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É preciso reduzir os impactos dos pássaros nas edificações.

Vininha F. Carvalho

05.12.2017

É preciso reduzir os impactos dos pássaros nas edificações.

Os pássaros enxergam as grandes fachadas envidraçadas, ainda mais quando espelhadas, como a continuação do céu para voar e para onde mergulham e acabam sofrendo o impacto, muitas vezes, resultando em morte. Outra vezes, ao enxergarem o próprio reflexo nas grandes superfícies espelhadas, atacam a superfície, como se fosse um inimigo, também resultando em danos graves.  A colisão de aves contra vidraças e muros de vidro é a segunda maior causa de morte de pássaros no mundo.

Estima-se que até um bilhão de pássaros morrem por ano nos Estados Unidos ao impactarem em janelas e paredes de vidro, tornando os edifícios a maior ameaça existente a eles. O dano é tão grande que hoje já consta na certificação LEED, como crédito piloto 55, a diminuição dos impactos dos pássaros nas edificações, criado para tentar reduzir este acidente.

De acordo com levantamento do Instituto Passarinhar, 77% dessas colisões terminam em morte imediata do animal. “E muitos ainda morrem em consequência do choque, ainda que bem depois”, afirma o biólogo Sandro Von Matter, diretor da instituição, pesquisador em conservação da biodiversidade e consultor do Earthwatch Institute no Brasil e do Escritório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente no Brasil (PNUMA).

Mais de 20 espécies de pássaros cujas populações estão diminuindo, e que podem correr o risco de extinção, são os pássaros que morrem frequentemente em colisões com edifícios.

Segundo a arquiteta Adriana Noya, algumas medidas podem diminuir as fatalidades. É preciso desenvolver uma estratégia de desenho da fachada do prédio e estruturas do terreno que se tornem visíveis e barreiras físicas para os pássaros.

- Maior potencial de ameaça:

- Vidro altamente refletivo ou completamente transparente

- Vidro com estrutura refletiva ou transparente interrompida por um padrão baseada na regra 2x4

- Superfícies refletivas ou transparentes protegidas por telas, persianas ou brises, em que o vidro exposto resultante satisfaça a regra de 2x4

- Vidro translúcido com superfícies opacas ou texturizadas

- Menor potencial de ameaça: superfícies opacas

A regra 2 x 4 é definida no módulo de dissuasão de colisão baseado no perfil físico de um pássaro em voo. Uma pesquisa recente definiu um módulo máximo de 5 cm de altura por 10 cm de largura.

Iluminação exterior:

Luzes externas do prédio que não sejam para segurança, entrada do prédio e circulação, devem ser automaticamente desligadas da meia noite às 6 da manhã. Caso seja necessário usar estas áreas fora destes períodos, estes sistemas devem poder ser ligados manualmente.

Mas mesmo sem optar por certificar a edificação como LEED nem optar por atender este crédito mesmo se estiver certificando LEED, existem algumas soluções que podem diminuir este problema, como por exemplo, plantar árvores altas para que o pássaro as enxergue como barreiras, não voando em direção à edificação.

Há, ainda, no mercado algumas soluções consideradas amigáveis aos pássaros pelo American Bird Conservancy (Órgão de proteção dos pássaros). Já foram desenvolvidos vidros comum tratamento invisível aos nossos olhos, mas que os pássaros enxergam como se fosse uma teia e, consequentemente, tornam-se um obstáculo. Algumas películas aplicadas da forma correta podem ter o mesmo papel, caso o vidro esteja fora de questão. Hoje em dia é importado da Alemanha.

É possível incorporar alguns elementos às janelas de residências e painéis de edifícios, diminuindo o risco de colisão. A aplicação de fitas, filmes, tinta ou decalques do lado exterior, além da instalação de redes na frente dos vidros são algumas das soluções, já que criam barreiras visuais que permitem que as aves sejam capazes de detectar a presença de um obstáculo.

Outra técnica que pode funcionar é aplicar adesivos com sombras simulando pássaros grandes em voo. Os pássaros menores temem o ataque e evitam o percurso.

A arquiteta Adriana Noya que recebeu premiações relacionadas à Sustentabilidade como a Menção Honrosa no Prêmio Planeta Casa e o Prêmio Casa Cor de Sustentabilidade, afirma:- “sempre que um edifício é projetado é importante pensar nisto também: sustentabilidade não é só conservar água, energia e materiais, mas é também interferir o mínimo possível na natureza, e se possível ainda deixando um impacto positivo”.


Tags: Vininha, animais, Animalivre, pet, meio ambiente


Vininha F. Carvalho é jornalista, ambientalista e engajada na causa dos animais. Graduada em administração de empresas e economia, é especializada em temas que envolvem questões na área ambiental, principalmente relativas a animais, para veículos da mídia impressa e eletrônica. Atuante em entidades e projetos com enfoque social.
Presidente da Fundação Animal Livre.
e-mail: vininha@uol.com.br
Home page: www.animalivre.com.br





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