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O consumidor consciente faz toda a diferença para o meio ambiente

Vininha F. Carvalho

16.10.2012

O consumidor consciente faz toda a diferença para o meio ambiente

A sustentabilidade faz parte da agenda do século XXI, é o maior desafio que a humanidade já enfrentou. Atualmente, são sete bilhões de habitantes no planeta, onde a carência de requisitos básicos para uma vida digna é evidente.

O importante, a meu ver, é a compreensão de que o comportamento das pessoas, a economia e os negócios precisam passar por grandes transformações nas próximas décadas. Para crescer e alcançar sucesso, os empreendedores precisam estar atentos à demanda deste novo mundo.

O problema é que não existe um imaginário disponível para substituir o que foi criado pela sociedade de consumo por anos a fio. Não contamos ainda com uma rede cultural que dê apoio à transição para um modelo de vida sustentável.

Se de um dia para o outro acabarmos com o consumo, tal como o concebemos hoje, poderá despertar um desequilíbrio social. Os especialistas no tema ressaltam ser esse um conceito em construção. Mas, é verdade também, que o conceito de sustentabilidade foi cunhado por um processo histórico e evoluirá com o passar dos anos.

É preciso que professores, pesquisadores e ambientalistas apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade.

Muitas empresas buscam descobrir o foco da sustentabilidade, criando departamentos, desenvolvendo projetos, incorporando inovações tecnológicas, e muitas outras ações sustentáveis estão sendo implantadas. Serão empresas realmente sustentáveis? Sustentabilidade é um conceito sistêmico, relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana. Propõe-se a ser um meio de configurar a civilização e atividade humanas, de tal forma que a sociedade, os seus membros e as suas economias possam preencher as suas necessidades e expressar o seu maior potencial no presente, e ao mesmo tempo preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais, planejando e agindo de forma a atingir pró-eficiência na manutenção indefinida desses ideais.

A preocupação com o futuro do planeta é recente. No início dos anos 70, um grupo formado por cientistas, intelectuais e empresários, denominado Clube de Roma, discutiu a incompatibilidade entre o modelo de desenvolvimento vigente e o meio ambiente. Perceberam que, se o consumo dos recursos naturais continuasse a crescer naquela proporção o planeta não suportaria tal impacto.

O relatório “Limites do Crescimento”, publicado em 1971, apontou que não poderíamos continuar com aquele modelo de crescimento econômico. Seria ruim para o curso natural do planeta e da vida humana.

O desenvolvimento sustentável foi inicialmente identificado em 1987, quando o relatório final dos trabalhos da Comissão Mundial das Nações Unidas para o Ambiente e o Desenvolvimento (Comissão Brundtland) destacou que o desenvolvimento sustentável é aquele que responde às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de responderem às suas próprias necessidades.

Em junho de 2001, o Conselho Europeu de Gotemburgo aprovou a “Estratégia para Desenvolvimento Sustentável”, baseada no princípio de que os efeitos econômicos, sociais e ambientais de todas as políticas devem ser analisados de forma coordenada e tidos em conta no processo de decisão.

E, em setembro de 2002, em Johanesburgo, em reunião mundial sobre desenvolvimento sustentável, promovida pela ONU, o seu então dirigente maior, Kofi Annan, foi enfático ao pronunciar as seguintes palavras: - “Não estamos a pedir às empresas para fazerem algo diferente da sua atividade normal; estamos a pedir-lhes que façam a sua atividade normal de forma diferente.”

Os modernos sistemas de gestão e de administração estabelecem claramente em seus preceitos que as ações de responsabilidade e de sustentabilidade socioambiental são, hoje, não apenas um diferencial a ser buscado e conquistado pelas corporações, mas, sim, atividades imprescindíveis a serem adotadas, incorporadas e desenvolvidas costumeira e sistematicamente por todas as áreas de atuação das empresas.

A responsabilidade que exercem no seio da sociedade, como bem destaca a Constituição Federal, tem ampla abrangência e composição multidisciplinar. Designa as efetivas funções exercidas no tocante a valores sociais concretos, como os direitos humanos, o direito do trabalho e o meio ambiente.

Unir forças com os fornecedores para encontrar soluções mais ecológicas e socialmente responsáveis, permite às organizações, destacarem-se face à concorrência, além de criar valor. Na outra ponta, práticas ambientais corretas, gestão de recursos naturais explorados no processo de produção, respeito, transparência e lealdade com a concorrência fazem parte do espectro de critérios sociais e ecológicos na agenda diretiva da empresa, relativa ao seu desenvolvimento econômico e sustentável.

