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Viajar é preciso - Patagônia.

Carlos Mello

08.06.2011

Viajar é preciso - Patagônia.

Na vida existem vários tipos de prazeres que se pode usufruir, de todos, viajar sempre é um dos principais se não é o principal, pois nenhum outro prazer se planeja com tanta antecedência, as vezes por anos, se sonha com ele, tudo é fotografado, e tem quem passe anos contando sobre uma viagem realizada. A magia de viajar é porque tudo sai da rotina: O clima; Os horários; Lugares; Culturas; Visuais; Idiomas; Pessoas; Ou seja, tudo é diferente e prazeroso. É viver um sonho na prática. Não existe coisa que marque mais a nossa memória do que fazermos uma viagem.

Não precisa ser longa e cara, as vezes ir passar um final de semana fora, só pelo fato de sair de casa e respirar outros ares já é motivo para se sentir melhor. Eu resumiria afirmando que viajar é buscar o máximo da qualidade de vida.

Aqui vai uma sugestão de viagem maravilhosa que realizei no verão de 2010 por um dos lugares mais lindos do mundo, e importante: Aqui ao lado. Me refiro a uma parte da Patagonia.
Proposta: Ir rodando de Porto Alegre, atravessar o pampa uruguaio, e argentino em direção a Cordilheira dos Andes, descer de Santiago do Chile até o Sul e voltar pela região dos lagos da Patagonia Argentina.
Tempo estimado de 12 a 20 dias. (levamos 17 dias).

Primeira coisa em qualquer viagem: Planejar. Pode até ser uma coisa bem básica, mas sem ter uma idéia do que se pretende pode terminar em custos e imprevistos desnecessários.

Pesquisei na internet procurando informações de quem já tinha passado por estes lugares e me preparei para tudo que informaram ser obrigatório, fora uma revisão geral no veículo, afinal seria pelo menos uns 7000 Km rodando em desertos de 40 graus até lugares com zero grau.

Itens obrigatórios exigidos:
- Seguro MERCOSUL (Carta verde);
- Retirar quebra-mato e engate para reboque;
- Cabo de aço para rebocar algum veículo;
- Lençol branco para carregar acidentado (não é piada)
- Dois triângulos de sinalização;
- Estojo de primeiros socorros.
- Carteira Internacional de Motorista;
Além disto levei também GPS e Mapa rodoviário.

Filosofia básica: Viajar sempre de dia e sem compromisso de hora para chegar a qualquer lugar. Parar sempre que achar bom, por qualquer motivo como tirar fotos, olhar uma paisagem, brigar, virar cambalhota, etc. Afinal é para passear e não stressar. O que inclui não ter hora para sair ou chegar em qualquer lugar.

Viajantes: Eu, minha esposa, nossa filha de 15 anos e uma amiga da mesma idade.
Veículo: Camionete Blazer a diesel

1º Dia: Saímos de Porto Alegre em direção a Santana do Livramento/Rivera.
Só em sair para viajar o astral vai ao máximo, parece que só existe felicidade no mundo. É uma coisa mágica olhar no retrovisor e ver a cidade ficando para trás.
Até Rivera, são 500 Km já conhecidos. Nos hospedamos em Rivera no lugar que sempre ficamos, o Hotel Casablanca. As mulheres foram às compras e eu aproveitei e troquei os quatro pneus da camionete (35% menos do que no País mais caro do mundo: Brasil).

2º dia: De Rivera saímos em direção a Taquarembó (100 Km) pela ruta 5. A Aduana (Alfândega) uruguaia fica há uns seis Km de Rivera, pedem os documentos, carimbam, etc, mas sem stress, foram rápidos e atenciosos, como sempre. Passamos por Taquarembó e viramos para oeste, pela ruta 26, para cidade de Paysandu (150 Km), já na fronteira do Uruguai com a Argentina.
O Pampa uruguaio parece uma paisagem sem fronteiras, com pouquíssimas residências, é um deserto, sem qualquer morro, quase sem árvores, são pouquíssimos postos de combustível no caminho. A temperatura no verão fica próximo dos 40 graus. Além disto no Uruguai, assim como no Chile e Argentina, tem a bobagem de ser obrigatório andar com os faróis ligados de dia, que além do ar condicionado, que é impensável não estar sempre ligado, faz com que o sistema elétrico e de arrefecimento do veículo fique sendo exigido ao máximo.

Pra quem sai de Porto Alegre, a paisagem logo fica plana, característica dos pampas, sem montanhas, e segue assim até a Cordilheira dos Andes, o que muda é a cor da vegetação, aqui no RS predomina o verde vivo, na parte Uruguai é um verde mais claro e raro, árvores somente nas áreas de fazendas.

As estradas uruguaias, para o lado oeste, não tem pedágios, e são muito boas, bem melhores que as brasileiras.

O combustível também é mais barato e, para quem usa nossa gasolina, o carro periga engasgar devido não estar acostumado com gasolina de verdade. O transito é muito pouco, se tem a impressão de estar num mundo desabitado. Não existem turistas brasileiros nesta parte do Uruguai.

