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Viajar é preciso.  Patagônia continuação.

Carlos Mello

15.06.2011

Viajar é preciso. Patagônia continuação.

5º Dia em diante: Vou parar de falar por dias de viagem para poder sintetizar mais e não tornar o relato muito chato.

De Mendoza, a melhor saída é descer ao sul uns 30 Km e pegar a direita a ruta 7.

Saindo de Mendoza, logo que entramos na estrada, uma patrulha policial nos parou, perguntaram quantos triângulos eu trazia, respondi dois, então pediram para mostrar, como sabia que a corrupção da policia é parecida com a dos nossos políticos, liguei meu gravador digital escondido e fiquei só esperando. Mas não me pediram nada, foi uma pena, porque estava preparado para isto. Me multaram porque estava sem os faróis ligados (eu tinha esquecido) e “perdoaram” as gurias porque não estavam usando o cinto no banco de trás. Avisaram-me que teria que pagar a multa na fronteira senão não sairia da Argentina.

Apesar de se estar subindo uma cadeia de montanhas, a ruta 7, é feita de retas, e em quase sua totalidade segue o leito do rio mendoza.

Seguimos até Uspalatta, 120Km de Mendoza, cidade onde foi filmado o filme “Sete anos no Tibet”. Mais uns 80Km de Uspallata e a uns 25 Km antes da fronteira com o Chile, tem uma parada obrigatória, é o Parque Nacional do Aconcágua, o “teto das Américas” onde se pode vislumbrar o majestoso Pico do Aconcágua com seus 6962 metros. Se for a primeira saída do carro desde Mendoza, é inevitável um verdadeiro choque térmico, pois é muito frio e bastante ventoso. Se a viagem terminasse aqui já teria valido a pena, a vista é exageradamente linda. As gurias resolveram sair correndo e por causa disto todos levamos um susto, pois pareciam que estavam morrendo com a falta de ar. Acontece que nesta altitude (estávamos a 3.200 metros), o ar é muito rarefeito e qualquer esforço físico vem com um cansaço repentino. Aprendemos na prática. Descobrimos que é comum pessoas a até animais domésticos desmaiarem por ali. Eles tem até um mini posto médico para atender aos fiasquentos.

Curiosidade: Encontrei um casal de Florianópolis, ele tinha uns 50 e ela uns 45 anos, com uma moto de 250 cc, que estavam retornando de Santiago. Me disseram que há anos sonhavam em fazer esta viagem e então resolveram fazer com o que tinham, estavam felicíssimos em estarem na estrada. Apesar da pouca cilindrada da moto para duas pessoas e carga, tudo tinha transcorrido perfeitamente.

Logo a seguir se chega ao “Complejo fronterizo Los Libertadores”, fronteira da Argentina com o Chile. Mesmo sendo integrado, ou seja, no mesmo pavilhão se faz a saída de um país e a entrada no outro, se perde pelo menos uma hora. Os argentinos sempre são mais complicado e chatos. No Chile não se pode entra com nada de frutas, presunto, carne, queijo, etc. Também lá só aceitam a carteira internacional de habilitação. Nós já sabíamos destas exigências, senão certamente teríamos problemas.

 

Ao passar 3 Km da fronteira se pega dois trechos de estrada que está entre os mais bizarros do planeta, são uns 8 Km de zig zag que lembra as curvas da Serra do Rio do Rastro, em SC, mas ali só tem pedras. Este trecho é conhecido como “Los Caracoles”, sem duvida que única no mundo. Como já sabia desse trecho, segui uma dica, esperei até poder ir sem ficar atrás de algum caminhão, senão é tortura certa, pois eles descem a 10 ou 15 Km/h, quando não entalam em algum ponto.

No Chile a estrada não é mais tão reta quanto no lado argentino, mas continua ótima, da fronteira se roda mais uns 70 Km, se dobra à esquerda um pouco antes de “Los Andes”, onde desaparece a companhia do rio ao lado da estrada que nos acompanhava desde Mendoza. Também vimos as primeiras árvores desde que saímos de Mendoza, pois em toda a estada da Cordilheira não existe sequer uma árvore, quando tem alguma vegetação, é pouca e rasteira, o vento, neve e frio constante não deixa nada crescer por lá.

Mais uns 80 Km e se chega à capital chilena.

Santiago tem uma população de quase 6 milhões de habitantes, isto é quase 40% da população total do Chile, pra quem chega de carro lembra São Paulo, com todas as características de cidade grande, mas é bem mais cuidada em comparação às nossas metrópoles.

De todas as atrações desta metrópole a que acho mais bonita é o horizonte, pois olhando para o leste se tem uma visão incrível da Cordilheira dos Andes com seus picos nevados mesmo em pleno verão, é mais uma visão inesquecível.

Para se conhecer todas as atrações desta cidade tem que se ficar pelo menos uma semana. Ficamos dois dias.

Um detalhe marcante: A policia chilena é muito agradável, no Palácio La Moneda chegaram a fazer os cachorros da guarda posarem para fotos, em outro local as policiais, com uniformes impecáveis chegaram a abraçar-nos para tirar fotos. Coisa rara em se tratando de polícias, principalmente na nossa América.

