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Alemão sofre.

Roberto Henry Ebelt

11.12.2015

Alemão sofre.

Narrativa, na primeira pessoa, de uma situação totalmente previsível, proporcionada pela nefanda correção política.

“Eu comprei uma casinha, destas de alimentar pássaros. Pendurei-a na varanda e a supri com ração. Ficou uma beleza, carinhosamente não deixei faltar sementinhas.

Dentro de uma semana, tivemos centenas de aves que se deleitavam com o fluxo contínuo de comida livre e facilmente acessível.

Mas, então, os pássaros começaram a construir ninhos nas beiras do pátio, acima da mesa e ao lado da churrasqueira.

Depois veio o cocô. Estava em toda parte: nas cadeiras, na mesa, em tudo! Algumas aves mudaram até de ideia. Tentavam me bombardear em voo de mergulho e me bicar, apesar de eu ser seu benfeitor.

Outras aves faziam tumulto e eram barulhentas. Elas se sentaram no alimentador e a qualquer hora exigiam ruidosamente mais comida quando esta ameaçava acabar.

Chegou uma hora que eu não conseguia mais sentar na minha própria varanda. Então, eu desmontei o alimentador de pássaros e em três dias acabaram indo embora. Eu limpei a bagunça e acabei com os ninhos que fizeram por todos os lados.

Assim tudo voltava ao que costumava ser: calmo, sereno, e ninguém exigindo direitos a refeições grátis”.

E o alemão conclui:

“Nosso governo dá a comida de graça, habitação subsidiada, assistência médica e educação gratuita; permite que qualquer pessoa nascida aqui receba automaticamente a cidadania.

Aí os ilegais chegaram às dezenas de milhares. De repente, os nossos impostos subiram para pagar os serviços gratuitos; pequenos apartamentos estão abrigando cinco famílias; você tem que esperar 6 horas para ser atendido numa emergência médica; seu filho, cursando o segundo grau, está à procura de outra escola, porque mais da metade da sua classe não fala a nossa língua. As caixas de cereais matinais agora vêm com rótulos bilíngues. Sou obrigado a usar teclas especiais para poder falar com o meu banco no nosso idioma e a ver pessoas estranhas acenando bandeiras, que não são a nossa, e as ouvir berrando e gritando pelas ruas, exigindo mais direitos e liberdades gratuitas.

É apenas a minha opinião, mas talvez seja hora de o governo desmontar o alimentador de pássaros”.

Voltando.

Já li que um pássaro migratório esteve protestando veementemente em frente ao palácio Piratini contra um suposto preconceito da fauna brasileira na UFRGS, onde tal pássaro, que lá estuda e se alimenta gratuitamente (mas suas despesas são pagas por nós), foi supostamente discriminado por causa da cor de suas penas. Começa assim. Logo, tal ave estará exigindo grãos e sementes especiais para pássaros da fauna do continente do qual ele emigrou.

Além disso, corre a notícia de que o Zika vírus, que já fez mais de 1.700 vítimas no Brasil, também é fruto de revoadas de pássaros exóticos durante a Copa do Mundo de 2014 que aqui entraram como se estivessem em casa. Onde estão os que cuidam das medidas sanitárias?

Quando eu comecei a viajar para o exterior, em 1968, você não entrava nos EUA sem apresentar comprovação de ter tomado diversas vacinas, com várias semanas de antecedência à chegada lá. O mundo, desde então ficou “menor” e muito mais perigoso, mas as precauções diminuíram. Como pode? A correção política vale mais do que a saúde do nosso povo?

Para terminar: Delação premiada. Em inglês, não existe um perfeito equivalente para tal instituto. No máximo um bandido, nos EUA, teria que, com o consentimento do promotor, se declarar culpado de um crime menor e aceitar a pena imposta a este crime menor para se safar da acusação e julgamento por um crime maior. Tal procedimento é o PLEA BARGAINING. Se você usar tal expressão, um americano terá uma ideia do rolo que certos políticos estão aprontando no Brasil.

Have an excellent weekend.


Tags: Roberto Henry Ebelt, inglês, artigo, coluna


Roberto Henry Ebelt é professor, escritor, escreveu uma coluna semanal para o Jornal do Comércio de Porto Alegre entre 2001 e 2013, e é diretor do curso HENRY'S BUSINESS ENGLISH desde 1971.

Seu mais recente livro, O QUE VOCÊ DEVE SABER ANTES DE ESTUDAR INGLÊS, pode ser encontrado nas livrarias Disal, Cultura e SBS ou à rua Hoffmann, 728 em Porto Alegre.

E-mail: roberto@henrys.com.br
Fone (51) 3222-3144
www.henrys.com.br
Página no Facebook: https://www.facebook.com/henrysbusinessnglish/?pnref=lhc




Opinião do internauta

  • Fabio Burch Salvador (14.12.2015 | 21.41)
    O grande problema com os países da Europa, é que não dá para aplicar a "lógica do pássaro" com eles. A Alemanha, tudo bem, vá lá, contou com os países do Oriente Médio apenas quando o Império Otomano foi seu aliado e possibilitou as vitórias nos dois terços iniciais da Primeira Guerra Mundial, ao manter a Rússia atarefada. Mas até aí, tínhamos os interesses mútuos. Já a França, a Inglaterra, Portugal, Espanha, esses países que foram donos de grandes imperios coloniais, esses não podem simplesmente enxergar os árabes e africanos como "pássaros que estão nos cobrando alpiste". O fato de a Europa ter alpiste deve-se em grande parte, ao fato de ter tirado toneladas dele do solo desses países. É como se nós devêssemos boa parte da nossa casa aos pássaros. Se a gente olhar com cuidado, até a gaiolinha de colocar comida é feita com ferro extraído lá do ninho dos passarinhos que agora estão na varanda. O exemplo mais dramático é Portugal. Portugal é até hoje uma nação respeitada, que já foi um dos maiores impérios da Terra. Aliás, só teve assento na negociação da re-divisão da Europa porque era um país de grande porte, formado por seu próprio território e pelo Brasil. Há igrejas em Portugal com ouro brasileiro. Se Portugal existe na História, é por causa de sua expansão colonial. A Alemanha mesmo: os alemães podem até achar uma droga o fato de os estrangeiros estarem inchando o país. Mas, na hora em que alguém tem que apertar parafusos ou fazer faxina, eles saem atrás de poloneses, árabes, latinos, o que for. Há alemães que têm ressentimento dos próprios alemães, do leste, alegando que na unificação a parte ex-socialista teve que receber investimentos. Essa história de fronteiras, na verdade, já era. As culturas se cruzam, as informações viajam pela rede, e é cada vez mais difícil impedir que as pessoas andem por aí. Os problemas de um têm que ser os problemas de todos. Se há doenças na África ou na Ásia, que os turistas de lá levam pelo mundo, então a solução é melhorar as condições sanitárias e médicas na África e na Ásia. Porque as pessoas vão viajar. Com, sem, ou contra as medidas e vontades de um povo ou outro. Os alemães deviam saber disso. Eles tinham UM MURO no meio de Berlim, que mesmo com todo o aparato, não impediu que um bando de gente cruzasse de um lado a outro.
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