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Pesquisadores estão empenhados em desvendar a linguagem dos roedores

Vininha F. Carvalho

26.01.2011

Pesquisadores estão empenhados em desvendar a linguagem dos roedores

O código genético forma os modelos hereditários dos seres vivos. Cantar belas melodias para atrair o sexo oposto é uma característica em comum entre os ratos e os humanos. Dois neurologistas da Universidade Washington em Saint Louis descobriram que os sons emitidos pelos ratos são complexas sequencias sonoras, com padrões rítmicos bem determinados, podendo ser comparado ao canto dos pássaros. Como a frequência da melodia é ultrassônica, ou seja, são produzidos em frequência muito alta, o ouvido humano não consegue captá-la.

Os pesquisadores buscam, ainda, verificar como a fêmea do rato reage á cantoria e se o dom do canto é hereditário ou é fruto de aprendizado. A resposta poderá desvendar as causas de distúrbio de comunicação no ser humano, como o autismo. A descoberta revelou que os ratos carregam um dos genes que, no homem, se relaciona á fala, o Foxp2. Quando esse gene é desativado, o rato deixa de realizar a cantoria.

O cientista, Con Slobodchikoff, que trabalha nos Estados Unidos, em companhia de seus colegas, vem estudando há muito tempo o repertório vocal do chamado cão-da-pradaria-de-cauda-curta, gravando os sons emitidos. Perceberam que com um único ruído, o animal pode alertar sobre o tipo e a direção de um predador oculto e até descrever a cor. Se a descoberta for confirmada, isso significa que estes roedores comunicam-se de uma maneira mais complexa até do que macacos e golfinhos.

O cão-da-pradaria-de-cauda-curta pertence à família dos esquilos e vive no norte dos Estados de Arizona, Novo México e sul do Colorado. No passado, havia uma população de bilhões deles. Mas, considerados por fazendeiros uma praga, seu número diminuiu acentuadamente.

Quando um predador se aproxima, os pequenos roedores emitem uma série de ruídos. Para analisá-los, os cientistas realizaram várias experiências, apresentando modelos diferentes de predadores e gravando a resposta diante de coiotes, falcões e texugos.

Os cães-da-pradaria têm qualidades tonais diferentes, assim como vozes humanas, mas diferentes roedores usam o mesmo ruído para descrever os mesmos predadores, permitindo que o alarme seja entendido pelo resto da colônia. Um único ruído, por exemplo, poderia significar: "coiote magro ao longe, movendo-se rapidamente em direção à colônia".

Segundo Con Slobodchikoff, os cães-da-pradaria têm a linguagem natural mais complexa decodificada até agora. Eles têm palavras para diferentes predadores, eles têm palavras para descrever as características individuais de predadores diferentes, por isso é uma língua muito complexa, que tem muitos elementos.

Estas pesquisas representam um grande avanço para a compreensão das espécies, apresentando modelos diferentes de comunicação, possibilitam o fortalecimento do respeito a todas as criaturas.


Tags: roedores, rato, linguagem


Vininha F. Carvalho é jornalista, ambientalista e engajada na causa dos animais. Graduada em administração de empresas e economia, é especializada em temas que envolvem questões na área ambiental, principalmente relativas a animais, para veículos da mídia impressa e eletrônica. Atuante em entidades e projetos com enfoque social.
Presidente da Fundação Animal Livre.
e-mail: vininha@uol.com.br
Home page: www.animalivre.com.br





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