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Voto obrigatório – Ditadura sim.

Carlos Mello

10.10.2012

Voto obrigatório – Ditadura sim.

No Brasil existe democratismo em muitas atividades, mas também mantém características ditatoriais, conforme a conveniência dos políticos. Para isto abusam da tutela do Estado sobre o cidadão ao impor proibições e obrigatoriedades.

Assim foi definido que os motoqueiros precisam usar capacete, motoristas cinto de segurança, tomadas elétricas tem que serem alteradas, população tem que ser desarmada e outras centenas de leis que dizem ser para o bem dos usuários, e importante: Sem consultá-los. Quando isto ocorre descobrem que suas determinações não encontram eco nos anseios da população.

O voto obrigatório é uma dessas excrescências usadas para legitimar uma forçada ampla participação popular. É uma forma de manter a ilusão de que o povo faz parte da política.

Não podemos esquecer que a atual constituição foi elaborada por políticos que legislaram em causa própria, e assim como reajustar os próprios salários, eles não colocam essas espertezas entre os itens a serem discutidos em qualquer pretensa reforma política.

A sensação de desconforto dessa obrigatoriedade é a mesma que se fosse obrigatório exercer qualquer outro direito civil, como casar ou ter uma religião. E se não comprovasse algum desses “direitos” estaria sujeito à multa e a ter que dar explicações na justiça, onde uma documentação é utilizada mostrando a futilidade e gastos inúteis para fazer um controle sobre movimentos e decisões que não deveriam ser da conta do governo.

Não existe esta conversa de direito-dever, se é obrigatório, o próprio nome já diz tudo, é antidemocrático, independe se vai atrapalhar ou não os interesses dos políticos. O que tem que prevalecer é a liberdade, ninguém pode ser obrigado a fazer o que não quer.

Alguns ditadores defensores da obrigatoriedade dizem que existe a opção de votar em branco ou nulo. Mas e o absurdo de se perder tempo para ir votar em ninguém?

Outros defensores apelam para o sentimentalismo dizendo que "O voto é uma conquista.". Mas esquecem de explicar a contradição de alguém querer “conquistar" uma obrigação.

A minha indignação com essa obrigação é tanta que nunca consegui votar, só em saber que o voto é obrigatório para legitimar os políticos, os meus dedos não conseguem apertar algum botão válido naquela urna, prefiro pagar uma multa alguns meses depois. As vezes que votei escolhi sempre o pior, o mais escrachado possível. Teve um ano, numa eleição para presidente, que a propaganda do governo estava eivada de ameaças aos que não votassem, como protesto, escolhi o Mula e Monarquia, pois eram as coisas mais ridículas que existiam. Tão desprezíveis quanto o Tiririca, que é o símbolo dessa obrigatoriedade.

Atualmente os votos brancos e nulos são em torno de 10% do total, mas nas próximas eleições vai haver um movimento mais engajado, em todas as mídias, para pelo menos dobrar este percentual e forçar o governo a respeitar o desejo e a liberdade individual.

A tendência para uma sociedade evoluir é acabar com a exagerada tutela estatal, resultando no voto por convicção e não por obrigação.


Tags: Carlos Mello, artigo


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




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