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Não chores por mim Camila (Conto)

Carlos Mello

03.03.2016

Não chores por mim Camila (Conto)

A Camila é uma mulher de 36 anos que teve um dia triste, sua cadelinha poodle chamada Mel, que adotou com dois meses de vida, acabara de morrer depois de treze anos, e aquilo era uma dor muito forte para quem havia criado um vínculo com seu animal de estimação. Apesar da dificuldade em adormecer, devido à compulsão do choro, acabou sendo vencida pelo cansaço.

De madrugada acordou com uma voz lhe chamando.

“Ei Camila, acorda, acorda, sou eu, a Mel”.

A garota, apesar de ser cética em relação a espíritos ou coisas parecidas, ficou tão extasiada de alegria por rever sua cadelinha que abandonou sua racionalidade e ficou escutando.

“Cindy vejo que estás chorando porque chegou meu momento de partir, então quero dizer algumas coisas:

Sei que não acreditas em anjos, eles não existem como nas figuras míticas, e sim como pessoas reais dotadas de amor e bondade, e tu és uma destas pessoas.

Estás triste porque fui embora, mas era minha hora de partir, a natureza nos fez ter um ciclo pequeno se comparada à vida humana e por isto que vivemos o presente intensamente, desfrutando cada pequena coisa da nossa vida e esquecemos o passado ruim rapidamente.

Eu tive sorte e fui muito feliz porque te conheci. Quantos como eu morrem diariamente sem ter conhecido alguém especial?
Nós animais às vezes passamos tanto tempo sozinhos à nossa própria sorte só conhecendo o frio, a sede, o perigo e a fome sem termos algum lugar protegido para dormirmos. Vemos muitos rostos todos os dias e ainda assim não temos discernimento para saber quem pode nos ajudar ou maltratar.

Por isto é muita sorte se, entre tantas pessoas que passam, uma que nos recolha e ajude, que nos assuma, nos deem um nome, o que nos torna especiais.

Tu tens ideia de como isto é valioso para nós? De termos a segurança de um lar? De não precisarmos viver com medo, fome, frio, dor e perigo?

Tu não tens ideia do quanto feliz me fizestes? Pra nós qualquer casa é um palácio, e o principal: Não fiquei sozinha, nenhum animal gosta de solidão, o que mais se poderia pedir?
Eu sei que te entristece a minha partida, mas era meu tempo de ir. Quero te pedir que não se culpe por nada. Te ouvi soluçar que deveria ter feito algo mais por mim. Nunca pense nisto, fizestes muito por mim! Sem ti eu não teria conhecido nada da beleza que vivi, do amor que me foi dado quando seguravas minha pata, do companheirismo em minha velhice.

Não chores mais. Eu tive muita sorte em te encontrar e também saber que te fiz feliz em tantos momentos, lembre-se das minhas brincadeiras, guarde na lembrança a gratidão que eu te transmitia através de meu olhar.

Vou pedir uma coisa:
Não guardes este amor que tens por medo de sofrer com alguma perda. Adote outro animal, pois existem milhares sonhando com alguém, como eu estive. Dê-lhes o que tu me destes, compartilhe essa maravilhosa fonte de afeto com outra criatura que deve estar em dificuldades, pois para nós, pessoas como tu são como anjos que existem de verdade.
Fico muita grata por teres me proporcionado uma família. Agora lave o rosto e volte mostrar teu sorriso guardando as nossas boas lembranças como uma imagem da minha felicidade por eu ter encontrado uma humana de verdade”.

Ao acordar de manhã Camila estava sentindo-se melhor, estava mais conformada e feliz, pois sabia que tinha tido um belo sonho.


Tags: Carlos Mello, artigo, coluna


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




Opinião do internauta

  • Maria Gourgues (04.03.2016 | 13.59)
    Gostei, bem legal. Camila não é o nome da tua filha que é artista? Tem alguma relação?
  • Resposta do Colunista:

    Tenho duas filhas, ambas estão no ramo artístico. Camila é sim o nome de uma das minhas filhas, ela fabrica joias. A outra é modelo, que também é uma arte. Ambas moram fora do brasil.

    Obrigado pela participação.

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