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Retirada de crucifixos dos prédios públicos.

Carlos Mello

15.02.2012

Retirada de crucifixos dos prédios públicos.

Vários amigos meus, Gays e religiosos, me cobraram se não iria falar a respeito do pedido feito por entidades sobre a retirada de símbolos religiosos de prédios públicos. Argumentavam que como sou favorável e esta retirada, apoiaria uma falsa representatividade que só tem como objetivo aparecer em jornais.

Pois acho que estes amigos, que não utilizam sua opção sexual de forma espalhafatosa, tem toda razão.

Sempre que vejo alguém defender a presença de símbolos religiosos em prédios públicos e ainda se dizendo democratas eu questiono, usando a mesma reciprocidade que dizem serem seguidores, que então não teriam nada contra que fosse feito uma rotação nos símbolos religiosos nas escolas e casas do executivo, legislativo e judiciário. Assim um dia teria uma cruz, outro uma estrela de Davi, noutro um Exú, um dia sem nada, depois um Buda e assim por diante, isto sim seria democracia, pois afinal este país não é feito apenas por cristãos nem somos a República Cristã do Brasil.

Ouço todo tipo de resposta, mas nenhuma que satisfizesse a argumentação feita, os cristãos não se dão conta que a presença ostensiva de um crucificado mostrando feridas, cruzes e outros símbolos de péssimo gosto incomodam. Só se vislumbrassem os símbolos das religiões que não fosse a sua veriam, talvez, que isto é um marketing agressivo, é simplesmente uma tentativa de venda.

Como se sentiria alguém que ao ser julgado por um aborto, por exemplo, visse acima do juiz uma cruz? Seria um julgamento justo? Claro que não, pois ali já estaria no mínimo a metade da resposta.

Entendo que estes marketings religiosos deveriam ser retirados sem qualquer alarde, assim como foram colocados, pois não foi feita nenhuma consulta quando colocaram, porque deveria ser feita para retirar? Quem sabe um dia quando este Brasil largar esta atrasada cultura medieval e se transformar num Estado laico isto aconteça.

Até aqui só foi colocado o ponto de vista comum entre os ateus, agnósticos e secularistas, onde 100% concordam com a retirada destes proselitismos religiosos dos lugares públicos.

Mas o fato, no mínimo curioso, que me referi no início, aconteceu em Porto Alegre em novembro passado (2011), em minha opinião um completo erro de atuação de um grupo em nome de um universo que não representam. Trata-se do ato promovido pela Liga Brasileira de Lésbicas, Rede Feminista de Saúde, grupos Somos e Themis, e ainda Marcha das Mulheres, protocolarem um pedido na Assembléia Legislativa reivindicando a retirada imediata de símbolos religiosos dos espaços públicos.

O fato é tão ridículo quanto um grupos de ateus, céticos e agnósticos protocolarem alguma petição em favor da imediata entrega do Kit Gay nas escolas.

Que alguns participantes destes grupos apóiem alguma dessas iniciativas é compreensível, mas falar em nome de todos é uma antidemocracia. É só imaginar como ficam os Gays que são católicos e apóiam a manutenção dos símbolos? Ou dos ateus que são contra o Kit gay assistirem alguns falarem em nome de todos?

Que autoridade tem estes grupos para se intitularem procuradores de todos os que dizem representar? E os gays religiosos não fazem parte de seu grupo?

Um movimento pela retirada de símbolos religiosos seria aceitável por parte de um grupo que representasse todos os membros, e nunca uma parte.
Provavelmente as diretorias se adunaram considerando que todos pensam iguais, esquecendo-se completamente de que se existem apoiadores para retirada de símbolos, mas também existem os contra a retirada, pois o relacionamento entre seus componentes só são pertinentes com seu objetivo social, fora disto é escolha individual.

Estranho é que existem centenas de Igrejas, em todas as quadras da cidade, que defendem descaradamente a homofobia, então porque não gastam sua energia combatendo quem lhes ataca de verdade e assim contaria com o apoio de TODOS os seus membros, e seguramente de todas pessoas, religiosas ou não, que não apóiam esse pensamento assassino de alguns religiosos? Que obviamente não são todos, pois existem pessoas maravilhosas entre os crentes.

Tem uma frase antiga que diz tudo: Cada macaco no seu galho, ou a versão atual: Cada um no seu quadrado.


Tags: Carlos Mello, artigo


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




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