A 120 Km de Santiago tem o balneário de Valparaiso. Não tem nada de especial, na verdade é um porto que virou balneário. São casas na maioria velhas. Praticamente não tem praias. Tem um mercado publico de rua sem nada de especial, fora as frutas. Neste item o Chile deve ter as melhores frutas do mundo. Mas no geral é um típico lugar para povão, com farofeiros nas poucas praias, muita bebida, música de baixa qualidade alta, etc. Aliás em matéria de praias, comparadas com as deles, nós estamos muito melhor.

Vina del Mar, fica ao lado, este balneário é de um nível bem melhor que a vizinha Valparaiso, é tudo mais caro também, tem bons hotéis e restaurantes. Mas praias não é o ponto forte do Chile, se for para ir a praia é melhor não sair do Brasil.

Um atrativo diferente foi no balneário de Algarrobo, fica a 100 Km de Santiago. Ali tem simplesmente a maior piscina do mundo, tem 1 Km (não é engano não, tem 1.000 metros mesmo) de comprimento. Neste Resort só aceitavam hospedagem para no mínimo cinco dias, então não ficamos, mas a vista do piscinão é incrível. Em parte já é para compensar o mar deles. Fora o atrativo do tamanho da piscina, praia nenhuma naquela parte do Oceano Pacífico vale a pena. Na verdade o melhor kilometro de praia no Chile é o piscinão de Algarrobo.

Outra coisa ruim nestes balneários é o trânsito, exageradamente intenso, engarrafamento em Valparaiso, Vina Del Mar e Algarrobo parece São Paulo em final de tarde.

Voltamos para a estrada em direção ao sul.

A ruta 5 chilena, também conhecida como Panamericana, que vai de Santiago até Puerto Montt, tem uns 1.100 Km é uma estrada de primeiro mundo, perfeita, pedagiada a cada 50 Km ou a cada saída para alguma cidade no caminho, que é a coisa mais justa que existe, porque desta forma se paga proporcional ao trecho percorrido e não como aqui no RS que se quiser ir até Águas Claras (ao lado Viamão), por exemplo, se paga mesmo de quem vai até Cidreira. Até as árvores da estrada sabem que está errado e injusto, só o governo que não sabe.

Esta ruta 5, é um passeio maravilhoso, além da segurança da estrada, passa pelas lindas cidadezinhas de Chillan, Los Angeles, Temuco, Osorno e finalmente Puerto Montt. Todas com restaurantes simples e maravilhosos, onde as frutas são uma atração extra, além de bonitas são muito deliciosas. Várias vezes “almoçamos” somente frutas.
Mas o mais prazeroso desta estrada era dirigir e olhar a esquerda as montanhas nevadas da cordilheira em todo o percurso.

A visão mais bonita nesta estrada acontece a 1.000 Km de Santiago, é o maravilhoso vulcão Ozorno, que se enxerga logo depois da cidadezinha com o mesmo nome, não tem como não estacionar e ficar admirando um pouco, parece uma miragem de tão lindo. Avisei a minha caravaninha que iríamos lá em cima daquele vulcão.

Se a viagem dali para frente ficasse ruim, já teria sido lucro. Mas não, estávamos entrando na fantástica região dos lagos andinos, onde cada Km é indescritível, pelo menos para mim, transmitir a emoção da beleza das paisagens.

Alertado por um amigo, colega de clube, fomos dormir na cidade de Puerto Varas, já estava anoitecendo, escolhemos uma pousada na beira do imenso lago Llanquiue.

Se eu acreditasse em Deus, escolheria esta cidade como representante do Paraíso na terra. Porque acordar de manhã e ter a visão do imenso e maravilhoso lago Llanquiue com o vulcão Ozorno ao fundo, tem que estar com o coração em forma para a emoção. Quem conhece sabe do que estou me referindo, ficamos alguns segundos paralisados com a visão antes que se pudesse falar alguma coisa.

Eu não tenho por hábito escrever em capítulos, como as novelas, mas não tive capacidade de descrever esta viagem em uma única crônica.

No último, semana que vem, tem a subida no vulcão Ozorno, os fantásticos lagos andinos, a travessia para a Argentina novamente e a chegada a Bariloche. Dali inicia o retorno pelo quente deserto argentino através das cidades de Neuquen, Bahia Blanca e Buenos Aires. Depois Colônia Del Sacramento, Montevidéu e Punta Del Este, entrando no Brasil por Chuí.

 


Tags: Carlos Mello, artigo


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




Opinião do internauta

  • Carlos Mello (14.07.2011 | 13.50)
    Já respondi diretamente ao Alberto, mas para não parecer desatenção, respondo aqui também. Não paguei a multa recebida na saida de Mendoza, nem me foi cobrado nas duas vezes que saí da Argentina, uma pelos Andes e outra por Buenos Aires.
  • Alberto Muller (15.06.2011 | 11.54)
    Muito boa a descrição desta viagem. Vou esperar concluir para perguntar alguns detalhes de custos, hotéis, moedas. Tenho muita vontade de fazer também. Se não for incômodo. E a multa da Argentina pagou na fronteira?
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