A sociedade está cada vez mais consciente e atenta ao conceito de desenvolvimento sustentável. Aquele capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações e sem esgotar os recursos para o futuro.

As empresas que desenvolvem uma gestão realmente comprometida com esta visão tem vantagens competitivas que podem, muitas vezes, aumentar sua rentabilidade .Os consumidores aprovam esta iniciativa, na medida em que tais práticas se revertam em vantagens sustentáveis a todos, sejam de natureza humana preservativa e ambiental, sejam com melhoras sensíveis à vida cotidiana e do próprio planeta.

Surgirá, portanto, disso tudo, um novo ser social – o cidadão / consumidor pessoal e socialmente responsável. Eles exigem mais responsabilidade e padrões mais altos de sustentabilidade das empresas das quais adquirem produtos e serviços. O mesmo acontece com muitos acionistas e investidores.

Que tal se, no ato da compra, obtivéssemos informações sobre a origem do produto, seu processo de fabricação, uso de matérias-primas e condições de trabalho dos profissionais envolvidos na produção, entre outras? E mais, termos a preocupação sobre o que faremos com os aparelhos antigos, que abrirão espaço nas nossas salas para a chegada dos novos?

Devemos sim consumir. Mas devemos também cobrar mais informações e transparência dos fabricantes sobre suas práticas sustentáveis, seja durante a produção ou na oferta de soluções para o correto descarte de tais produtos.

Mas como entender e medir o impacto desse consumo nas nossas escolhas diárias? Uma alternativa é compreender que, conscientes ou não, ao adquirirmos um produto, consumimos também toda a sua história, o que chamamos de Ciclo de Vida. E, a partir da compra, passamos a fazer parte deste ciclo, sendo também responsáveis por este processo.

Para colocarem em prática essas medidas, as empresas têm à mão instrumentos individuais de materialização desses valores e medidas. São os regulamentos que podem abrigar a uma série de políticas internas voltadas a esse objetivo, além dos chamados códigos de conduta e de ética, que atuam como uma espécie de declaração formal de valores e práticas comerciais de uma empresa e, por vezes, também dos seus fornecedores.

O parágrafo número 47 do documento final da conferência Rio +20, intitulado “O futuro que queremos” (The future we want), que tem 283 páragrafos, reconhece a importância do relato da sustentabilidade corporativa e encoraja as empresas, especialmente as que são listadas em Bolsa ou que possuem um faturamento relevante, a considerarem o reporte das informações socioambientais no seu ciclo de divulgação de informações financeiras.

O foco principal desse novo comportamento é a eficiência energética na rotina das empresas, garantida por ações que promovam reutilização de água, coleta da água da chuva, aquecimento com painéis solares e uso de vasos sanitários que evitem o desperdício.

Do ponto de vista financeiro, as pequenas e médias empresas devem começar pelos aspectos que irão gerar ganhos ou sinergia para o negócio. As ações podem trazer mais lucro e retorno positivo para sua imagem, além de ajudar, e muito, na busca da sustentabilidade.

As empresas que possuírem melhor capacidade para coletar, analisar, consolidar e relatar estas informações sairão à frente e terão custos menores de adequação, apesar de muitas vezes pagarem o preço do pioneirismo. Entretanto, os benefícios de se fazer uma gestão do negócio que vai além do simples retorno econômico são cada vez mais palpáveis.

No mundo corporativo, esta postura começou a fazer parte da agenda de muitas empresas. Diversas organizações começaram a pensar sobre a sustentabilidade e associar a sua imagem e marca com ações voltadas para a responsabilidade socioambiental.

O conceito de um ser sustentável nada mais é do que a concepção e o comprometimento de cada indivíduo para com suas ações e seus desdobramentos na sociedade e meio ambiente. Abrange vários níveis de concepção, desde a vizinhança local até o planeta por inteiro.

Ser sustentável está, aos poucos, quebrando a barreira de ser apenas uma estratégia, para estar presente na cultura e modelo de gestão das empresas. O resultado dessa transformação, com certeza, será comemorado pelas futuras gerações. Empresas, governos e a sociedade em geral precisam estar preparados para sobreviver num novo cenário diante dos dramáticos desafios ambientais e sociais.


Tags: Vininha, meio ambiente, animais


Vininha F. Carvalho é jornalista, ambientalista e engajada na causa dos animais. Graduada em administração de empresas e economia, é especializada em temas que envolvem questões na área ambiental, principalmente relativas a animais, para veículos da mídia impressa e eletrônica. Atuante em entidades e projetos com enfoque social.
Presidente da Fundação Animal Livre.
e-mail: vininha@uol.com.br
Home page: www.animalivre.com.br





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