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O martelo das bruxas

Carlos Mello

27.03.2013

O martelo das bruxas

Mais um episodio que as aulas de catecismo esquecem de contar.

As religiões, todas elas sempre dominadas pelos homens, continuamente perseguiram as mulheres, que eram vistas como as culpadas de tudo e aliadas de Satanás desde o pecado original, alem de serem concentradoras de todos os vícios, espertamente considerados femininos, como a gula, luxúria, e a sensualidade.

Esta concepção da mulher não surgiu na idade média, foi construída por séculos e é anterior ao cristianismo. Mas nesta época, carinhosamente conhecida como idade das trevas, onde na Europa predominava a Igreja católica comandada por homens celibatários, chegaram ao máximo em covardia na perseguição do sexo feminino ao criar um manual com diretrizes detalhadas de como reconhecer, torturar e assassinar as infelizes mulheres.

Este infame manual medieval, foi escrito em 1486 por dois santos monges e descrevia detalhadamente como localizar, perseguir, julgar e punir as bruxas. Era um suporte “jurídico” para forçar confissões. Especialmente abençoado pela Santa Madre Igreja Católica foi usado com padrão de tortura das bruxas durante quatrocentos anos para perpetuar a submissão feminina.

Este livro instruía qualquer pessoa sobre como iniciar um processo por bruxaria, era pregado em púlpitos para sua maior difusão.

Numa época em que a população era ignorante em quase tudo e dominadas pela Igreja através de todos os medos possíveis, um livro como este encontrou um solo fértil para sua divulgação.

Ele contribuiu para aprofundar ainda mais o terror para as mulheres que viviam neste período de inquisição, pois deixava claro já nas primeiras frases que "quando uma mulher pensa sozinha, ela pensa maldades".

Este livro do mal ajudou a perseguir qualquer pessoa que saísse do normal naquela ignorante sociedade, que eram consideradas marginais do sistema, como ser bonita, solteira, quem morasse com animais de estimação, mães de filhos deficientes, até falta de leite na vaca, qualquer coisa fora do normal estava contemplado em alguma passagem do livro.

As mulheres eram acusadas com base em denúncias vagas, muitas vezes era uma forma de se livrar de inimigos.

A acusadas tinham chance praticamente nula de escaparem, eram buscadas na suas casas, despidas e submetidas a um criterioso exame em busca das marcas de Satanás, conforme instruções do livro. Estas marcas podiam ser sardas, verrugas, mamilo grande, olhos de cor considerada estranha, ou qualquer outra coisa fora do padrão era considerado um sinal seguro de que tinha contato com alguma força do mal. Quando informada sobre as suspeitas que recaiam sobre elas, se a mulher que resistisse às lágrimas ou murmurasse olhando para baixo, estava configurada a certeza de que era uma seguidora dos espíritos malignos. Após eram escaldadas, suspensas pelos dedos e sentadas com os pés sobre brasas e outras indescritíveis de tão infames, as desventuradas não demoravam em “gritar a verdade” que seus algozes queriam ouvir, como matar criancinhas, fazer sexo com demônio, etc.

Os torturadores, satisfeitos com o dever cumprido, “reconduziam” aquela alma novamente aos braços da cristandade através do suplício e sempre com confisco dos bens, que eram divididos entre a Igreja e o acusador. A maioria dos “pecados” eram perdoados com a morte através das fogueiras assistidas pelo populacho como um espetáculo circense.

Um inquisidor chamado Nicholas Remy, ficou surpreso com o fato "tantas bruxas desejarem serem mortas".

O livro também era usado como intimidação por parte dos sacerdotes, pois sempre existia o medo da possibilidade de os inquisidores “descobrirem” mais uma bruxa, principalmente porque poderiam usar o argumento de que ouviram no confessionário.

Este livro está disponível na Internet para baixar.

Tem vários vídeos na Internet, o melhor é o da National Geographic, dublado em português: http://www.youtube.com/watch?v=LXSMTABPa9E


 

Esta situação começou a ruir com o avanço da ciência e difusão da cultura, mas os alicerces dessa cultura medieval ainda estão bem presentes nos imutáveis dogmas religiosos.

Até fica difícil de entender como ainda atualmente existem mulheres frequentando alguma religião, só é possível admitir uma das três hipóteses:

1 - São cegas pela fé.
2 - Não conhecem a história.
3 - São sadomasoquistas.


Tags: Carlos Mello, artigo


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




Opinião do internauta

  • Roberto Henry Ebelt (28.03.2013 | 12.03)
    E assim caminha a humanidade. Mais um 500 anos e o homem talvez consiga se livrar da tutela dessas organizações religiosas. Porém agora, elas, as igrejas, já estão coletando o "dízimo" através de débito em conta corrente, portanto essa loucura ainda vai longe. Lamentável.
  • Resposta do Colunista:

     Henry, sou um pouco mais otimista, acredito que em dez anos, no máximo, Estas organizações atingirão somente minorias pouco esclarecidas, a maioria vai começrar a pensar, pois atualmente a difusão de informacoes está crescendo e atingindo até as populações menos escolarizadas. É uma questão de tempo. Pouco tempo.
    Obrigado pela participação.

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