINESS ENGLISH desde 1971.

Seu mais recente livro, O QUE VOCÊ DEVE SABER ANTES DE ESTUDAR INGLÊS, pode ser encontrado nas livrarias Disal, Cultura e SBS ou à rua Hoffmann, 728 em Porto Alegre.

E-mail: roberto@henrys.com.br
Fone (51) 3222-3144
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