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Monarquia - O Carnaval permanente do século XXI.

Carlos Mello

04.05.2011

Monarquia - O Carnaval permanente do século XXI.

Este artigo não tem nenhuma relação com alguma dúvida de que nossa república esteja em perigo, mas sim pelo inexplicável deslumbramento demonstrado pela imprensa nacional para com a ridícula festa de casamento de um príncipe em Londres.

Monarquia é um sistema derivado dos chefes das tribos. É uma forma de governo antiga. República também não é um sistema novo, desde a Grécia antiga já a utilizava. O senado romano desde 500 AC tinha as atividades executivas exercidas pelos cônsules e pelos tribunos da plebe. A principal diferença é sua filosofia de classificar as pessoas.

A república entende que todos têm os mesmos direitos e deve prevalecer a meritocracia, ou seja, tem a vantagem de ser igualitária e dar voz ao povo na escolha de alguém do seu grupo para liderá-lo. Claro que não é perfeita, na teoria está correta em dar a chance para qualquer um ser escolhido, mesmo que não tenha as mínimas condições, como ocorreu com o nosso último presidente. Além disto existe a corrupção das pessoas alojadas no poder, os altos funcionários públicos e as corporações que funcionam como classes de nobres ao privatizarem os órgãos públicos para seus benefícios, sustentados pelo povão ignorante. Mas isto temos condições de consertar com os próprios meios que a República oferece.

A República, atualmente tem um vício semelhante, no nível macro, são sempre os mesmos que estão no topo da pirâmide social. O correto é que exista mais alternância quando se trata de governo e coisa pública em geral. Mas é um defeito que com o aumento do nível cultural, vai fazer com que as pessoas escolham melhor, e assim vai se aperfeiçoando cada vez mais.

No nível micro não existe qualquer erro que as empresas passem de pai para filho, neste nível, diferente do macro, é natural.

O sistema mais romântico seria a anarquia, mas, em nenhuma população do mundo existiria civismo para manter uma auto-gestão necessária para sustentar tal instituição. Então esta fica só no campo da teoria imaginária.

A Monarquia é injusta, porque tem como princípio perpetuar a desigualdade, inscreve o povo num antiquado sistema de castas eternas baseadas na hereditariedade, em que uns nascem barões e outros plebeus, a nobreza é humilhante para os plebeus porque serão sempre inferiores aos pertencentes à nobreza, até a cor do sangue eles alterariam se pudessem.

Os bobos da corte, admiradores da monarquia, são ou muito mal informados ou desonestos. Eles apontam alguns países europeus para tentar justificar um sistema ultrapassado, mas não esclarecem que exatamente nestes países estas realezas são somente parasitas, sustentados por povos com bom nível cultural, mas inexplicavelmente parvos em relação à humilhação de se ajoelharem para majestades reais, que não servem para absolutamente nada e não tem poder algum. Espertamente ocultam lugares onde existem monarquias com autoridade de governo como Arábia Saudita, Butão, Tuvalu, Nepal, Marrocos, Jordânia, Suazilândia, etc. Onde povos apatetados e oprimidos ainda estão sob a égide de um sistema medieval, onde monarcas se consideram donos destes países e das pessoas.

Os piores e mais atrasados regimes de esquerda são exatamente os que imitam as monarquias, com direito a hereditariedade e tudo, por exemplo: Cuba, Coréia do Norte, Líbia e Síria.

Pode-se alegar que no capitalismo isto também ocorre, mas não como filosofia de estado, neste sistema é buscada a mobilidade entre as classes, e isto é bem possível.

Aqui no 3º mundo, temos o carnaval, que é uma festa popular onde predomina a chinelagem intelectual, mas compreensível devido ao nível do povão que adora a barulheira (alguns dizem que é música) característica destes eventos. Então as estranhas fantasias fazem parte da festa e até trazem turistas para assistirem a esta Festa do Ridículo. Mas este gosto espalhafatoso foi batido de longe pelos seres superiores da realeza presentes na festa de casamento em Londres. A diferença para a nossa festa popular é que as fotos destes seres esplendorosos mostram pessoas de boa cepa, dentes bonitos, pele perfeita. Mas o mau gosto nas cabeças é de fazer inveja a qualquer carnavalesco, Lady Gaga ou o velho Chacrinha.

Isto mostra que dinheiro não compra bom gosto ou senso de ridículo.


