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O Eufemismo Religioso.

Carlos Mello

29.06.2011

O Eufemismo Religioso.

Apesar de a humanidade ter evoluído bastante e o nível de instrução média das populações serem muito superior ao de séculos atrás, uma grande parte ainda coexiste com lendas e crendices totalmente infundadas, como se fossem verdades. Logicamente que proporcional ao nível cultural de cada sociedade, é só observar a distribuição das religiões num mapa mundi.

A sobrevivência destas crenças é devida principalmente à falta de um mínimo de pensamento crítico dos crentes e por consequência desta falta de pensar, o seguimento das absurdas estórias existentes nos seus livros científicos sagrados. Dentro desta filosofia de manter uma hegemonia da “sua verdade”, a bíblia é um verdadeiro camaleão, quando por seus dogmas não deveria ter qualquer alteração.

Com o passar do tempo, mesmo para as mentes mais primárias, alguns destes contos ficam exageradamente ridículos, então, sem alternativa de cair muito na chacota dos próprios católicos, a bíblia é sigilosamente alterada, inclusive textualmente, tentando esconder as passagens mais hilariantes.

Os “cordeiros de Jesus” são insensíveis a estas modificações porque não a lêem e se o fazem ficam restritos ao que lhes é espertamente indicado e regiamente obedecido.
Nisto até o nome já tem várias “atualizações”. Não é mais simplesmente Bíblia, é
Bíblia atualizada; Interpretada; na linguagem de hoje; Nova Versão Internacional; On Line Revista e Corrigida; do estudante; etc.

Alguns exemplos de alterações textuais aplicadas nas bíblias:

O unicórnio, animal que nunca existiu, é mencionado na bíblia [Salmo 22:21], [Salmo 29:6] e [Salmo 92:10]. Unicórnio na Bíblia mudou para “Boi Selvagem”. (Não é piada) Se entrarem na bíblia online e escolherem a versão King James (em inglês), lá o texto diz claramente "unicorns". Os religiosos, espertamente afirmam foi mal traduzido do hebraico, justificando a alteração, na maior cara de pau. Por séculos não haviam notado o erro, quando começaram a serem estigmatizados resolveram fazer a “correção”. Até não precisaria, pois os crentes acreditariam até em papai Noel se estivesse na bíblia.

Dragões, que representam seres demoníacos na cultura católica, herança da Era Medieval, são mencionados em várias partes:

- A Derrota do Dragão (Apocalipse 12:1-17)

- Apocalipse 12:7-9 “Então houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão ...

- Apocalipse 12:3 Então apareceu no céu outro sinal: um enorme dragão vermelho com sete cabeças e dez chifres, tendo sobre as cabeças sete coroas

- Antigo Testamento: Ezequiel 29:3.

Para não deixar dúvidas, de uma “mal tradução do hebraico”, aqui vai uma descrição, do antigo testamento, no Livro de Jô 41:18-21. Foi considerado pela Igreja Católica durante a Idade Média, como o demônio representante do quinto pecado, a Inveja, também sendo tratado com um dos sete príncipes infernais. Descrição do Leviatã, a serpente cuspidora de fumaça:

”18 Os seus espirros fazem resplandecer a luz, e os seus olhos são como as pestanas da alva. 19 Da sua boca saem tochas; faíscas de fogo saltam dela. 20 Dos seus narizes procede fumaça, como de uma panela que ferve, e de juncos que ardem. 21 O seu hálito faz incendiar os carvões, e da sua boca sai uma chama.”

Teria que ter muito erro de interpretação numa só descrição.

O dragão mais conhecido, desde o século 4, é aquele que foi morto por São Jorge, que é padroeiro da Inglaterra, Portugal e Catalunha. Este dragão adorava se banquetear de jovens virgens (sempre as virgens), até que resolveu devorar uma princesa virgem, foi seu erro, se fosse uma virgem comum seria tolerável, mas uma princesa não. Então apareceu o cavaleiro São Jorge, cristão logicamente, montado em um lindo cavalo branco e derrotou o dragão. Como num conto de fadas.

São Jorge foi cultuado por séculos, com direito a estátuas e altares, mas nos últimos tempos, devido ao exagerado ridículo, “foi lembrado” que a imagem conhecida de todos, está relacionada às lendas criadas a partir da Idade Média. Mais um tempo e vão afirmar que não tem nada a ver com a Igreja, ou quem sabe houve mais uma interpretação mal feita, que talvez este dragão devesse ser um genérico monstro ou quem sabe um “Cavalo Selvagem”.

São muitas as citações de dragões nas bíblias antigas, que são mais fiéis às invenções originais, porque nas novas, apesar de as religiões detestarem qualquer tipo de evolução, estes dragões “evoluíram” para monstros, e unicórnio para boi selvagem.

Antigamente a bíblia era interpretada de forma literal. Quem discordasse seria queimado vivo. Atualmente, como a ciência e a filosofia a transformaram em um volume de estórias mitológicas, alguns religiosos vieram com a conversa de que a Bíblia é "livro simbólico”, e desta forma se esquivam da realidade tentando dar uma sobrevida ao santo livro por mais um tempo.

Mesmo assim consideram simbólico o que interessa, a vida de Jesus é real, os dragões são para representar a maldade, o inferno existe, mas não é bem assim como descrito, Adão e Eva, dilúvio, cobra e burro falante logicamente que são simbólicos, e assim tudo é dependente de interpretação de quem apresenta, outras não servem. Ainda assim quando a bobagem é inaceitável até para um crente fanático, dizem que tem que considerar um tal de "contexto", que o importante é perceber uma suposta "mensagem" a qual os crédulos não tem capacidade de compreender. O que não deixa de ser verdade, sem pensar não tem como perceber nada mesmo.

Se refletissem um pouco ficariam no mínimo curiosos em entender como pode um Deus construir um universo e não ter competência para escrever um livro menos ruim, que não precisasse de ajuda para entender o que ele estava querendo dizer.

Os criadores da bíblia não tinham como imaginar que o diabo criaria uma ciência tão malvada, chamada Arqueologia, que desmascararia completamente estas invencionices.

 

 


Tags: Carlos Melo, artigo


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




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