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O Santo José Alencar.

Carlos Mello

13.04.2011

O Santo José Alencar.

Com a morte do ex-vice José Alencar, atualmente elevado a condição de santo pela mídia nacional devido a sua integridade, honestidade, ótimo caráter, incansável lutador pela vida, etc. Realmente ele tinha uma figura simpática de bom velhinho, político, super religioso e ainda com câncer, tinha tudo que o povão adora ver em um santo, como se lutar contra uma doença transformasse alguém em boa pessoa.

Mas era tudo fachada como convém a todo político. Seria admirável a sua perseverança se ele utilizasse o SUS, que leva seis meses para marcar uma consulta, como milhões de pessoas o fazem, mas com milionárias equipes médicas se locomovendo em aviões e helicópteros qualquer um duraria mais alguns anos.

Como todo católico, ele ressaltava na mídia sua "fé em Deus". Mas não confiava nem um pouco nela, tanto que enquanto rezava, ia a Houston nos EUA, experimentar o que de mais moderno e caro existe.

Os religiosos, como espertamente sabiam de sua situação, não arriscaram lhe profetizar algum fantasioso milagre para sua cura, milagres eles somente predizem para coisas mais tranquilas. É o mesmo que um amputado entrar numa igreja para pedir sua perna de volta, vai ser expulso, pois estes milagres só existiam há muitos séculos atrás, agora sumiram sem explicação.

Este símbolo da honestidade, passou oito anos participando do governo mais corrupto da história brasileira sem ver nada, nunca falou sobre o assunto, o que torna estranha sua honestidade intelectual. Quando falou que o governo Lula foi intransigente com as invasões pelos sem terra, esqueceu completamente que este movimento é alimentado com dinheiro público pelo governo da qual participava. Somente teve razão quando a sua fazenda no norte de Minas foi invadida, neste caso os invasores foram expulsos rapidamente, uma “coincidência”.

A sua lamentação e crítica sobre os juros altos, sem aprofundamento e sem alguma sugestão, foi uma jogada ensaiada com objetivo de apresentar o governo como preocupado nesta questão, por isto não resolveu absolutamente nada, ele tinha influência zero no rumo da economia. Teria sido coerente com o discurso se tivesse saído quando descobriu que o próprio governo é quem eleva os juros através do aumento da dívida interna causado pelos contínuos aumentos dos gastos e que não tinham a menor intenção de diminuir.

Este grande homem que o País perdeu, foi eleito em 1998 para o Senado devido exclusivamente ao seu poder econômico, ou seja, perseguiu um perfil de político de baixo clero.

Quando foi guindado ao Ministério da Defesa, a sua empresa, a Coteminas, se tornou a maior fornecedora de uniformes para o Exército brasileiro. Coincidência? Sim, a mesma que revelou o filho do Lula como um milagroso gênio financeiro, que também, por coincidência, ocorreu exatamente durante o governo do papai Lula.

Mas este herói inventado mostrou seu verdadeiro caráter quando foi exageradamente grosseiro ao classificar de prostituta a enfermeira Francisca Nicolina de Morais, a mãe da pessoa que afirma ser sua filha, a professora (FDP conforme o pai) Rosemary de Moraes, insinuando que era prostituta.

Prostituta??? Uma prostituta que passou toda a vida provavelmente com dificuldades sabendo que o pai de sua filha era um milionário e NUNCA lhe pediu nada, NUNCA fez qualquer comentário que o prejudicasse e nem o procurou para assumir a paternidade como qualquer “Maria Chuteira” faria no primeiro mês de gravidez. Esta mulher criou, e muito bem, sua filha sozinha e somente pouco tempo antes de morrer ela contou que o “honrado” José Alencar era seu pai. Rosemary estava então com 42 anos, hoje ela tem 56.

Foi com a sua alardeada conduta de católico fervoroso que contratou advogados muito bem pagos para blindá-lo de um processo de paternidade e fazê-lo tramitar em segredo de justiça, comportamento muito cômodo para quem queria manter uma imagem de herói nacional, mas que agiu como canalhaao se negar a fazer um teste de paternidade.

 

Com todo político que morre, deixa a sensação de alivio, combinando com o ditado: Já vai tarde.
 


Tags: santo, José Alencar


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




Opinião do internauta

  • Simone Marconato (21.04.2011 | 18.58)
    Finalmente, alguém teve coragem para falar a verdade sobre o "santo" José Alencar. Parabéns para Carlos Mello.
  • Lorena Pereira (14.04.2011 | 11.12)
    É pensar pequeno demais, classificar um governo reconhecido mundialmente como o mais corrupto. O Sr. Carlos Mello ao mesmo tempo que critica o endeusamento do Vice Presidente, faz o mesmo com a mãe da suposta filha dele, ou seja, em suas palavras tenta endeusa-la. Dizer que uma pessoa de fé não deva buscar recurso é de um absurdo infantil, alem de não entender nada sobre o movimento dos Sem Terra.
  • Maria Gourgues (13.04.2011 | 18.23)
    Adorei isto. Muito bom, vai contra esta comoção exagerada e sem sentido pela morte deste machista. Até não entendi onde foram parar as feministas que por muito menos faziam até passeatas quando se achavam ofendidas. Acho que ficaram velhas junto com seus ideais.
  • Roberto Henry Ebelt (13.04.2011 | 10.20)
    Caro Ricardo, Onde é que estava escondido este Carlos Mello? Esse sujeito não tem papas na língua (melhor, nos dedos). Não sou ateu como ele afirma ser, mas não dá para negar que seus artigos são excelentes. Parabéns para ti e para o Carlos Mello. Roberto Henry Ebelt.
  • Vanda Tyski (13.04.2011 | 00.22)
    Grande Carlos Mello!!!! Enfim, consegui ler algo verdadeiro a respeito daquele senhor, o qual, não entendo porque, querem santificar.
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    Roberto! O Mello faz parte do meu pensamento eclético que devo dar ao site. Posso não concordar com tudo que ele e os outros colunistas escrevem, mas defendo a total liberdade de expressão. O contraditório é salutar, pois toda a unanimidade é burra.

    Um elogio como este vindo do grande professor Henry, do qual fui aluno há uns 30 anos atrás no Pré Vestibular Mauá, é realmente especial. Obrigado. Carlos Mello.

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