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Não me convidaram pra essa festa de ricaços

Ilgo Wink

13.01.2019

Não me convidaram pra essa festa de ricaços

Não me convidaram pra essa festa pobre… Não me sai da cabeça essa frase do grande Cazuza, e eu fico cantarolando por aí, nem sei bem por que. Quer dizer, sei, mas com troca do adjetivo ‘pobre’ por ‘rica’.

Sim, tem uma festa rica rolando por aí. Não, não é em Jurerê Internacional com seu desfile de Ferraris, ou em Fernando Noronha com as belas atrizes globais, ou em Miami.

A festa a que me refiro acontece no futebol, mais exatamente em Rio e São Paulo, onde dois clubes navegam em águas mornas, límpidas e transparentes. Nelas Palmeiras e Flamengo deslizam em iates deslumbrantes, sem ligar para a crise no entorno.

E o entorno é de quase miséria. Os clubes com gestões responsáveis, como a do Grêmio, sofrem como eu, nos meus tempos de piá em Lajeado, louco para entrar numa festa, mas sem dinheiro até para o sanduíche de mortadela, esse mesmo que era distribuído fartamente na recente eleição.

Sem o dinheiro que abunda no Palmeiras e no Flamengo, o Grêmio sua para repor peças e reformular o grupo, enquanto os dois novos marajás do futebol brasileiro vivem numa bolha de felicidade, com dinheiro demais e, por enquanto, títulos de menos.

A esperança que tenho é que essa bolha estoure, porque esses dois clubes, em sua festinha de novo-rico, regada a champanhe francês, se credenciam para grandes conquistas.

Contratam quem eles querem. Ou quase. Pelo menos atormentam a cabeça dos dirigentes e fazem sonhar os atletas cogitados. Todos querem participar dessa festa.

Está cada vez mais difícil resistir. A ofensiva no momento, a mais forte, é em cima de Geromel e Kannemann, citado por Abel Braga, o milionário técnico do Flamengo. E ainda tem os argentinos, como o Boca, por exemplo, louco para desmanchar a melhor dupla de área do futebol sul-americano.

No caso do Kannemann, parece que é o empresário dele que tenta alguma transação. Ora, o Grêmio remunera bem demais seus principais jogadores. Penso que Kannemann deveria dar uma paratequieto em seu empresário. A não ser que esteja participando desse jogo menor, pequeno, que destoa do que ele já mostrou. A camisa do Grêmio parece uma tatuagem de nascença no Kannemann, mas que aos poucos está esmaecendo diante do seu silêncio.

Resta à direção do Grêmio fazer com que Kannemann e Geromel cumpram seus contratos em vigor – os contratos não são para preservar também os clubes?

É o que me resta enquanto acompanho de fora, olhando pela vidraça, a festança dos milionários do futebol brasileiro.

“Fiquei na porta estacionando os carros…”


Tags: Ilgo Wink, esporte, inter, grêmio, futebol


Ilgo Wink é jornalista formado pela Ufrgs. Trabalhou na Folha da Tarde, Correio do Povo, Rádio Guaíba, Rádio da Universidade e TV Bandeirantes. Hoje, dirige a WComm Comunicação Ltda.  Nas horas vagas produz cerveja artesanal e mantém o blog: Blog do Ilgo.

E-mail: ilgowink@gmail.com

twitter: twitter.com/ilgowink




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