A tarde chegamos em Paysandu e resolvemos atravessar logo a fronteira, foi um grande acerto, porque a BURROcracia argentina é um horror, fila enorme, cheio de exigências, um pessoal sem vontade, dá a impressão de mal organizado. Depois de quase três horas em filas conseguimos entrar na ponte para a cidade de Colon.

Uma curiosidade: Quando a Argentina e Uruguai ficam “de mal” a primeira coisa que eles fazem é fechar esta ponte, se prejudicam sempre, mas a birra diplomática sempre acontece nela.

Engraçado é que quando chegamos ao hotel, a minha esposa, que viveu dos 2 até os 20 anos na argentina, portanto fala perfeitamente o espanhol, foi negociar as diárias. Depois de acertado, quando abrimos a boca, o pessoal da portaria ficou surpreso e falou “pensamos que ustedes eran argentinos”. Dali pra frente era só ela quem combinava os preços. Pois achamos que de brasileiros o preço seria outro.

3º Dia: De Colon (já em território argentino) fomos em direção a Paraná (280 Km), atravessamos a Ponte subfluvial entre as cidades de Paraná e Santa Fé. Então resolvemos andar mais 320 Km e pararmos em Córdoba.

Poucas pessoas sabem que entre estas duas cidades (Paraná e Santa Fé) estão ligadas por um túnel Subfluvial, passa por baixo do rio Paraná. Não é necessário ir a Europa para ver este tipo de tecnologia, o nosso vizinho tem esta sofisticada obra de engenharia com 3 Km de extensão.

O que chama atenção em Santa Fé é que as margens do rio Paraná são verdadeiros balneários, como as nossas praias, com guarda-sóis, lanchas, mulheres de biquíni, barzinhos, etc. A diferença é que o rio Paraná tem as águas escuras. Por isto fica fácil de entender porque os argentinos adoram as praias brasileiras.

As estradas argentinas são muito boas, todas tem pedágio. A gasolina é muuuuito melhor que a nossa, os combustíveis custam a metade do preço da nossa querida Petrobras.
A paisagem fora das cidades é de sertão, muito quente e seca.

Como já estava escurecendo quando chegamos em Córdoba, procuramos logo um hotel que tivesse estacionamento e wireless, ficamos no hotel Interplaza, bem no centro.

4º Dia: No outro dia, passeios e almoçamos cedo em um bar de calçada. Córdoba é a segunda maior cidade argentina com 1.300.000 habitantes, é encantadora, com centenas de hotéis, ruas arborizadas, limpas, restaurantes de primeira linha e uma tradição deles: Bares nas calçadas. Apesar de ser no pampa argentino, esta cidade tem vários morros próximos.

De Córdoba fomos direto a Mendoza pela rota que cruza as cidades de Rio Quarto e San Luis. São 680 Km, estrada boa em todo o trecho, mas com trânsito intenso de caminhões.

A paisagem continua de deserto. Carros de brasileiro são raros, mas se via alguns caminhões de carga com placas do Brasil.

Como nós paramos para tudo que achava interessante, chegamos em Mendoza já anoitecendo, como eu planejara, pois queria surpreender o dia seguinte para a visão dos Andes, fomos direto procurar um hotel, ficamos no pequeno, central e ótimo Hotel Villaggio.
Mendoza está a 750 metros acima do nível do mar, é a quinta maior cidade argentina, com 130 mil habitantes. É a capital da produção de vinhos e azeites de oliva. Tem uma ótima estrutura para turismo, teria que ficar alguns dias para aproveitar as cavalgadas, visitas a vinhedos, etc.

Além disto, Mendoza é uma cidade linda e limpa, o povo é educado, bonito, bem vestido, isto tudo dá uma satisfação extra.

Saímos a pé, jantamos, passeamos pelas ruas centrais, pois tudo é diferente, então fomos dormir com aquele maravilhoso cansaço de quem está viajando e com gosto de “amanhã tem mais”. E como teria.

5º Dia: Acordamos e fomos direto a Plaza San Martin, a principal da cidade, é maravilhosa.
Mas a minha intenção era ver a surpresa das gurias quando vissem ao longe, o imenso paredão da cordilheira dos Andes. Para quem vê pela primeira vez é um choque maravilhoso e para quem já conhece é sempre deslumbrante. A cordilheira inicia a 20Km do centro da cidade e os picos nevados estão a 50 km, mas perfeitamente visíveis.

Com os olhos voltados para as imensas montanhas da Cordilheira e expectativa das surpresas que nos esperavam, fomos logo para a estrada.
De Mendoza a Santiago são 360 Km, mas tem que ser rodado devagar porque cada Km deve ser aproveitado ao máximo, tudo é diferente, lindo e surpreendente. Avisei que se preparassem porque sairíamos de um calor intenso de um deserto para um frio e ventos fortes, característicos dos Andes. As gurias não acreditaram, para elas era inimaginável existir algum lugar frio neste lado do mundo em fevereiro.

Até aqui estamos no 5º dia (quatro noites), rodamos 2.300 Km. Gasto R$ 2.800,00. tiradas 1.500 fotos. Medidor de felicidade 100%

E a melhor parte estava recém iniciando. Aconcágua, Santiago, Valparaiso, Vina Del Mar ...

Continua.
 


Tags: Carlos Mello, artigo


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




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