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Alexandre Corrêa
A grande mesmice da vida.
Sempre achamos que a nossa geração é especial. No nosso tempo, quando éramos jovens, a vida era melhor... Haaa, no meu tempo... Haaaa, quando éramos criança, era melhor. Em resumo, de forma presunçosa, pensamos que a vida era melhor antigamente! Por que essa forma tão corriqueira de pensar sobre a vida? Seria isso uma fuga psicológica e saudosista de nossa sociedade?
Antes que respondam, faço-me também essa autocrítica. Confesso que penso: “Meu tempo era melhor...” e isso que não sou tão velho assim, recém fiz 40. Considero os jogos de Atari menos brutais e reais, as músicas da Legião Urbana mais criativas, os alimentos mais saudáveis, o centro da cidade com menos assaltos, jogava botão todo dia e, assim, via meus amigos todo dia. Os alimentos eram mais saudáveis, e não faziam tanto mal, não tinha MacDonalds, e a Rádio Ipanema tocava “música alternativa” e hoje toca Julio Iglesias. Ouvia Replicantes, Garotos da Rua, Bandaliera e Guerrilheiro Antinuclear e me achava o tal... O Rock gaúcho e nacional nunca foram tão primorosos...
“Você não soube me amar” e as rimas do Evandro Mesquita eram cantadas Brasil afora alegremente. Tinha todo o ano a gincana do Hipo, e vencê-la era o máximo! Não tinha essa história de CTR C, CTR V. Os alunos estudavam e respeitavam os professores. Os pais e avós da gente eram vivos e tinham saúde. Programa de domingo era ir no “Marinha” ou na “Redenção”, e não em Shoppings. Os filmes do Harrisson Ford eram bons.
Como a vida era melhor!
Que presunção! Sempre achamos que com a gente era especial, não importa se melhor ou pior. A verdade é que o que era, já foi antes de ter sido, e voltará a ser. A vida que ocorre ao redor do globo se repete. Fenômenos econômicos, sociais, comportamentais e meteorológicos são cíclicos. Tudo volta a ser como era antes. Até a Bíblia, sempre tida por muita gente como ultrapassada, antiquada e obsoleta, no início do seu livro de Eclesiastes trata dessa eterna mesmice:
“...Uma geração vai-se, e outra geração vem, mas a terra permanece para sempre. O sol nasce, e o sol se põe, e corre de volta ao seu lugar donde nasce. O vento vai para o sul, e faz o seu giro vai para o norte; volve-se e revolve-se na sua carreira, e retoma os seus circuitos. Todos os ribeiros vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios correm, para ali continuam a correr. Todas as coisas estão cheias de cansaço; ninguém o pode exprimir: os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir. O que tem sido, isso é o que há de ser; e o que se tem feito, isso se tornará a fazer; nada há que seja novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Veja, isto é novo? Ela já existiu nos séculos que foram antes de nós. Já não há lembrança das gerações passadas; nem das gerações futuras haverá lembrança entre os que virão depois delas...”
Depois de ler isso, após refletir bem, obrigo-me a concordar com Salomão. Portanto, Senhores, lamento dizer, mas tudo é uma mera repetição. Hoje, alguns cinéfilos chamariam de Matrix. Eu nem sei como chamar isso, mas confesso que é bem cansativo essa repetição toda. Podia pegar um jornal de 30 anos e as notícias quem sabia seriam pouco distintas. Então, caro leitor, pense bem antes de se achar o único injustiçado, ou o maior “fera” entre os “feras”...você não é mais, nem menos, é simplesmente igual. Ficou magoadinho? Eu também.
Alexandre Corrêa é Contador Público, graduado em Ciências Contábeis (UFRGS) e Administração de Empresas (UFRGS), e ministra aulas particulares para estudantes de ensino superior.
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E-mail: ac70@bol.com.br
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