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A prática do birdwatching se fortalece como atração turística

Vininha F. Carvalho

16.02.2012

A prática do birdwatching se fortalece como atração turística

A expressão birdwatching quer dizer "observação de pássaros" e foi cunhada na Inglaterra, em 1901, pelo ornitólogo inglês Edmund Selous. Mas um século antes os americanos já haviam criado uma sociedade devotada ao assunto: a Audubon Society. Não por acaso a América do Norte possui hoje 70 milhões de adeptos.

Com 1.876 espécies de aves, a Colômbia é o melhor destino para quem aprecia esta atividade. A quantidade de espécies, paisagens e segurança são argumentos que justificam conhecer o país sul-americano em qualquer momento do ano para desfrutar da sua grande oferta de natureza.

Segundo o gerente da Ecoturs, Angela Gomez, a demanda para este segmento aumentou mais de 150% desde que se iniciou a divulgação e venda de pacotes de observação de aves, em 2006. A Ecoturs é uma companhia vinculada a Proaves, sem fins lucrativos, encarregada de conservar este valioso recurso natural colombiano. Ele afirma que o descobrimento de seis novas espécies totalmente desconhecidas para a ciência, por meio de expedições na última década, promoveu um impacto muito forte na demanda de observadores de aves.

Espécies como a Reinita Alidorado, o Baudo Oropendola e a ave símbolo da Colômbia, o Loro Orejiamarillo, atraem milhares de turistas de todo o mundo, que chegam ao país para conhecer os mais belos cenários que abrigam essas aves.

A Colômbia oferece rotas de observação abundantes não só em espécies, mas também em experiências, nas quais os viajantes podem escolher a direção do roteiro.

Por exemplo, a rota Endemics Bonanza abrange toda a costa do Caribe colombiano e visita destinos como a Reserva El Dorado, Via Parque e Los Flamencos. Neste passeio, os turistas podem observar 474 espécies de aves, sendo 22 endêmicas, como o SM Foliage-Gleaner, o SM Screech-Owl e o SM Parakeet.

Outra opção é a rota Magdalena Birding Extravaganza, que inclui toda a área central do país, passando por municípios como Victoria, no departamento de Caldas, Falan, em Tolima, Parque Nacional Chingaza, nas proximidades de Bogotá, La Florida, também na capital, e por reservas como El Paujil, em Puerto Boyacá, e Reinita Cielo Azul, em Santander.

Neste trajeto, é possível admirar a beleza de 775 aves, 27 delas endêmicas. Já a rota denominada Central Colômbia Escapades é realizada em Antioquia e inclui a Reserva Colibrí del Sol, Reserva Loro Orejiamarillo, Las Tángaras e Otún Quimbaya, com cerca de 580 espécies, sendo 21 endêmicas.

De acordo com Angela Gomez, hoje é mais que surpreendente o crescimento do turismo de observação de aves e a melhor imagem do país no cenário internacional permitiu maior promoção de lugares exóticos. O mercado é promissor, pois a estadia dos viajantes é de 20 dias, em média, e oferece a oportunidade de conhecer a Colômbia de uma maneira diversificada, dada à quantidade de paisagens onde se encontram esses animais.

No Brasil é impossível dissociar o destino Foz do Iguaçu de seu ícone maior: as Cataratas. O que poucos sabem é que em torno delas, na região da tríplice fronteira, existe uma das maiores concentrações de espécies de aves do planeta, tão raras quanto exóticas.

O fato é que tanto curiosos e amadores do birdwatching, quanto profissionais ou cientistas têm redescoberto um lado de Foz do Iguaçu pouco explorado: o destino é portal para uma das mais ricas rotas de observação de pássaros. Para se ter uma ideia só o Parque das Aves abriga mais de 900 pássaros tropicais de 150 espécies. É o único parque da América do Sul que permite que o turista entre nos viveiros e tenha contato direto com as aves.

Mas é do lado argentino, no Parque Nacional Iguazú que se encontra um programa específico para os amantes da natureza, das aves e adeptos do "passarinhar". São saídas especiais, com jipes abertos pelo parque e guias ornitólogos que acompanham o grupo com equipamentos apropriados: binóculo, telescópio, guia de aves, check-list e gravador com vozes de pássaros.

No país da biodiversidade a atividade apenas esta se iniciando, mas já ganhou cor local: birdwatching virou "passarinhar", na gíria brasileira dos aficionados. E saiba que se você é do tipo que adora alimentar pássaros no quintal e beija-flores nas varandas, pode se considerar um "passarinhador" nato, segundo especialistas da AVISTAR, entidade que representa o segmento. A importância do birdwatching para a criação de consciência ecológica planetária é tal que muitos equipamentos turísticos de Foz do Iguaçu começam a incentivá-la.


Tags: Vininha, meio ambiente, animais


Vininha F. Carvalho é jornalista, ambientalista e engajada na causa dos animais. Graduada em administração de empresas e economia, é especializada em temas que envolvem questões na área ambiental, principalmente relativas a animais, para veículos da mídia impressa e eletrônica. Atuante em entidades e projetos com enfoque social.
Presidente da Fundação Animal Livre.
e-mail: vininha@uol.com.br
Home page: www.animalivre.com.br





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