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Antissemitismo – Sua origem.

Carlos Mello

14.09.2011

Antissemitismo – Sua origem.

Poucas pessoas sabem as origens reais do antissemitismo.

Nunca se perguntaram o porquê de existir ódio a este grupo?

E olhem que este sentimento não provém necessariamente de gente inculta ou das camadas menos assistidas de uma população.

Já se deram conta que este ódio não é somente contra os judeus?

Imaginem três grupos em uma área isolada e com os mesmos recursos de sobrevivência. Provavelmente seriam companheiros e amigos, existiriam casamentos entre eles e viveriam felizes.

Agora imaginem estes mesmos três grupos onde um seguisse o judaísmo, outro o cristianismo e o último o islamismo. Seria guerra certa.

Esta metáfora é só para mostrar para que servem as religiões. Em toda a história da humanidade elas proporcionaram muito mais guerras e massacres do que benefícios.
O antissemitismo é mais um resultado deste ódio que as religiões criaram entre elas e pelos não crentes, e como estamos na área de influencia cristã, prevalece a herança deste medievalismo absurdo.

No futuro as religiões provavelmente vão desaparecer assim como naturalmente muitas coisas são extintas. Pessoas com a crença em deus ainda vão existir por mais tempo, isto porque compreensivelmente nem todos conseguem se desligar da lavagem cerebral sofrida. Vão se dar conta que podem acreditar que existe um velhinho que mora nas nuvens, que passa o tempo todo olhando e comandando a sua vida aqui em baixo, distribuindo favores a alguns poucos, doenças, fome, miséria e guerras conforme seus sempre muito misteriosos desígnios, que exige ser idolatrado sempre e que as ama muito, com muito amor mesmo, mas se não o aceitarem vão para o inferno. E mesmo acreditando nestes enredos vão se dar conta de que não precisam de religiões para manter sua fé. Claro que as religiões vão reagir se juntando, trocando abraços e beijinhos dizendo que este é o verdadeiro sentimento de deus, mas será tudo uma tentativa desesperada de continuarem respirando. Não vai adiantar, o processo de suas extinções é irreversível.

Os cristãos medievais manifestaram ódio aos muçulmanos e aos judeus e nem se fala dos ateus, devido não aceitarem seus dogmas. Como os muçulmanos não ocupavam a mesma área a perseguição entre eles e os cristãos não eram constantes, o que não ocorria com os judeus. Mas qualquer grupo estrangeiro naquela sociedade, dominada pela visão cristã, certamente seria atacado. Em 1096, bandos de cruzados massacraram judeus em cidades da França e Germânia. Em 1290 os judeus foram expulsos da Inglaterra; e em 1306, da França. Entre 1290 e 1293, expulsões, massacres e conversões forçadas quase ocasionaram a extinção da comunidade judaica do sul da Itália, que ali viviam há séculos. Na Germânia, tumultos selvagens levaram, de tempos em tempos, à tortura e assassinatos de judeus.

Vários fatores contribuíram para fomentar o antissemitismo durante a Idade Média. Para os cristãos desse período, a recusa dos judeus em abraçar o cristianismo era um ato perverso, principalmente porque a igreja ensinava que a vinda de cristo havia sido profetizada pelo velho testamento. Esse preconceito estava relacionado com o relato da crucificação contido nos evangelhos. Na mente dos cristãos medievais, o crime de “deicídio” (Suposto assassinado de deus) maculara para sempre o povo judeu. As chamas do ódio eram atiçadas pela alegação absurda de que os judeus, ao derramarem o sangue de cristo, haviam se tornados sedentos de sangue, torturando e matando cristãos, sobretudo crianças, a fim de obterem sangue para seus rituais. Essa difamação difundiu-se amplamente e foi a causa de inúmeras violências praticadas contra judeus, embora os papas considerassem sem fundamento, também não faziam nada para mudar essa situação.

Outra razão da animosidade contra os judeus era o fato de que eles emprestavam dinheiro a juros. Cada vez mais excluídos do comércio internacional e da maioria das profissões, impedidos de ingressar nas guildas, de possuir terras, os judeus encontraram nessa atividade um meio de sobrevivência – praticamente o único permitido a eles. O empréstimo a juros, que era proibido aos cristãos, suscitou o ódio de camponeses, clérigos, senhores e reis que recorriam ao dinheiro dos judeus.

