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Laika a cadela. Um monumento à covardia humana.

Carlos Mello

20.07.2011

Laika a cadela. Um monumento à covardia humana.

Laika, a cadela mais famosa do mundo, foi uma “vira-lata” das ruas de Moscou que foi adestrada para ser o primeiro ser vivo da terra a entrar em órbita.

Foi treinada exaustivamente durante vários anos até ser lançada dentro da Sputnik 2, rumo ao desconhecido, em 3 de novembro de 1957.

A “Pequena Peluda” possuía em torno de 3 anos, menos de 6 quilos e vivia abandonada nas ruas de Moscou quando foi capturada para o programa espacial soviético.

Os cientistas acreditavam que um cachorro de rua acostumado a lutar diariamente pela sobrevivência suportaria melhor os treinamentos e à falta de gravidade do que um cão de raça. As fêmeas foram escolhidas porque não precisariam ficar de pé e erguer uma pata para urinar.

A corrida espacial havia começado um mês antes, com o lançamento do primeiro satélite soviético não tripulado na órbita da terra, no dia 4 de outubro de 1957, o Sputnik 1, juntamente com o período da Guerra Fria entre EUA e URSS.

Laika foi lançada da base de Baikonur, no Cazaquistão, na nave Sputinik 2, que colocou o primeiro ser vivo em órbita.

Oficialmente o objetivo de enviar Laika ao espaço era criar procedimentos para depois serem aplicados aos cosmonautas russos.

E como propaganda, a idéia era demonstrar ao mundo que a União Soviética possuía recursos e capacidade para colocar uma nave em órbita com um ser vivo dentro, produzindo informações científicas sobre o comportamento de um animal no espaço sideral. Sua cabine provia necessário à vida de um cachorro, como ar, água e alimentos. Foi instalado um ventilador que entrava em operação quando a temperatura interna da nave superava os 15 °C.

Laika foi presa em uma pequena cabine pressurizada, na qual ela só podia ficar em pé ou deitada.

Também foi feito um traje espacial para Laika, equipado com uma bolsa para armazenar seus dejetos, e com uma cadeirinha que limitava seus movimentos devido ao pouco espaço disponível.

Vários instrumentos monitoravam sua freqüência cardíaca, respiração e pressão arterial, junto com uma câmera de imagens, além da temperatura e pressão interna da cápsula, permitindo aos cientistas acompanhar como Laika se comportou e morreu no espaço.

No projeto de construção da Sputnik 2, não existiu qualquer plano para seu retorno seguro à Terra, significando que Laika estava condenada desde o princípio a um fim cruel
Embora Laika tenha o crédito de ser a primeira criatura viva a orbitar o espaço exterior, outros animais fizeram anteriormente vôos suborbitais.

Outros cães foram mantidos num centro de pesquisas espaciais e três deles foram avaliados e treinados para a missão:

Laika, Albina e Mushka.

Albina foi lançada duas vezes em um foguete para testar sua resistência nas grandes alturas e Mushka foi utilizada para o teste da instrumentação e dos equipamentos de suporte vital.

Laika foi selecionada para participar na missão orbital, e tendo Albina como sua substituta principal.

Laika demonstrou que os animais poderiam sobreviver aos rigores das viagens cósmicas.
Seu treinamento consistia em simular condições e ambientes que vivenciariam durante o lançamento e o vôo. A extensa duração dessas viagens exigia que os animais se adaptassem em permanecer confinados por um longo período.

Assim como outros animais, Laika foi submetida a intensos e estressantes treinos, como permanecer em compartimentos cada vez menores por até 20 dias, altos ruídos, vibrações, acelerações e cargas G excessivas em máquinas centrífugas.

Ao final, tinham todo seu metabolismo alterado, com diversos distúrbios ocasionados pela deteriorização de sua condição física e psicológica.

O Vôo de Laika:

A cabine pressurizada era revestida com material acolchoado e Laika foi vestida com um traje especial, tendo vários sensores ligados ao seu corpo.

Após o lançamento, o sistema de controle térmico não funcionou corretamente, elevando a temperatura interior para 40 °C.

Após três horas de micro-gravidade, os batimentos cardíacos de Laika alteraram em três vezes mais que o experimentado durante os treinamentos, indicando o alto estresse em que se encontrava. A recepção de dados vitais parou entre 5 e 7 horas após a decolagem.

Moscou informava que Laika se comportava calma e estável em seu vôo e que, em poucos dias, regressaria de volta à Terra em sua cápsula espacial. Era uma mentira, sabiam desde o início que Laika não retornaria com vida de sua missão, pois o Sputnik 2 não possuía tecnologia para regressar à Terra. Era uma viagem só de ida.

Depois de várias especulações, finalmente foi feito o anúncio oficial de que Laika não mais voltaria, mas morreria sem dor no espaço, após uma semana em órbita.

O anúncio causou assombro em todo o Mundo. Os cientistas planejaram dar-lhe comida envenenada após 10 dias, mas não ocorreu como planejado.

Durante anos a União Soviética deu explicações mentirosas e contraditórias sobre a morte de Laika afirmando que a cadela havia morrido por asfixia quando falharam as baterias, ou que havia recebido eutanásia conforme os planos originais


Os últimos momentos de Laika:


Relatórios oficiais eram de que Laika fôra posta para dormir tranquilamente com um gás na cápsula e morreu quando as baterias de provisão de ar expiraram após uma semana em órbita. Apenas em 2002 se soube o que realmente aconteceu à missão e como Laika morreu. O cientista Dimitri Malashenkov, que participou do programa Sputnik 2, revelou que Laika, submetida a um cenário de pânico, calor extremo e desespero, morreu, entre cinco e sete horas depois do lançamento.

Versão também sustentada pelo engenheiro Gyorgi Grechko de que ela havia morrido devido ao calor e ao pânico, sofrendo desidratação e convulsões.

O legado:

O vôo de Laika instigou a imaginação das pessoas em todo o mundo e abriu caminho para a participação humana em vôos espaciais.

O primeiro cosmonauta da história, Yuri Gagarin, teve de esperar três anos e meio para ver cumprido o sonho de um ser humano ir para o espaço, em 12 abril de 1961.

Na época, discutiu-se muito mais os créditos políticos obtidos pela missão do que a exploração dos animais. E agora, passados quase 55 anos, questiona-se os avanços científicos à custa de testes com animais.

Em sua homenagem, milhares de cadelas em todo o mundo são usados o seu nome.

Em 1997, na base de Baikonur, foi inaugurado um monumento para os heróis do espaço, em homenagem aos cosmonautas mortos. Laika está representada na placa como um pequeno cachorro perdido das ruas de Moscou.

Laika representou um espírito desbravador que nos levou "onde nenhum homem tinha ido antes”. Mas também ficou como um símbolo da exploração cruel de criaturas inocentes e involuntárias para benefícios dos humanos, que foram covardes ao não se tornarem pioneiros de suas próprias conquistas

Laika foi o único ser vivo enviado ao espaço para morrer. E depois dela, nenhuma outra missão tripulada por animais foi lançada sem que existisse um sistema para o retorno seguro do animal.

A 14 de Abril de 1958, após percorrer 100 milhões de quilômetros e 2570 revoluções em volta da terra, a Sputnik 2 consome-se na atmosfera com os restos mortais de Laika.


Tags: Carlos Mello, artigo


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




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