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Significado e origem da expressão coloquial “Tchê”

Carlos Mello

28.08.2018

Significado e origem da expressão coloquial “Tchê”

O uso do pronome “tu” é uma característica muito mais gaúcha do que brasileira, mas o “Tchê” é um verdadeiro atestado de sulista, pois sequer está no idioma português, na América portuguesa é uma exclusividade nossa. Além da nação gaúcha, também o utilizam o Uruguai e a Argentina.

O Tchê não é um pronome ou um substantivo, é uma expressão coloquial utilizada com o mesmo sentido de “amigo”, “companheiro” ou “cara”.

Exemplos: “Tchê, parabéns pela conquista!”, “Tchê, que bom te encontrar!”; “Como vais Tchê?”

O termo “Bá Tchê” é uma contração da exclamação “Barbaridade Tchê”

A origem do Tche:

O latim, por mais de mil anos, influenciou muito na formação dos idiomas da Europa Ocidental, como o Português, Italiano, Francês e Espanhol.

Nestes séculos também predominou a ignorância e o consequente fervor religioso. Com isto era normal usarem expressões apoiadas em crendices como “Vá com Deus”; “Que Deus te abençoe”, “Deus me livre”. Inacreditavelmente, em pleno século 21, ainda tem quem fale dessa maneira.

Do latim a palavra “Caelestis” (se pronuncia tchelestis) que significa celestial e era muito usada nestas expressões religiosas, acabou sendo abreviada para “Che” pelos espanhóis. O “Tchê”  usado por nós é um aportuguesamento desta expressão.

Após séculos de uso a expressão foi incorporada definitivamente no idioma espanhol como referência de sentimento e exclamação e principalmente para se dirigir de forma carinhosa às pessoas.

Com a colonização da América, os espanhóis trouxeram essa expressão, e como o Rio Grande do Sul sofreu grande influência dos vizinhos uruguaios e argentinos, incorporou o Tchê em seu vocabulário.

O conhecido covarde e criminoso guerrilheiro argentino, que participou da revolução cubana, Ernesto Guevara, era chamado de "Che". Apelidado assim por seus comparsas cubanos devido ao costume de usar esta expressão.

Existe uma versão de que a expressão teria se originado de uma antiga tribo indígena da região da Patagônia chamada Mapuche, e que seriam chamados de “che”.

Mas esta suposta tribo não teria como influenciar vários países, até porque a expressão já existia na Europa. Além de que índios nunca influenciaram em nada na história da humanidade, a não ser para dar nomes a locais geográficos.

Em Maio de 2013, aqui nesta coluna, escrevi sobre o uso do pronome “você” que muitos daqui do Sul, muito infelizmente, estão usando no lugar do pronome “tu”.

Não sou contra mudanças, se acham melhor que o usem. Pessoalmente não consigo sequer pronunciar este “você”.

Um abraço, Tchê!


Tags: Carlos Mello, artigo, coluna


Carlos Mello é formado em Economia pela UFRGS, trabalha com Avaliações Financeiras e Cálculos Periciais. Reside em Porto Alegre.

Email: carlosmello@ufrgs.br
Telefone: (51) 99113-2232




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