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Ronaldinho, a BM e os cartazes

Ilgo Wink

28.10.2011

Ronaldinho, a BM e os cartazes

É só o que faltava: a Brigada Militar quer proibir o ingresso de cartazes ofensivos a Ronaldinho neste domingo, no Olímpico.

A decisão, baseada no estatuto do torcedor, vai jogar mais combustível no fogo.

As faixas ‘homenageando’ o jogador mais famoso criado no clube desde 1903 servem como catalisadoras da raiva acumulada da grande maioria dos gremistas.

Se não puderem portar faixas como ‘Pilantra’ ou imitando cédulas de dinheiro com a estampa do traidor, o que resta ao torcedor?

Mais indignação, é o resta. Mais raiva, mais revolta, mais sede de vingança. E como colocar para fora todos esses sentimentos?

Com gritos, com vaias, com cantorias. Mais de 40 mil pessoas formando o maior coro que já existiu no estádio de futebol para ofender alguém.

Será que todos vão ficar satisfeitos ‘apenas’ com essa tipo de manifestação? Os cartazes, sem armação com material sólido, teriam (tem) uma importante função nesse quadro belicoso que se arma para o jogo contra o Flamengo como uma assustadora tempestade que se aproxima, escurecendo o céu, transformando o dia em noite.

Temo que a ação da BM, absolutamente inédita em estádios de futebol – a BM vai agir assim também em outros jogos? – e pouco inteligente, acirre ainda mais os ânimos. Há quem imagine que os ânimos já estão exaltados o suficiente, mas sempre é possível agravar a situação.

Sem os cartazes, é provável que alguns torcedores direcionem suas energias para outro tipo de ação, partindo até para algum tipo de agressão física, o que poderá alegrar muita gente, mas que sem dúvida será péssimo para o clube.

Como já escrevi, a obra dos Assis Moreira está incompleta.

Não tenho dúvida que Ronaldinho e seu irmão não se incomodariam se, em troca de uma pedrada, o Olímpico fosse interditado por longo tempo.

Por isso, não afasto sequer a possibilidade de que Ronaldinho, de alguma maneira, se comporte de maneira provocativa, debochada.

Por enquanto, a única ação no sentido de ampliar o grau de risco do reencontro de Ronaldinho com a torcida gremista é apenas de quem justamente deve zelar pela segurança: a BM.

OLÍMPICO VAI RUGIR

Se o Grêmio estivesse numa situação melhor no campeonato, com possibilidade concreta de lutar por vaga na Libertadores, o jogo contra o Flamengo talvez ficasse em primeiro plano. É claro, haveria todo esse clima hostil contra Ronaldinho, mas talvez fosse menor. A mobilização seria pelo vitória, não pela vingança.

É claro que ainda resta uma pequena esperança, mas está quase impossível chegar em quinto lugar no campeonato. Se vencer o Flamengo, ainda assim o Grêmio ficará na posição atual, atrás até do Figueirense.

Se perder, então, pode até sair dos ‘dez mais’, o que não significa grande coisa. Portanto, hoje, o que interessa é a vingança.

O Olímpico vai rugir.

Ronaldinho vai saber, enfim, a dimensão do ódio gremista por sua pessoa.

Não deve ser fácil volta à terra natal sabendo que tem contra si ao menos metade da população.

Ronaldinho até pode disfarçar, fingir que não se incomoda.

Mas terá de conviver com o fato de que ele, querido e festejado em todo mundo, jamais o será na própria aldeia.


Ilgo Wink é jornalista formado pela Ufrgs. Trabalhou na Folha da Tarde, Correio do Povo, Rádio Guaíba, Rádio da Universidade e TV Bandeirantes. Hoje, dirige a WComm Comunicação Ltda.  Nas horas vagas produz cerveja artesanal e mantém o blog: botecodoilgo.com.br.

E-mail: ilgowink@gmail.com

twitter: twitter.com/ilgowink



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