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Alice Cooper e o caso Falcão

Ilgo Wink

01.06.2011

Alice Cooper e o caso Falcão

O astro do rock, o homem que parecia ter pacto com o demo, que fazia shows com sangue, cobra, e tudo mais que pudesse impactar e chocar o público, foi flagrado nesta terça-feira jogando golfe no requintado Country Club, junto das ‘elite’, como diria um certo ex-presidente.

Alice Cooper é mais uma prova do quanto as pessoas podem mudar com o tempo. O roqueiro ‘maldito’ é hoje um senhor de 63 anos, que talvez faça shows com pinceladas de terror, mas já não assusta ninguém, não escandaliza, ainda mais aqui neste Brasil de tantos escândalos.

Mas Alice Cooper sempre será um símbolo, uma legenda, um ícone, com admiradores por todo o planeta.

Fosse ele um ex-jogador de futebol, consagrado e festejado, talvez passasse por situações desconfortáveis como as que assombraram Renato recentemente e Falcão agora.

Renato, o ídolo, o craque da maior conquista tricolor, foi vaiado e, dizem, até chamado de burro. Poucos dias depois chegou a vez de Falcão, o craque dos anos 70, o Rei de Roma. O ídolo que a direção colorada na ânsia de imitar a experiência gremista tirou das cabines dos estádios para a beira do campo, onde as emoções são mais agudas e a remuneração robusta, mas onde se paga um preço alto em caso de fracasso.

Renato vive essa realidade há mais tempo, de modo contínuo. Falcão retoma a carreira de técnico depois de longo tempo.

Renato está com ritmo de jogo, conhece as manhas do vestiário no futebol do século 21; Falcão perdeu a embocadura. Tenta adequar-se à rotina pantanosa do vestiário, onde tem mais gente querendo puxar o tapete do que nas equipes de transmissões esportivas.
Quando ele foi contratado escrevi que era um equívoco. Um equívoco dele e do Inter. Falcão é inteligente e ainda pode dar a volta por cima, mas acho que entrou em contagem regressiva.

Em breve deverá juntar-se a ‘los invictos’, forma como o técnico campeão do mundo pela Argentina, Cesar Menotti, se referia aos cronistas esportivos. Já não será vaiado e, talvez, nem chamado de burro.

Falcão poderá, então, praticarem paz o seu esporte preferido, que não é o golfe do vovô roqueiro, mas o tênis.


Ilgo Wink é jornalista formado pela Ufrgs. Trabalhou na Folha da Tarde, Correio do Povo, Rádio Guaíba, Rádio da Universidade e TV Bandeirantes. Hoje, dirige a WComm Comunicação Ltda.  Nas horas vagas produz cerveja artesanal e mantém o blog: botecodoilgo.com.br.

E-mail: ilgowink@gmail.com

twitter: twitter.com/ilgowink



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