A política da igreja com respeito aos judeus era de que mereciam viver em humilhação – uma punição justa por sua persistente recusa em adotar o cristianismo. Assim, o IV Concílio de Latrão proibiu os judeus de ocuparem cargos públicos, exigiu que usassem um distintivo na roupa para serem identificados e ordenou-lhes que não saíssem às ruas durante as festividades cristãs, A arte, literatura, e educação religiosa cristã retratavam os judeus de maneira depreciativa, associando-os com frequência ao demônio ou qualquer outra entidade da mitologia cristã dedicada ao mal, que para os cristãos medievais era muito real e aterrador.

Os judeus não eram considerados dignos de misericórdia e, de fato, nada do que lhes acontecesse era demasiado ruim. Profundamente gravada nas mentes e corações dos cristãos, a imagem distorcida dos judeus como criaturas desprezíveis perdurou na mentalidade infantil européia ate o século XX. Incrivelmente até hoje.

A despeito de sua posição desfavorável, os judeus medievais conservaram sua fé, expandiram sua tradição e erudição e produziram uma prolífica literatura. O trabalho de tradutores médicos e filósofos judeus contribuíram significativamente para o florescimento cultural no apogeu na Idade Média.

Some-se a este histórico a imensa inveja que os judeus despertam de pessoas sem competência, pois os judeus têm domínio de alta tecnologia. Criaram uma nação de primeiro mundo numa das partes mais hostis do globo onde as civilizações vizinhas estão vivendo como há dois mil anos atrás, atraindo uma desesperadora inveja de seus “primos” que apesar de ricos em petróleo, insistem em não sair da pré historia.

Resumindo: Este assunto pode ser abordado sob os aspectos cultural, político e filosófico, mas o importante é que o antissemitismo é mais um fruto dos delírios destas frondosas árvores da ignorância que são as religiões.

Bibliografia: CIVILIZAÇAO OCIDENTAL – PERRY, MARVIN


Tags: Carlos Mello, artigo


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




Opinião do internauta

  • Jorge Gorla (28.06.2016 | 14.24)
    "As origens socialistas do anti-semitismo moderno mostram a ligação entre o estatismo e a perseguição de minorias. O anti-semitismo como um movimento intelectual formal surgiu no meio do século XIX, quando teorias conspiratórias relacionadas aos judeus ganharam popularidade. Escritores alemães retomaram antigas teorias anti-iluministas, sobre uma conspiração maçônico-judia para a dominação do mundo. Durante a revolução francesa, os judeus, junto com os maçons, eram identificados como forças de apoio ao liberalismo, ao secularismo e ao capitalismo. Escritores alemães rapidamente descobriram que os judeus eram um alvo mais popular que os maçons, talvez por serem mais visíveis e diferentes. As teorias maçônico-judias originais acabaram por relegar ao segundo plano outros conspiradores, como os Templários e os Illuminati, e se focaram nos judeus." Fonte: http://ordemlivre.org/posts/as-raizes-socialistas-do-anti-semitismo-moderno
  • Sidney Martucci (13.12.2014 | 15.33)
    Na verdade não é opinião , mas uma pergunta; no artigo o antissemitismo ficou por conta das religiões; qual era então o viés religioso de Hitler para atacar os judeus .?
  • Resposta do Colunista:

    Jorge Gola. Concordo contigo se a referência for anti-semitismo “moderno”.

    Porque os judeus foram perseguidos desde o ano 70, pelos invasores romanos da Palestina.

    Também acho correto que ao alemães perseguiram os que eram mais visíveis, que eram os judeus.

    Obrigado pela participação

  • Resposta do Colunista:

    Sidney, não sou historiador, mas acho que o antissemitismo nazista não foi devido exclusivamente ao componente religioso, acho que eles apontaram seus problemas para este grupo como “bode expiatório” seguindo o que toda a Europa já fazia, só não usavam os assassinatos em massa. Na França, por exemplo já existia este sentimento, lembra-se do que foi caso Dreyfus?

    Na Rússia os judeus não podiam ter terras ou frequentarem faculdades. Na Europa oriental existiram massacres chamados de “Progoms”.

    Então os nazistas somente se aproveitaram desse sentimento disseminado na Europa e usaram para atingir seus fins.

     

    Só uma observação:

    A Europa, por arrependimento de ter assassinado ou apoiado a assassinar e perseguir milhões de judeus se miscigenavam os povos que os acolhiam, procuravam trabalho e criavam riqueza, tanto que conseguiram criar um País de primeiro mundo num deserto cercado de inimigos criminosos, abriram as portas para os muçulmanos. Agora estão se dando conta que receberam o que de pior existe neste planeta.

    Eles eram felizes e não sabiam.

    Obrigado pela participação.

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