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Propriedade do Crucificado.

Carlos Mello

18.06.2015

Propriedade do Crucificado.

Tendo em vista a inconformidade de alguns religiosos contra a parada Gay de São Paulo por usarem a figura de uma crucificada no seu desfile anual, onde chegaram a criar uma lei para proibir seu uso por considerarem abusiva e desrespeitosa, apelidada de Cristofobia, cabe uma dúvida. 

Afinal quem é o dono do crucificado?

Primeiro tem que se dizer que parada Gay e tão ridícula e de mau gosto quanto a Marcha para Jesus ou desfiles carnavalescos.

E pior é que estas drogas são financiadas com dinheiro público. Apesar de erradíssimo, é completamente natural no Brasil. Então se é para proibir algo, que seja qualquer repasse de dinheiro público para estes tipos de acontecimentos, que os interessados usem seus exclusivos recursos.

E sobre a propriedade da cruz ou do crucifixo?

Entendo que nem a Cruz ou a figura de péssimo gosto do Crucificado seja de alguma religião, eles que insistem em tentar se apossarem destes símbolos.

A Cruz, que é uma peça rústica, sem nenhum trabalho mais sofisticado, que sequer pode ser considerada como uma invenção, não é e nunca foi propriedade dos cristãos, é um instrumento de tortura utilizado pelos romanos.

O crucificado é a figura de milhares de infelizes que foram assassinados pelos romanos, e atualmente pelos muçulmanos na Síria e Iraque. Então também nunca foi propriedade dos cristãos.

Se eles usam como símbolo e dão significado conforme sua interpretação é outra coisa, mas não possuem sua propriedade, diferente de milhares de símbolos que são desenhados especialmente para algum grupo.

Então como podem querer proibir o uso do que não lhes pertence? Já passou o tempo em religiosos se apoderavam do que quisessem, como símbolos e gestos.

Se acharem que podem regular o uso de algo comprado, então logo estarão criando outras leis para combater a Islamofobia, Afrofobia, Ateufobia, etc.  E mais adiante tentam a volta da queimação nas fogueiras.

Quem comprou estes horrendos instrumentos que enfiem onde quiserem, queimem, tanto faz. O que não podem é nos obrigar a assistir o que fazem, mas isto não estão fazendo. Então ficarem se achando ofendidinhos porque são cristãos é uma frescura igual à parada gay.

Além de que o uso da iconografia da crucificação é utilizado em revistas, teatros, penduricalhos, objetos de uso sexual, filmes, em quase tudo. Mas quando é usado para pedir o fim da violência contra gays (outra frescura) então não pode.

Pior é que a turma que acha desrespeitoso usarem o Crucifixo, é a que menos respeita as leis, a laicidade do Estado, que quer obrigara a sociedade a seguir o que acham certo, que importunam tocando sinos TODOS OS DIAS para TODOS ouvirem, que colocam suas frases no preambulo da Constituição, nas cédulas, fazem lavagem cerebral nas crianças, ... a lista é longa.

Se não gosta não assista, não comenta, deixe de se importar. Isto seria a melhor solução.

Mas os que se exibem, com exagerado mau gosto, sabem que encontrarão eco em alguns providos de pouca inteligência e por isto apostam certo na “propaganda” gratuita feita pelos “incomodados”. Pois se pensassem saberiam que estão fazendo exatamente o que foi planejado pelos seus “inimigos”.

Isto aconteceu com o caso da propaganda do Boticário. Que até parece que foi combinado com o pastor Malafaia para alavancar espetacularmente sua propaganda.

Os espertos se aproveitam da burrice alheia para sua divulgação.

E pelo jeito este tipo de propaganda tem um futuro brilhante por aqui.


Tags: Carlos Mello, artigo


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




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