Últimas notícias

Colunistas

RSS
Pés de Lotus – Tradição deformadora

Carlos Mello

20.11.2013

Pés de Lotus – Tradição deformadora

No mundo atual existem muitas coisas erradas, injustas e cruéis, mas mesmo não servindo de consolo, está muitíssimo melhor que há séculos ou até bem poucos anos atrás.

Durante séculos, na China, a imbecilidade era tão grande que os homens achavam bonito deformar as mulheres, isto porque existia um padrão de beleza exageradamente idiota que determinava como “lindo” que o tamanho dos pés femininos fossem bem pequenos. Os pés normais não agradavam, tinha que serem deformados para se tornar um símbolo de beleza e erotismo.

Os pés considerados como o máximo da beleza tinha que medir cerca de 7 cm.

Para chegar a esse tamanho era preciso muito sofrimento, ignorância e covardia por parte dos pais. Iniciava com as crianças em crescimento, a partir dos 4 anos. Nesta idade os dedos começavam a serem forçados com o uso de faixas. Antes dos sete anos os pés das meninas eram quebrados e enfaixados para evitar o crescimento.

Quem quebrava os dedos e entortava-os para trás era sempre um membro do sexo feminino da família que não fosse a mãe, pois ela poderia não fazer direito já que provavelmente seria sensível às dores e sofrimento da filha.

O estúpido e cruel procedimento consistia em imergir os pés da criança em água morna ou sangue de animais misturado com ervas. Eram cortadas ou arrancadas as unhas e, junto com uma massagem, se quebrava os quatro dedos menores forçando-os até encostarem na sola do pé, depois enrolava-os os com ataduras para não voltarem a posição normal.

Durante o macabro processo, que levava anos, era comum o surgimento de infecções, uma das formas de evitar as infecções causadas pelas unhas entrando na carne era arranca-las completamente. Mesmo assim era comum haver infecções, pois a circulação era bloqueada devido a quebra dos dedos e seu forçado dobramento para dentro do pé. Com a falta de circulação muitas vezes ocorria necrose do tecido e queda dos dedos, e incrivelmente isto era considerado algo bom porque facilitava a higiene e enfaixamento. Logicamente que muitas morriam destas infecções.

A prática faria com que o pé mutilado e deformado imitasse a flor de lótus.

Com isto os débeis mentais da época causavam todo tipo de problemas para as infelizes mulheres, desde muitas dores na coluna, nas costas e músculos. Todas ficavam praticamente incapazes de caminhar e ficavam muito suscetíveis a quedas.

Este bizarro e cruel costume era conhecido como “Pés de Lótus” e era uma forma de exibir status porque quem tinha esta deformação eram mulheres que não precisavam trabalhar, nem poderiam, e por isto eram de famílias de bom poder aquisitivo.

No século XIX, líderes chineses tentaram sem sucesso eliminar esta prática, e mesmo com vários movimentos feministas ocorridos no século XX está barbárie continuava. Só foi completamente proibida pelo governo comunista a parir de 1950.

Se não fosse proibida provavelmente ainda existiriam ignorantes mutilando suas garotinhas em nome de uma tradição cultural.

Ainda atualmente, em plena civilização com bom nível cultural, persiste a prática de se mutilar crianças em nome de um conceito de beleza, como é o caso de furar as orelhinhas das garotas, muitas vezes recém-nascidas. O que não deixa de ser uma barbárie além da covardia, porque a criança não tem qualquer chance de ser consultada.

Outras práticas contra crianças ainda ocorrem atualmente como por exemplo as mulheres girafas na África e por motivos religiosos a mutilação das genitálias femininas por alguns grupos de muçulmanos e a circuncisão masculina por alguns judeus.

Nos dias atuais existem várias práticas visando atingir um padrão de beleza que seguramente também causa alguma dor e desconforto para atingir o objetivo, como tatuagens, percings, silicones, lipoaspirações  e outros.

Mas existe uma diferença imensa entre poder escolher e ser obrigado a fazer através dos pais.

Além de que as modificações estéticas são benéficas a quem escolheu fazer, bem diferente de quebra de ossos, necrose, arrancar unhas em crianças de 4 anos.

As fotos das crianças são de 1911.

As da senhora não consegui determinar.

A última é de um Raio X mostrando a deformação.


Tags: Carlos Mello, artigo


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




Opinião do internauta

  • Cristiane (11.04.2015 | 19.36)
    Não sei dizer que naquela época as pessoas eram mais ignorantes ou "retardadas". É visível que deformar uma parte do corpo dessa forma traria problemas a pessoa. É desumano, imagina o quanto não sofreram sentindo os pés crescerem dessa forma... :/
  • Resposta do Colunista:

    Concordo contigo Cristiane, e pior é que nestas superstições idiotas sempre prejudicavam as mulheres, os homens espertamente deixavam a parte dolorosa para quem eles diziam que amavam.

    E não sei se não tivesse havido uma abertura forçada para o ocidente, mantendo as tradições culturais, ainda hoje não estaria fazendo a mesma coisa.

    Obrigado pela participação.

Deixe sua opinião

colunas anteriores

Comemoramos hoje - 22.05

  • Dia das Comunidades Eclesias de Base
  • Dia de Santa Rita de Cássia
  • Dia do Apicultor
  • Dia do Hóquei sobre Patins
  • Dia Internacional para a Diversidade Biológica (ONU)
  • Festival de Rosália, em honra das deusas Flora e Vênus (mitologia romana)
  • Santa Júlia de Cartago, virgem e mártir
  • Santa Quitéria, uma santa virgem e mártir do século V