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O governo contra o empreendedorismo

Carlos Mello

07.05.2015

O governo contra o empreendedorismo

A inovação através de novas tecnologias sempre pressupõem mudanças de paradigmas, e estes movimentos invariavelmente encontram resistências de todas as formas, que são compreensíveis quando nos remetem a situações ruins como se adaptar a algum tipo de poluição por exemplo.

Mas quando grupos fazem oposição dirigida a algo que trás vantagens e melhora a vida de todos devido a alguma descoberta, se trata de movimentos patológicos, geralmente de incompetentes e recalcados que destilam ciúmes aos assistir que os outros evoluíram e não aceitam serem superados. E, quando tem poder, forçam todos a estacionarem em seus currais de atraso.

Uma das características destes grupos, para compensar sua menor inteligência, é buscarem o apoio do Estado para intervir na liberdade das pessoas, favorecendo ou obrigando a usarem os seus produtos ou serviços através de regulações que, na maioria das vezes, são simplesmente para manter um mercado cartelizado para grupos específicos. Quando o correto seria o mercado escolher através de um liberalismo e principalmente livre arbítrio dos usuários.

O Estado, normalmente populista, não está realmente preocupado com o que é melhor para uma população e sim agradar a maioria, que em países de baixa escolaridade são ignorantes e sem discernimento sobre o que se decide para eles. São presas fáceis de serem manipuladas e enganadas.

Atualmente o cartel dos taxistas é o maior exemplo deste freio contra a criatividade na busca por amparo da incompetência e contra o interesse dos cidadãos. Trata-se de um aplicativo de caronas chamado de Uber, que funciona assim: Por meio deste app o interessado aciona o programa para pedir uma carona. Com base na localização, trajeto e perfil da pessoa, motoristas cadastrados que estiverem nas redondezas acertam ou rejeitam, se algum aceitar eles conversam por telefone para combinar o ponto de encontro e preço.

Há pouco tempo apareceram outros aplicativos para chamarem táxi pelo smartphone acionando os mais próximos do consumidor, como dispensava o uso das cooperativas, elas sentiram que seu reinado estava afundando e, sem nenhuma surpresa, correram para o governo implorar por uma regulamentação urgente.

Com este Uber, os carteis dos taxistas reagiram furiosos, porque além de dispensar o uso das cooperativas dispensam também o uso de táxis.

Óbvio que quem sempre foi privilegiado não aceita um empreendedorismo que procura desafiar seu status quo. E só por este motivo que simplesmente se opõem à evolução e ao interesse geral. Este setor, em todo mundo, sempre foi um ótimo exemplo de mercado cartelizado e totalmente protegido e por isto completamente blindado da concorrência.  Aqui no Brasil, os serviços de táxis são regulamentados pelas prefeituras, as quais através de licenças permitem apenas determinados grupos a realizarem este serviço, ou seja: Só pode prestar serviços de táxi quem o estado permite.

Mas ironicamente estas autorizações criam um mostrengo econômico que é um cruzamento de socialismo e capitalismo selvagem ao mesmo tempo.

Quando o Estado escolhe os grupos, tabela os preços, diz qual cor usar, determina pontos de espera e cobra pelo alvará, ele usa seu lado socialista. A partir disto entra no pior lado do capitalismo, pois devido a esta reserva de mercado o valor passa a ser muitíssimo maior que o valor cobrado pelo Estado, que varia conforme a cidade. Aqui em Porto Alegre, conforme uma reportagem de Junho de 2011 pode chegar a mais de R$ 400 Mil. (http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2011/06/placas-de-taxi-podem-custar-ate-r-430-mil-no-mercado-ilegal-de-porto-alegre-3352456.html)

Com esta proteção o Estado cria uma casta que, com a garantia estatal, podem alugar ou vender ilegalmente essa licença para algum plebeu que quer trabalhar.

A consequência da ausência de concorrência e fechamento para inovações fizeram com que os táxis se acomodassem e não precisaram se adaptar às necessidades de preço e qualidade que trariam vantagens aos consumidores.

O interessante é que estas novidades fazem com que o Estado limitador fique sem capacidade de agir, pois nenhum estado possui capacidade policial para controlar todos esses aplicativos que tem como função facilitar e intermediar o contato entre duas pessoas.

O correto seria o Estado parar de perseguir quem evolui e faz melhor deixando de interferir na liberdade de escolha somente para garantir lucros de um cartel, pois são inovações que melhoram a qualidade de toda a sociedade. Mas infelizmente se nos basearmos nos antecedentes históricos, o Estado mais uma vez irá ignorar o interesse geral da população e irá atender apenas aos interesses organizados do lobby dos taxistas. Exatamente como ocorrem em outros setores onde sofremos com o excesso de Estado como Telecomunicações, Aéreo, Seguros, etc...


Tags: Carlos Mello, artigo


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




Opinião do internauta

  • Pericles Puleghini (16.05.2018 | 14.25)
    Quando o governo abre linhas de crédito subsidiados para os "empreendedores" Tupiniquins e,através de manobras ( REFIS, por exemplo) acaba perdoando multas, correção monetária e até 90% do principal, você faz críticas ao governo e aos "empreendedores"? Boa sorte
  • Raquel Madruga (08.05.2015 | 10.11)
    Então, eu estava ansiosa para usar o Uber em Porto Alegre, quando fui surpreendida pelo que está acontecendo em São Paulo!!! Absurdo, por isso que o Brasil é o atraso que é! Inacreditável!
  • Resposta do Colunista:

    Pericles, certamente lestes o texto errado.

    Em nenhum momento fiz alguma crítica ao empreendedorismo.

    Dá uma conferida.

    Abraço

  • Resposta do Colunista:

    Raquel, concordo contigo. Sempre na historia da humanidade existiram grupos que se posicionaram contra a criatividade.

    É uma pena que ainda exista espaço para este tipo de gente.

    Obrigado pela participação inteligente de sempre.

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