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Trapalhadas no Concurso AFRM 2012

Alexandre Corrêa

06.04.2012

Trapalhadas no Concurso AFRM 2012

São preocupantes as últimas notícias acerca do recente concurso para Agente Fiscal da Receita Municipal de Porto Alegre, elaborado pela atrapalhada Banca da Fundação do Ministério Público (FMP). Não bastasse aquela prova de Estatística, que possivelmente tenha eliminado mais de 80% dos candidatos presentes, vem agora a Banca anular 17 questões da prova de conhecimentos específicos atribuindo-se os pontos referentes a essas questões a todos os candidatos presentes.

Em Direito Tributário foram anuladas 13 questões de 20, e 4 de legislação tributária municipal, todas valendo peso 2!!! Há, inclusive, indícios de que tais anulações se deram em razão de plágio. Basta colocar determinada questão em mecanismos de busca para averiguar. É muito fácil. Além disso, há outras questões passíveis de anulação, por outras razões, em Estatística e Português.

Isso muda toda a classificação!!! Para um cargo como AFRM, anular a maioria das questões de Tributário e Legislação Tributária, não colocar questões de Administrativo, “ferrar” em Estatística e Informática… fica estranho. Que tipo de “profissionais”, afinal, a Prefeitura está buscando???

Aliás, meus parabéns à Sra. Alice Grecchi, professora responsável pelas questões de Tributário: deve ter dado Ctrl C, Ctrl V na elaboração de sua prova. Só pode! Nunca presenciei a isso em um concurso público. Será que esqueceram que existe Google??? Honestamente, tais anulações somente vêm a premiar quem não estudou nada de Tributário…

A prova de Português tinha problemas de impressão. Aliás, a professora responsável pela prova de Língua Portuguesa, Irene Katter Hack Tavares, ministrou curso preparatório recente justamente para AFRM, o que é no mínimo antiético.

Realmente, um concurso desse cacife não poderia ter sido contratado mediante dispensa de licitação. É temeroso, afinal, o AFRM é um dos Cargos mais importantes e disputados dentro da esfera pública municipal de Porto Alegre. Sinceramente, eu não creio em má-fé, ou anulações visando benefícios particulares. O que percebo é uma lamentável série de trapalhadas que, no meu entender, vão acabar anulando todo o certame.

Pessoalmente, creio que quem estudou e foi bem nas provas, esse, sim, é o maior prejudicado. Sei bem o que demanda o estudo sério para concursos públicos: tempo, dinheiro, privações. Isso não se recupera. Dois alunos meus possivelmente tenham ficado entre os dez primeiros colocados (em razão de suas excelentes notas), e sofro junto com eles por toda essa bagunça. Não vou citar seus nomes, mas coloco aqui seus depoimentos para mim a respeito dessa prova:

Aluno A:

“… a possibilidade de anularem o concurso todo é bem grande; além disso, é quase impossível que o concurso não tranque um bom tempo no Judiciário. Anularam 17 questões, 13 de tributário e 4 de legislação tributária municipal, pois teriam sido plagiadas de outros concursos (detalhe: acertei as 17). Contudo, outras questões ainda não anuladas já foram encontradas em outras provas. Nem sei o que é melhor para mim agora. Antes das anulações, acho que tinha uns 80% de chance de estar entre os chamados. Agora, acho que a chance caiu para uns 50%, sem considerar a possibilidade de anular tudo e não chamar ninguém. Bom teria sido não anularem nada e o concurso ter andado dentro da normalidade. Do jeito que o concurso se encontra, estou competindo com 13 anulações na minha matéria mais forte, então talvez tivesse chances melhores se fizesse a prova de novo. Por outro lado, tem eleições municipais esse ano. Uma eventual anulação do concurso vai trancá-lo pelo menos até o ano que vem. Sem contar que pode acontecer um overlap desta prova e da RFB. Ou seja, estou esperando para ver o que acontece, não tenho uma opinião formada do que é melhor para mim no momento. Sob outra perspectiva, sendo objetivo, que grande palhaçada heim. Essa banca foi contratada com dispensa de licitação! Não sei se tu chegou a dar uma olhada nas outras provas, mas têm muuuiiiitos erros:

-A prova de português se refere a palavras sublinhadas que não foram de fato sublinhadas.
-A prova de português se refere a palavras que aparecem mais de uma vez no texto, sem especificar qual das vezes está falando.
-A prova de informática apresentou uma dificuldade totalmente desparelha entre info-básica e TI.
-Muitos gabaritos equivocados, tanto na p1 quanto na p2.
-Prova de estatística absurda, muitos desvios acima do conhecimento que deveria ser o exigido.
-Prova de comercial com gabarito contrário à expressa disposição do CC02.
-Prova de constitucional com gabaritos contrários à literalidade da constituição.
-17 questões anuladas de ofício por plágio, enquanto umas outras 8 também foram copiadas e não tiveram o mesmo destino.
-Constava no edital que a redação tinha um mínimo de 15 linhas; no caderno de prova, a proposta de redação expressa 25 linhas como mínimo.
-E, pro fim, o pior: a professora de português responsável pela prova deu um cursinho preparatório específico desse concurso para funcionários da prefeitura
É muito amadorismo, cara.“

Aluno B:

“… por toda a incompetência apresentada pela banca, a partir de agora tudo pode acontecer. Como existem precedentes, mesmo até de instituições mais confiáveis, como a Cespe e a FGV, o candidato precisa colocar tais situações, como a desorganização ou fraude e uma provável anulação, como uma possibilidade e estar preparado emocionalmente para isso. É uma pena, por todo o desgaste emocional e financeiro que passamos ao longo da preparação. Mas fazer o que?! Resta apenas torcer para que tudo dê certo, pois o que eu poderia fazer, eu fiz da melhor maneira possível. Continuarei com os estudos até ser um servidor do fisco!!!”


Alexandre Corrêa é Contador Público, graduado em Ciências Contábeis (UFRGS) e Administração de Empresas (UFRGS), e ministra aulas particulares para estudantes de ensino superior.

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