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A roupa nova do rei

Carlos Mello

01.12.2017

A roupa nova do rei

Atualmente existe um alto percentual entre a população, que ou por não ter cultura ou por fingir a possuem, ou ambas, são enaltecedores de falsas artes, pseudociências, religiões, líderes populistas, etc.

Neste contexto cabe na medida este antigo conto, também conhecido por “O Rei Está Nu”

“... Era uma vez um rei, cercado de seus cortesãos, nobres, religiosos, militares e povo.

Adorava exibir roupas novas e para manter essa vaidade gastava muito dinheiro.

Seu séquito era formado por aduladores.

Um dia apareceram no reino dois espertos visitantes e se apresentaram como tecelões, logo fizeram chegar ao rei a notícia de que eram capazes de criar as mais lindas confecções e que tinham uma característica especial: As vestes por eles confeccionadas somente poderiam ser visíveis para as pessoas de alta inteligência; Aquelas destituídas de inteligência ou que não eram aptas aos cargos que ocupavam não seriam capazes de vê-las.

O rei imediatamente quis conhecer esta maravilha para seu uso e também pensou que seria uma maneira de descobrir os incompetentes de sua corte.

Os espertalhões pediram vultuosa quantia para realizar o modelo, que logo foi aceito pelo rei. Eles trouxeram seus teares, pediram muito dinheiro, exigiram fios de ouro e puseram-se a tecer com suas lançadeiras, onde nada havia.

Dias depois o rei estava muito curioso por saber do andamento dos trabalhos. Pensou em fazer uma visita real, mas a ideia de que apenas os capazes poderiam ver a maravilhosa obra o inquietava e pensou que seria melhor enviar alguém antes, e então decidiu enviar seu primeiro ministro.

Relutante, lá se foi o ministro, atormentado pela dúvida de ser ou não capaz de ver. E quando chegou ficou aterrorizado, pois viu nada nos teares, por mais que os tecelões descrevessem as belezas apontadas. Apenas concordava, atônito com sua incapacidade. Tratou de decorar o que lhe diziam para reproduzi-lo ao rei. Pois sabia que na cidade o povo ansiava para saber quem eram os incompetentes.

O rei ficou satisfeito com o que o ministro lhe relatou, dias depois enviou à oficina um fiel oficial para verificar a conclusão dos trabalhos.

A história repetiu-se, por mais que o oficial se esforçasse por ver alguma coisa. Mas devido a sua preocupação em manter-se no cargo, teceu elogios aos lindos tecidos que pensava ali estarem. E o rei fez mais uma complementação de dinheiro solicitada pelos “laboriosos” artesãos.

No reino o assunto era a maravilhosa confecção que em breve todos veriam.

Um dia o rei resolveu, não aguentando a expectativa, ir pessoalmente visitar o tear, foi acompanhado de seu ministro, oficiais e cortesãos.

Encontrou-os ocupadíssimos diante dos teares vazios. Para seu horror, nada via. Mas escutou os elogios de seus asseclas, salvou-se de sua aflição também elogiando a obra, aprovando-a, no que foi seguido pelas exclamações de deslumbre de todos os que o seguiam.

No dia seguinte tinha uma festa real e, sempre acompanhado, o rei foi “vestido” pelos tecelões para o desfile, com todos elogiando a obra. Pois ninguém queria passar por incompetente perante os outros.

O rei desceu da carruagem e saiu desfilando sua roupa nova, seguido por seu séquito enquanto o povo, espantado com a maravilhosa veste que deveriam estar vendo, mas como ninguém queria passar por ignorante, aclamavam a beleza da nova roupagem real.

Mas imersa na multidão, havia uma criança que ficou espantada ao ver aquela cena e inocentemente gritou:

“O Rei está Nu!”

Como as pessoas sabiam que a criança não era fingida, se deram conta da ridícula mentira que estavam sustentando e começaram a rir da nudez real passando a gritar em coro: “O Rei está Nu!”

O rei enfureceu-se ao perceber toda a farsa enquanto os espertos e pretensos tecelões sumiam. Mas para não perder a pose, continuou o desfile com seus seguidores segurando a cauda inexistente.

Aqui cabe uma reflexão sobre quantos “falsos estilistas” estão se multiplicando, principalmente nas artes, onde se apresentam como cultos e postam trabalhos que estão muito longe de ser algum tipo de arte, e são aplaudidos por uma legião de pessoas cheias de soberbas que não querem passar por desentendidos e aceitam o papel de hipócrita desinformado.

Alguns exemplos mundiais:

Yoko Ono “Cantando”.


Rocha de 340 toneladas no Museu de Arte de Los Angeles


Óculos de um adolescente caído no chão do Museu de Arte Moderna de São Francisco (EUA) é confundido com obra de arte.


Tags: Carlos Mello


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




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