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Spams religiosos

Carlos Mello

20.04.2011

Spams religiosos

A internet é a forma mais democrática de comunicação, tem tudo de bom e ruim à disposição. Como é um sistema que exige ser no mínimo alfabetizado, se presume que sua utilização seja feita por pessoas educadas. Mas não é assim, existe uma deseducação por parte de uma minoria que incomoda a todos (como sempre).

Spams, ou mensagens não autorizadas, são utilizadas para enviar propagandas, vírus ou roubar informações, em outras palavras, é o “lixo eletrônico”. Uma regra básica da internet reza que não se deve enviar mensagens para quem não forneceu o endereço para isto, é uma questão de respeito e educação básica. Mas mesmo a quem é fornecido o endereço, como os amigos, deveria prevalecer o bom senso, pois as mensagens deveriam ser enviadas considerando sempre o gosto de quem vai receber, daria para citar centenas de exemplos absurdos.

De todos os spams, os mais interessantes são os religiosos, normalmente montagens feitas no PowerPoint que invariavelmente terminam pedindo para repassar ao maior número de pessoas possível, é o mesmo que pedir que sejam tão mal educados como quem enviou. Se spams fosse considerado pecado talvez diminuísse sua quantidade. O curioso é a diferença de concepção do crente em relação ao que eles consideram um dever divino de impor a palavra de Deus, do seu Deus é claro.

Quando se recebe um spam comercial, daqueles que oferecem desde aumento do pênis até como ficar maravilhosa em algumas horas, se respondermos que seu produto não é bom, que não interessa e que é uma propaganda enganosa, o remetente não vai estar preocupado com nossa opinião. Mas quando se responde ou se envia outro a um sectário mostrando as infantilidades contidas nas mensagens enviadas é como se tivesse cutucado num vespeiro. A primeira coisa que alegam é que se deve respeitar a sua religião, dizem isto com a mesma entonação de um muçulmano apedrejando a esposa ou um índio asteca sacrificando uma virgem. Respeito para com sua religião. Esquecem que esta consideração tem que ser bilateral.

Estas mensagens geralmente com forte apelo visual, discursos até coerentes com o que acreditam, fotos bonitas e invariavelmente ameaças do inferno e quase sempre com algo que lembre sangue (as religiões adoram isto), não possuem consistência lógica, por isto não resistem à mínima crítica. São enviadas normalmente por amigos dominados por alguma crendice e que não se dão conta de que estão fazendo proselitismo, e quando recebem alguma mostrando um outro ponto de vista levam um choque, pois eles pensam que todos deveriam ter a mesma fé que a sua. Não é nenhuma falta de educação, usando o princípio da reciprocidade, também enviar uma mostrando as infantilidades ridículas das mensagens recebidas.

Intrigante é que estas pessoas, que se consideram fazedoras do bem, no trabalho e em casa, aceitam qualquer assunto, discutem de forma racional pontos de vista contrários e diante de evidências de erros mudam de opinião. Mas isto em qualquer assunto que não seja sua religião, neste tema elas não admitem qualquer questionamento, aprenderam assim e não vêem razão para mudar. Quando são questionadas sobre absurdos tão infantis como cobra falante enganando uma pessoa feita de barro, caminhar sobre as águas, estátuas chorando, virgem tendo filho, etc; elas simplesmente terminam a discussão com uma saída nada inteligente como: “Eu acredito em pronto”. É uma demonstração de insegurança no assunto que querem acreditar sem raciocinar, e qualquer idéia contrária é perigosa, consideram heresia e precisa ser evitada, pois poderia abalar uma fé cega (tem que ser cega mesmo) baseada em antiguíssimas idéias pré-concebidas.
 


Tags: Carlos Mello, artigo


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




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