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O SUS Italiano.

Carlos Mello

20.06.2012

O SUS Italiano.

Em Agosto passado, minha filha Cindy de 17 anos teve uma inflamação na apendicite, como temos plano de saúde, seria um problema contornável de forma tranquila.

Ocorre que ela está morando em Milão. Assim que devido à urgência e orientação recebida foi para um hospital público.

Ficamos preocupados, pois além de tudo ser estranho para ela, nossa referencia de hospital publico é o Brasil, que dispensa comentários.

Um casal amigo nosso que mora em Milão e que deu apoio à nossa filha, a primeira frase depois de confirmar que estava em um hospital público foi: “Sei que vocês estão preocupados porque o hospital é público, mas fiquem tranquilos porque aqui é bem diferente daí do Brasil ...”

Ainda assim não ficamos tranquilos, pois temos o preconceito de achar que tudo que é público não é bom, como banheiros públicos, escolas públicas, etc. Isto porque nossa referencia são os péssimos serviços públicos que recebemos e as atitudes dos políticos que NUNCA usam o sistema público, onde o maior exemplo foi o do chefe do governo mais popular que tivemos, o Sr. Mula, que com sua imensa hipocrisia afirmou que “o SUS era o melhor sistema de saúde do mundo, que era quase perfeito. Tinha até vontade de ficar doente para ser tratado pelo SUS”. Mas quando precisou correu como um covarde para bem longe deste “sistema quase perfeito”

Mas nosso preconceito em relação ao sistema italiano esta errado, felizmente. A nossa filha foi muito bem tratada, recebeu atenção elogiável de todos que a cercaram desde os enfermeiros até os médicos.

O quarto onde ficou sozinha, normalmente é para duas pessoas, era simples, bem limpo e confortável, equivalente aos nossos particulares.

Os corredores do Hospital estavam vazios, esclarecendo melhor: Não existem as filas humilhantes e os corredores lotados como os nossos públicos. Aliás, não existe ninguém nos corredores.

Alguém poderia dizer que tivemos sorte. NÃO FOI SORTE, pois colegas da minha filha que também foram atendidas neste e em outros hospitais confirmaram o mesmo tratamento, incluindo pessoal daqui de Porto Alegre.

O Hospital é o Ospedale Niguarda (Piazza Ospedale. Maggiore 3, Milano), site http://www.ospedaleniguarda.it/

É um dos maiores da Europa. Foi atendida por um Clínico geral que a encaminhou para os cirurgiões Dr. Diego Falchetti e seu assistente Dr. Salvatore Argento.

As fotos anexadas são da ala onde minha filha ficou e do corredor do seu quarto.
Minha esposa chegou no sábado (26 Maio) e a levou do Hospital.

O Custo do hospital, incluindo medicação: ZERO.
Não teve qualquer custo, nem qualquer menção de ter algum “por fora” como sabemos que ocorre aqui.

Estou escrevendo isto porque recebi várias mensagens de leitores desta coluna me perguntando detalhes sobre como ocorreu o atendimento. Mas alerto que não se deve generalizar, na Itália está perfeito, o que não garante que em outros lugares seja assim também.

Exponho isto para colocar minha indignação do que ocorre aqui na nossa república das bananas, onde a preocupação com a construção e duplicação de estádios de futebol é priorizada ao invés de cuidar da saúde.

O sonho de termos um atendimento de saúde melhor não é uma coisa impossível, pois a arrecadação obrigatória feita pelas pessoas e empresas para este fim colocam os recursos necessários para se atingir um bom nível na saúde pública.

Outra forma de pensar é: Se eles conseguem porque não podemos conseguir também?

Temos um problema além de saúde, assim como educação, não serem prioridades: São os desvios feitos principalmente por políticos corruptos e outros criminosos, que no meu entender são Serial killers e deveriam ser fuzilados devido ao imenso número de vítimas que causam.

Uma parte bonita desta história é que dias depois de a filhota estar restabelecida, estava passeando com mãe (Zeli) na Galeria Vittorio Emanuele, no centro de Milão. Então a Zeli percebeu que um homem estava parado fixando o olhar na Cindy de forma anormal. A Cindy, ao virar, reconheceu o Dr, Falchetti, o cirurgião que a havia operado. Pois ele a reconheceu e estava como que admirando o resultado. A Cindy imediatamente o abraçou e agradeceu pelo excelente trabalho realizado. Conversaram um pouco, apresentou a mãe e se despediram. É o tipo de lembrança que se carrega para o resto da vida.

Por aqui não temos saúde e educação de qualidade, mas com certeza temos o melhor carnaval do mundo, modernos estádios e os maiores jogadores de futebol que existem.
Nós merecemos!


Tags: Carlos Mello, artigo


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




Opinião do internauta

  • Alberto Muller (20.06.2012 | 11.49)
    "Se eles conseguem porque não podemos conseguir também?" Quanta ingenuidade Mello, estamos na República das Bananas como bem dissestes e não na Europa. Infelizmente.
  • Resposta do Colunista:

    Alberto. De ingênuo eu não tenho nada, mas não posso escrever exatamente o que queria por conta da minha indignação que seria muito radical. A nossa referencia são a ditadura militar, que não revolucionou nada, foi uma droga e a atual situação onde predomina o roubo e a demagogia. O nosso povo não imagina que exista outro caminho.
    Mas acredito que com o espírito determinado de nosso povo um dia vamos melhorar. Com sorte daqui mais uns quinhentos anos. Talvez.

    Obrigado.

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