 
É difícil entender uma nação como a Inglaterra, em pleno século 21, que ainda referencie e sustentem uma ridícula monarquia completamente inútil e cara, onde a única função de um nobre é esperar alguém morrer ou abdicar.

Parece que mais da metade dos ingleses são contra serem cordeirinhos de uma realeza. O conhecido cantor Steven Patrick Morrissey se manifestou assim quando perguntado se assistiria ao casamento real: “Por que eu assistiria? Não conseguiria levar nada daquilo a sério. Não acho que a tão falada família real representa a Inglaterra hoje e não acho que o país precisa deles. Realmente acho que eles são parasitas de benefícios e mais nada”, atacou o cantor, completando que embora a imprensa do lado de fora do Palácio de Buckingham diga ao mundo que o povo inglês ama a família real, na verdade não é bem assim: “Saia agora e fale com o pessoal na rua e eles vão rir de vocês. Eles realmente vão!”

Até aqui no Brasil do século XX existiam alguns tolos, representantes da decrepitude, que defendiam a instalação de uma monarquia, que quando existia fez quase nada de bom. Pode-se afirmar que manteve a unidade do País, mas foi bom para quem? Para nós gaúchos foi uma lástima, por conta disto estamos amarrados ao gigantismo parasitário com tendência cada vez mais ao subdesenvolvimento. Enquanto Dom Pedro II caçava borboletas e brincava de telégrafo os norte americanos montavam ferrovias e construíam o maior parque industrial do continente, indo em direção ao futuro de ser a maior potencia do planeta.

Definitivamente não é um sistema defendido por pessoas inteligentes. É um produto com cheiro de mofo, que deve ficar no passado, assim como as religiões, as crendices, a escravidão, os museus, as perucas dos magistrados britânicos, os trajes do papa e da academia brasileira de letras, os costumes dos povos indígenas, etc. Seria uma imensa lista amarelada pela nostalgia de um tempo que se foi e deveria estar enterrado para sempre. Se for para investirmos em algum tempo, que seja no futuro e nunca no passado.

Por isto o mais inteligente é ter um governante questionável a liderar uma população, porque conseguiu convencer a massa ignorante que seria a melhor opção, do que ter um Inquestionável, só porque nasceu nobre e sem opção de mudar.
 


Carlos Mello é economista formado pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: fazpensar@mello.com.br
Home Page: www.mello.com.br
Telefone: (51) 9113-2232



Opinião do internauta

  • Carlos Mello (07.05.2011 | 13.19)
    Réplica à opinião de Roberto Henry: Amigo Henry, o Molusco cefalópode foi um acidente. Um ParTido aproveitou a popularidade de um esperto junto à população imbecilizada e emplacou duas vezes. Agora vai melhorar, na próxima poderá ser o Tiririca. Quanto ao Parlamentarismo, seria ótimo SE NÃO FOSSE o seguinte: Um voto de um nordestino vale até 40 votos de um sulista. Assim um parlamentarismo seria impossível para nós. E corrigir isto só com uma revolução. Mas uma de verdade, essa de 64 foi uma revoltinha.
  • Beto Muller (06.05.2011 | 13.14)
    Enquanto Dom Pedro II caçava borboletas os norte americanos iam em direção de serem a primeira potencia deste planeta. PERFEITO! Faltou dizer: E nós indo em direção ao terceiro mundo.
  • Roberto Henry Ebelt (06.05.2011 | 08.54)
    Caro Mello, Concordo que os inglese exageraram e romperam os limites do bom senso por ocasião do casamento de Kate e William, mas eu me sentiria bem melhor em ser representado no exterior por Elizabeth II, pelo Prince of Walles, ou até mesmo por William do que por um deslumbrado molusco cefalópode. Sem discordar de ti, mas apenas acrescentando, enquanto continuarmos a copiar as babaquices dos americanos, tais como o sistema presidencialista, dificilmente sairemos deste mar de excrementos em que nos encontramos há quase dez anos. Parlamentaraismo já. Nova Constituição imediatamente e sem cláusulas pétreas. Roberto
  • Maria Gourgues (04.05.2011 | 09.43)
    O texto sobre a babaquice da imprensa esta ótimo. Adorei as fotos dos horriveis enfeites da nobreza. Engraçado os ingleses, e outros, se humilharem como plebeus para uma monarquia ultrapassada. Servem para que? Mas se lese gostam, bom proveito.
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