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Deus seja louvado! Nas Igrejas. E não nos espaços públicos.

Carlos Mello

21.11.2012

Deus seja louvado! Nas Igrejas. E não nos espaços públicos.

Uma coisa é certa, o laicismo avança em todas as regiões do mundo civilizado, isto incomoda quem num passado não tão distante dominava, à força, as mentes das populações pouco instruídas. As religiões e suas organizações, querendo ou não, terão que se conformar que com a disponibilidade das informações, aumento do nível geral da cultura com seus inevitáveis questionamentos, estão varrendo para longe os mitos e mentiras há séculos mantidos de forma hermética pelos representantes de seres celestiais.

Os fanáticos crentes, normalmente os que vivem à custa de suas “ovelhas”, não se cansam de reclamar da aproximação de um Estado Laico, provavelmente por não entenderem o que isto significa.

Um Estado Laico, ou secular, não pode fazer proselitismo religioso sob qualquer forma, pois o Brasil não é um Estado Cristão, nem Ateu, Espírita ou Islâmico.
A nossa sociedade tem maioria cristã, mas isto não dá o direito desta maioria impor suas crenças como se nessa “sociedade” todos pensassem iguais, desconsiderando a identidade individual.

Colocar a frase “Deus seja louvado” em bônus da Igreja, nas suas cartilhas, recitar esta frase nos púlpitos está perfeitamente correto, NINGUÉM está pedindo que isto seja retirado, mas colocar numa moeda, que não é emitida pela Igreja para seus fiéis está ERRADO.

É bem verdade, que esta citação minúscula nas cédulas não vai alterar o batimento cardíaco de ninguém, mas é uma ILEGALIDADE porque nunca deveria ter sido colocada lá.

Os símbolos religiosos, tanto o cara torturado numa cruz como o próprio instrumento de tortura, a cruz, nos tribunais e até a ridícula frase nas moedas, são manifestações da religião católica, e por isto fere a laicidade do Estado.

Se este princípio básico fosse respeitado desde a primeira constituição republicana brasileira de 1824, há mais de 120 anos atrás, ou seja, os populistas religiosos não tivessem ilegalmente ocupado lugares públicos, hoje não existiria nenhuma polemica para se fazer o que é correto.

Alguns matreiros padres e bispos fazem referencia à nossa tradição cristã e raízes culturais.

A estes espertos Embaixadores do Reino dos Céus não custa lembrar que não existe um movimento para extinguir registros históricos, a história vai continuar a mesma, até se faz questão de mantê-la bem viva para que não se esqueça o mal que as crendices tem causado à humanidade.

Cultura é algo que se constrói, que evolui, se não fosse assim ainda estaríamos defendendo a escravidão e a terra como centro do universo.

O que se quer é que a evolução cultural siga seu caminho natural removendo o poder religioso de coisas de domínio publico e que parem de tentar impedir qualquer avanço cultural, coisa que a outrora onipotente Igreja Católica nunca deixou de fazer.

Também não se quer extinguir as religiões, pois se a religiosidade faz pessoas mais felizes, não tem porque tirar esta sensação delas. Cada um tem a obrigação de procurar aquilo que o faça se sentir melhor. Desde que não queira impor seu placebo aos outros. Pois quando os adoradores de seres celestiais saem às ruas em procissões ou tocam seus sinos obrigando a todos assistirem ou escutarem seus desfiles ufanistas, já estão incomodando aos que não professam de suas esquizofrenias coletivas. Este desrespeito pode levar mais algum tempo, mas também vai chegar ao fim, por simples bom senso ou por consequência de um questionamento da sociedade pensante, como este que está sendo feito agora

Aos que cinicamente defendem que quem não gosta é só ignorar. Então pelo mesmo argumento será que ignorariam se estivesse escrito "Deus não existe" ou alguma referencia a outros deuses não católicos como Tupã, Orixá ou Alá?

Como todos tem o mesmo direito será que eles também tolerariam se fazer um rodízio para respeitar a todas as profissões religiosas? Claro que não.

E como não se pode contentar a todos, inclusive os não crentes, o correto é não ter nenhuma referencia a qualquer crendice nas cédulas.

A humanidade está num estágio civilizatório onde a laicidade do estado é uma necessidade por ser a única que garante a todos, escolher ou não, a quem adorar entre os inúmeros amigos imaginários existentes. Podendo usar seus símbolos religiosos livremente em seus templos, residências, pescoços, etc, mas não em coisas públicas.


Tags: Carlos Mello, artigo


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




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