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Discoespondilite, uma experiência inesquecível.

Vininha F. Carvalho

15.05.2017

Discoespondilite, uma experiência inesquecível.

A Discoespondilite (osteomielite intradiscal) é uma infecção causada por bactérias que provoca lesão na coluna vertebral, discos intervertebrais e tecidos adjacentes.  Causa dor intensa e, dependendo da vértebra afetada pode haver rigidez, tetraparesia ou paresia e paraplegia.

Os primeiros estudos apontavam o Staphylococcus aureus como agente causador, contudo, um patógeno canino foi recentemente identificado, o Stafilococcus intermedius. As bactérias ou fungos em geral, entram na corrente sanguínea através dos abcessos dentários, feridas, doenças que diminuem a imunidade do animal, pelas vias aéreas (pulmão) ou mesmo decorrente de outras infecções, principalmente vindas do trato urinário e endocárdio. Uma infecção muito comum que pode levar a discoespondilite é a Brucelose, mais comum em animais de sítios e fazendas.

Cães de raças grandes e machos são mais propensos a contrair a discoespondilite, podendo acontecer em qualquer idade. É raro em gatos, mas pode ocorrer osteomielite vertebral, sem acometimento dos discos, decorrente de ferimentos externos. A doença acomete mais frequentemente a região tóraco lombar ou lombar.

Depressão, anorexia e febre representam o sinal de alerta. A seguir surge uma dor muito intensa na região atingida, podendo ter alterações neurológicas em decorrência dessa inflamação local, como paralisia dos membros e dificuldade de locomoção.

O diagnóstico de discoespondilite é obtido geralmente através de raios-X, porém a tomografia computadorizada pode evidenciar aspectos de lise e remodelamento ósseo com maior e melhor definição e precocidade não alcançadas com radiografia convencional. No exame clínico deve-se procura sinais clínicos como sopro, pois endocardite pode ser a fonte da infecção. Nos exames laboratoriais pode ocorrer no Hemograma: leucocitose e neutrofilia, a urinálise pode detectar foco de infecção (cistite).

O tratamento envolve a antibioticoterapia agressiva e prolongada baseada nos organismos mais comumente envolvidos ou no resultado das culturas. É importante manter o animal em repouso absoluto para evitar fraturas patológicas.

Estou relatando sobre esta doença porque recentemente enfrentei o desafio de salvar o meu pastor alemão, o Twguio, que esta com dez anos desta infecção. Os primeiros sintomas surgiram durante o carnaval, o que dificultou muito o atendimento.

Ao consultar a primeira veterinária, numa clínica onde trabalham quatro veterinários, foi diagnosticado que ele estava com cinomose e erliquiose e, a melhor opção seria a eutanásia devido à idade dele. Não aceitamos esta indicação, ela então, receitou uma medicação que foi incluída no valor da consulta. Tivemos a iniciativa de levá-lo em outra clínica veterinária. Lá chegando, o outro veterinário identificou esta infecção, mencionando que a medicação indicada pela veterinária anterior, à base de corticoide iria agravar a situação. Ele ficou internado por dez dias, mas estava totalmente paralisado da cintura para baixo. Devido às dificuldades apresentadas para realizar as necessidades fisiológicas, falta de apetite e condição para continuar vivendo sem se locomover, fui incentivada por muitas pessoas a realizar a eutanásia. Mas meu marido foi implacável, jamais iriamos praticar este ato. O sofrimento dele foi muito grande durante o período de vinte e um dias, sendo que a medicação correta foi realizada durante seis semanas. A luta foi muito grande, mas teve um final feliz. Nós investimos todo nosso amor e dedicação e, após sessenta dias ele este está totalmente recuperado, caminha e se alimenta muito bem.

Quero deixar registrado aqui este depoimento, pois descobri que discoespondilite pode ter cura. A eutanásia indicada na primeira clínica veterinária demonstrou falta de ética, de moral e de conhecimento cientifico, ou seja, eles têm um protocolo escolhido para realizar o atendimento, não respeitando a vida do animal e, muito menos o sentimento dos tutores. Para os veterinários daquela clínica, a eutanásia é a solução quando desconhecem a causa do problema. O Twguio não estava com cinomose e muito menos erliquiose, e sim com discoespondilite. Tomara que outros animais não sejam vítimas de profissionais que atuam sem o mínimo de responsabilidade e, praticam a eutanásia em animais que ainda tem uma longa vida pela frente.


Tags: Vininha, animais, Animalivre, pet, meio ambiente


Vininha F. Carvalho é jornalista, ambientalista e engajada na causa dos animais. Graduada em administração de empresas e economia, é especializada em temas que envolvem questões na área ambiental, principalmente relativas a animais, para veículos da mídia impressa e eletrônica. Atuante em entidades e projetos com enfoque social.
Presidente da Fundação Animal Livre.
e-mail: vininha@uol.com.br
Home page: www.animalivre.com.br





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