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FUTEBOL – A politica do pão e circo.

Carlos Mello

29.10.2015

FUTEBOL – A politica do pão e circo.

Para quem gosta de textos clássicos e ainda incrivelmente atualizadíssimo aqui vai um:

Carta de Vespasiano a seu filho Tito - 22 de junho de 79 d.C.

Tito, meu filho, estou morrendo. Logo eu serei pó e tu, imperador. Espero que os deuses te ajudem nesta árdua tarefa, afastando as tempestades os inimigos, acalmando e os vulcões.
De minha parte, só o que posso fazer é dar-te um conselho: Não pare a construção do Coliseu. Em menos de um ano ele ficará pronto, dando-te muitas alegrias e infinita memória.
Alguns senadores o criticam, dizendo que deveríamos investir em esgotos e escolas. Não dê ouvidos a esses poucos.

Pensa: Onde o povo prefere sentar, num banheiro, num banco de escola ou num estádio?

Num estádio, é claro.
Será uma imensa propaganda para ti. Ele ficará no coração de Roma e sempre que o olharem dirão: “Estás vendo este colosso? Foi Vespasiano quem o começou e Tito quem o inaugurou”

Outra vantagem do Colosseum: Ao erguê-lo, teremos repassado dinheiro público aos nossos amigos construtores, que tanto nos ajudam nos momentos de necessidade.
Moralistas e loucos dirão que mais certo seria reformar as velhas arenas. Mas todos sabem que é melhor usar roupas novas que remendadas, até um cego vê isso. Portanto, deves construir esse estádio em Roma.
Enfim, meu filho, desejo-te sorte e deixo-te uma frase: Para seduzir o povo, pão e circo.
Esperarei por ti ao lado de Júpiter.


Vespasiano morreu no dia seguinte à carta. Tito inaugurou o Coliseu com 100 dias de festa. Tanto o pai quanto o filho foram deificados pelo senado.
Ele estava certo. Ninguém lembraria se tivesse investido em escolas e esgotos. O Coliseu, mesmo em ruínas e quase dois Mil anos depois continua trazendo lucro à Itália e atraindo milhares de pessoas para vê-lo. Nenhum turista se interessou por alguma construção de ensino daquela época.

Atualmente em republiquetas como essa aqui continua igual. Esta politica do pão e circo existe há séculos, só que naquela época o mundo era povoado por poucas tribos ignorantes em tudo. Atualmente a facilidade de divulgação de informações e aumento geral da cultura tem criado um maior número de pessoas conscientes que rechacham esta ideia e que, apesar de ser minoria, felizmente só cresce a cada dia.

O futebol, como qualquer esporte, é bom para ensinar trabalho em equipe, disciplinar e para estimular a socialização das crianças. Mas como fenômeno de massa e a mercantilização exacerbada que adquiriu na grande mídia é um desastre, pois como cultura é algo fútil e inútil, tanto que acaba elegendo jogadores e técnicos com nenhuma escolaridade, salários de reis e discernimento de toupeiras como ídolos.

Gostar deste esporte, ou outro estilo, é normal, mas aqui o povao, principalmente entre os menos incultos, este gosto vira um ridículo fanatismo, por isto é comum ver pessoas dizendo “O meu time venceu”; “Estou feliz porque nós ganhamos”, e por conta desta sensação de falso triunfo que advém de cada vitória, e da raiva que vêm com cada derrota, se comportam como retardados que não ganharam ou perderam absolutamente nada. Deviam se dar conta que não são sócios nos lucros do time e que os times são empresas comerciais como a GM, Ford, Dell, etc. Os jogadores não jogam por algum idealismo e sim por dinheiro, mudam de time para o que pagar melhor. Nisto são parecidos com os nossos políticos.

O torcedor fanático por futebol, na verdade qualquer fanatismo, tem que ter QI menor que médio, só isto justifica alguém ser pobre e pagar caro para levar cusparada, restos de refrigerantes, ficar cercado de outros aos berros, ser xingado só para poder dizer “Sou campeão” E quando o jogo termina volta para casa como um perfeito idiota feliz. Ganhou o quê?

Pior é ver vários tipos de mídias que por total falta de inteligencia ocupam seus principais espaços com comentários sobre futebol, que de novidade tem somente os erros de concordância ou de pronúncia das palavras e com isto resulta numa insistência para manter uma geração pobre de espírito e cultura.

Mas felizmente aquela minoria de pessoas conscientes e mais cultas, citada acima, tem crescido muito e quem sabe daqui há pouco tempo este cenário de milhares de fantoches imbecilizados pela manipulação comercial alienante comece a diminuir.


Tags: Carlos Mello, artigo, coluna


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




Opinião do internauta

  • Guga (06.04.2016 | 17.05)
    "O futebol, como qualquer esporte, é bom para ensinar trabalho em equipe, disciplinar e para estimular a socialização das crianças. Mas como fenômeno de massa e a mercantilização exacerbada que adquiriu na grande mídia é um desastre, pois como cultura é algo fútil e inútil, tanto que acaba elegendo jogadores e técnicos com nenhuma escolaridade, salários de reis e discernimento de toupeiras como ídolos." Perfeito, sem mais, e assumo que me senti um pouco "idiota", porque gosto de futebol, mas não posso olvidar que seu texto explanou a mais pura verdade.
  • Resposta do Colunista:

    Guga

    Obrigado, é que a maioria gosta pelo “efeito manada”. Porque a turma é boa, porque o pai gosta, porque não se deu conta que existem outras opções. Eu acho um ótimo esporte, mas para praticar e não ficar sentado vendo os outros praticarem.

     

    Obrigado pela participação

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