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Israelense e Judeu - Diferença

Carlos Mello

16.11.2011

Israelense e Judeu - Diferença

Em Julho e Setembro deste ano, aqui nesta coluna, fiz comentários sobre o Estado de Israel e a origem do Antissemitismo.

Fiquei surpreso com a quantidade de mensagens que recebi de pessoas que acharam inacreditável que o antissemitismo seja um sentimento derivado de crendices religiosas. Algumas até com bom nível cultural, que ignoravam a origem deste sentimento, foram pesquisar para confirmar, pois nunca tiveram aulas sobre isto nas escolas, logicamente escolas administradas por religiosos.

A surpresa maior destas pessoas era a de que o antissemitismo, absurdamente ainda existente nos dias de hoje, se originava da estória da crucificação de Jesus atribuída aos Judeus. Uma fábula inventada por escravos analfabetos e que propagou-se por tradição oral durante uns cento e cinquenta anos. Não precisa ser muito inteligente para imaginar a deturpação de uma estória durante este tempo. Quando a Igreja dominou a educação e a cultura, destruiu os textos que não lhe interessava e escreveu seus próprios, copiando parcialmente e misturando com textos históricos reais para dar uma falsa legitimidade ao seu livro sagrado, com isto colocaram os Judeus como vilões nas suas ficções.

O mais incrível é que ainda nos tempos atuais, principalmente nos países muçulmanos, ainda persiste esta transmissão de ódio aos judeus sendo ensinada desde a infância. E com o nível de escolaridade baixa nestes países, aliado com interesses em manter a população mais inculta possível, faz com que muitos poucos pensem a respeito do absurdo que lhes é transmitido. A resposta é: Lavagem cerebral desde criança. Coisa que TODAS as religiões fazem.

Recebi também mensagens de amigos israelenses pedindo que esclarecesse a diferença entre Judeu e Israelense, porque muitos se consideram e tem orgulho de serem israelenses, mas não gostam dos judeus. Parece confuso? Vou explicar:

ISRAELENSE é relativo ao Estado de Israel, ao indivíduo originário ou habitante de Israel. Por exemplo: Exército israelense, Ministro israelense, Trabalhadores israelenses etc.

JUDEU refere-se ao à religião judaica, tem um sentido religioso ou bíblico. Ou seja, Judeu é denominado o seguidor da religião judaica, o judaísmo.

Existe ainda o termo ISRAELITA que não consegui uma explicação clara sobre ele, pois alguns afirmam que é relativo ao povo hebreu com o Judaísmo e outros ao Estado de Israel, então este termo deixo a cargo dos especialistas, mas pelo que vi não vão chegar a um consenso tão cedo.

O que ocorre com Israel é curioso, pois é indiscutivelmente o Estado mais democrático e com um nível de instrução infinitamente superior a qualquer de seus vizinhos, mas a relação entre Estado e Religião é muito parecida com seus piores e mais atrasados vizinhos. É um Estado confessional desde sua criação, onde na própria declaração de independência contém várias referências religiosas.

Atualmente existe um forte movimento pela laicidade do Estado Israelense onde ainda os rabinos ditam regras como se todos fossem religiosos. Por exemplo, Israel é a única democracia no mundo em que não existe casamento civil, somente religioso e até meses atrás somente concedia a nacionalidade para quem se manifestava professante da religião judaica. Os religiosos utilizam suas anacrônicas leis para controlar desde cardápios em restaurantes, casamentos, divórcios e até as mutilações sexuais impostas às crianças masculinas sob pretexto religioso.

É tão prejudicial ao Estado Israelense o domínio de grupos clericais que chegam a existir escolas diferentes para cada comunidade religiosa onde cada uma tem sua posição religiosa mantida de forma obrigatória. Isto favorece manter a segregação social num Estado que necessita de integração para pode sobreviver e não o contrário.

Resumindo: Qualquer um pode ser judeu, basta professar a religião Judaica. Mas ser Israelense somente se tiver cidadania do Estado de Israel.

Também é possível ser Israelense e não ser judeu, ser, por exemplo, um Ateu Israelense, que pelo que pesquisei são 37% da população, um dos mais altos índices de ateísmo do mundo.

Como não poderia ser diferente num estado com um nível cultural como Israel, o laicismo está irreversivelmente tomando conta das instituições com o apoio de uma parcela importante da população. Este avanço inexorável do secularismo deixa em desespero o rabinato e seus seguidores, que olham o futuro vislumbrando que seu domínio será limitado às paredes de suas Igrejas.


Tags: Carlos Mello, artigo


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




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