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PEDOFILIA POLÍTICA E OUTRAS NOTAS

Percival Puggina

12.04.2015

PEDOFILIA POLÍTICA E OUTRAS NOTAS

            O ministro Janine Ribeiro vem sendo saudado como promessa de dias melhores para a Educação nacional. Espero, portanto, que já tenha assistido ao vídeo da audiência da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, promovido pelo movimento Escola sem Partido, sobre Doutrinação Política e Ideológica nas Escolas. O Brasil tem cerca de 2,5 milhões de professores. Quantos desses não incluem entre os deveres de ofício moldar a seu gosto as posições políticas e ideológicas dos alunos? Quantos milhões de crianças e jovens já foram vítimas desse procedimento malicioso, também impresso em enganosos livros didáticos? Inominável abuso de poder que, não raro, ridiculariza convicções familiares de crianças e jovens! Tais práticas precisam ser reprimidas pelo que são: rotinas de pedofilia política, adotadas nacionalmente, em proporções multitudinárias.

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            Para quem gosta de cláusulas pétreas constitucionais, aí vai uma. Ela é tão relevante que os constituintes, ao relacionarem preceitos que não poderiam ser abolidos, puseram-na em primeiríssimo lugar. Refiro-me à forma federativa de Estado. Pois malgrado a primazia, apesar de agasalhados pelo rigor do preceito, Estados e municípios voltaram à condição de súditos de um poder imperial. Viraram baronatos desfigurados pelo absolutismo que a Casa reinante no Palácio do Planalto impõe. Ela age de forma tão desabrida que um de seus mais cobiçados e endinheirados ministérios (creia, leitor!) é o Ministério das ... Cidades! Pode haver algo menos federativo que um Ministério das Cidades?

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            Há no Brasil certo contingente de formadores de opinião identificados como chapa-branca. Montaram tenda de negócios à sombra das tamareiras governamentais e ali prosperam. E há um número bem superior de outros que servem à causa pela causa, discretamente, ardilosamente. Estes, ainda mais do que os primeiros, pavimentaram o caminho do petismo ao poder com a propagação de ideias e bandeiras que multiplicavam o efeito das cartilhas. Foram assim até o dia 26 de outubro passado. Desde o dia 27, quando o cavalo começou a mancar, procuram nova montaria, mas no mesmo cercado ideológico. Prefiro os que permaneceram fieis.

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            Com 12% de aprovação, não é a democracia que sustenta a presidente. É o Estado de Direito. Então pergunto: pode ele servir para proteção do governo que vemos e não para proteger a sociedade do governo? Hoje, quem ficar assistindo pela tevê não estará entregando aos azares as rédeas do país. Estará entregando, junto, a si e aos seus.


Tags: Percival Puggina, política, petralhas, artigo


Percival Puggina é titular do blog www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

e-mail: puggina@puggina.org
Twitter: www.twitter.com/percivalpuggina




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