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Língua escrita x língua falada. Textos religiosos.

Roberto Henry Ebelt

16.06.2017

Língua escrita x língua falada. Textos religiosos.

Mesmo não sendo cristão na acepção original da palavra, em que cristão é sinônimo de católico, não deixo de admirar os ensinamentos do personagem Jesus Cristo, sobre o qual praticamente nada nos é dado saber a partir de fontes históricas autênticas. As fontes não reconhecidas como autênticas exigem muito cuidado com o que os tradutores e, especialmente, os copistas da igreja católica acrescentaram durante mais de 1.000 anos. Os textos originais, acredita-se terem sido escritos muitos anos após a curta existência deste importantíssimo personagem, talvez com a exceção dos quatro primeiros livros do Novo Testamento, os assim chamados Evangelhos.

Após Gutenberg e sua máquina maravilhosa, os textos passaram a ser mais uniformes, porém já estavam corrompidos. É certo que as traduções de originais gregos e hebreus tais como a de Tyndale e de Wycliffe para o inglês e de Martin Luther para o alemão estão bem mais próximas do que devem ter sido os textos originais do que as traduções feitas a partir da corrompida Vulgata católica.

Interessante notar que o trabalho de Wycliffe foi anterior (1380-1390) ao de Tyndale (início do século 16) e foi uma   tradução para o que hoje conhecemos como Middle English, um idioma razoavelmente diferente do inglês que é falado hoje, o Modern English.

A Bíblia de Tyndale (ilustração acima) foi a que irritou o então não reformista, católico fervoroso, Henry VIII, um personagem muito volúvel, estranho e cruel, além de possivelmente psicopata, pois Tyndale e Henry eram contemporâneos. Além disso, ouve-se falar mais da tradução de Tyndale, pois ela já foi feita para um idioma mais parecido com o inglês que falamos atualmente, o Modern English, na sua forma inicial, Early Modern English. Interessante notar que The Church of England originalmente não era nada mais do que uma versão (inglesa) da igreja católica em que a autoridade suprema era o rei da Inglaterra e não o papa, mantendo toda a sua doutrina (católica) e abominando os reformistas que insistiam em oferecer a Bíblia para a leitura dos fiéis, algo que a igreja católica detestava.

Voltando ao papel da língua inglesa:

Por definição, Modern English é o idioma atual e é historicamente reconhecido como existente a partir de 1476, quando um discípulo de Gutenberg, William Caxton, imprimiu o primeiro livro na Inglaterra, que não era uma bíblia, como havia sido na Alemanha, diga-se de passagem. Porém, o Modern English não nasceu pronto e nesta época de transição entre Middle English e Modern English as duas variações ainda eram muito semelhantes tendo o Modern English se consolidado apenas depois de 1650, data que marca o fim do Early Modern English.

Note que William Shakespeare (Born: April 23, 1564, Stratford-upon-Avon, UK. Died: April 23, 1616, Stratford-upon-Avon, UK) embora tenha vivido muito tempo depois de 1476, ano em que William Caxton conseguiu imprimir o primeiro livro na Inglaterra, escreveu suas obras em Early Modern English.

William Caxton (above) set up a press at Westminster in 1476 due to the heavy demand for his translation on his return from the continent. The first book known to have been produced there was an edition of Chaucer's The Canterbury Tales. He printed perhaps the earliest verses of the Bible to be printed in English, as well as chivalric romances, classical works and English and Roman histories. He translated into English and edited many of the works himself. He is credited with the first English translation of Aesop's Fables, in 1484. The rushed publishing schedule and his inadequacies as a translator led both to wholesale transfers of French words into English and to misunderstandings. Caxton is credited with helping to standardize the various dialects of English through his printed works. In 2002, Caxton was named among the 100 Greatest Britons in a BBC poll. (Wikipedia).

Uma terceira versão da Bíblia em inglês foi promovida por King James, a famosa King James Version, no início do século XVII e esta é a versão mais popular em todo o mundo de língua inglesa e foi escrita em Early Modern English com todas as peculiaridades que o diferenciam do Modern English com que estamos acostumados, vide o uso dos pronomes e adjetivos pessoais usados no Early Modern English:

Personal pronouns in Early Modern English

 

Nominative

Oblique

Genitive

Possessive

1st person

singular

I

me

my/mine[# 1]

mine

plural

we

us

our

ours

2nd person

singular informal

thou

thee

thy/thine[# 1]

thine

plural or formal singular

ye, you

you

your

yours

3rd person

singular

he/she/it

him/her/it

his/her/his (it)[# 2]

his/hers/his[# 2]

plural

they

them

their

theirs

  1. ^ Jump up to:a b The genitives my, mine, thy, and thine are used as possessive adjectives before a noun, or as possessive pronouns without a noun. All four forms are used as possessive adjectives: mine and thine are used before nouns beginning in a vowel sound, or before nouns beginning in the letter h, which was usually silent (e.g. thine eyes and mine heart, which was pronounced as mine art) and my and thy before consonants (thy mother, my love). However, only mine and thine are used as possessive pronouns, as in it is thine and they were mine (not *they were my).
  2. ^ Jump up to:a b From the early Early Modern English period up until the 17th century, his was the possessive of the third person neuter it as well as of the third person masculine he. Genitive "it" appears once in the 1611 King James Bible (Leviticus 25:5) as groweth of it owne accord.

No próximo artigo continuaremos com este assunto. Para quem se interessa pela história da língua inglesa e a história das línguas ocidentais, recomendo dois livros. O primeiro, a monumental obra de Winston Churchill, History of the English Speaking Peoples. O segundo livro, de autoria de Henriette Walter, é a Aventura da Línguas no Ocidente (Origem, História e Geografia).

Have an excellent weekend.


Tags: Roberto Henry Ebelt, inglês, artigo, coluna, Ebelt


Roberto Henry Ebelt é professor, escritor, escreveu uma coluna semanal para o Jornal do Comércio de Porto Alegre entre 2001 e 2013, e é diretor do curso HENRY'S BUSINESS ENGLISH desde 1971.

Seu mais recente livro, O QUE VOCÊ DEVE SABER ANTES DE ESTUDAR INGLÊS, pode ser encontrado nas livrarias Disal, Cultura e SBS ou à rua Hoffmann, 728 em Porto Alegre.

E-mail: roberto@henrys.com.br
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