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O BRASIL, MESMO ASSIM, VAI SEDIAR A COPA DE 2014

Erner Machado

06.12.2011

O BRASIL, MESMO ASSIM, VAI SEDIAR A COPA DE 2014

O poeta e contador de estórias que subscreve esta matéria, diante das considerações feitas, corre o risco de ser taxado de ridículo por manifestar sua opinião sobre assunto tal envergadura e sobre o qual ele não tem muitos conhecimentos.

Mas, como é da fronteira e tem convicção de que o diabo sabe para quem aparece, se permite dizer o que sente:

• Temos graves problemas na área de Segurança publica em todos os estados e em todas as cidades brasileiras. A linha de frente das autoridades encarregadas das operações diz que precisamos de altos investimentos em pessoal, equipamentos, logística, inteligência e em planos globais se segurança... mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• Temos graves problemas na área habitacional, com milhares de brasileiros que não tiveram, ainda, acesso a casa própria, sendo obrigados a aglomeraram-se em casas de papelão, lata velha ou caixotes de madeira, para abrigarem-se e abrigarem suas famílias...mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• Temos problemas gravíssimos, em todo país, de pessoas adultas, homens e mulheres, velhos e crianças, morando nas ruas, pedindo nas sinaleiras, mal alimentados, doentes, bêbados, carentes de uma política pública e social que lhes resgate a cidadania... mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• Temos uma enorme leva de desempregados que buscam na atividade informal, venda de bijuterias, artigos contrabandeados do Paraguai, CDs piratas, uma forma de manterem-se a si e a sua família. Eles e a sociedade clamam por programas geradores de empregos, que nunca chegam e que nunca chegarão... mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• Temos um contingente enorme de brasileiros que perambulam pelas estradas acompanhando os lideres do MST, que clamam por reforma agrária que lhes garanta a propriedade de módulos mínimos de terra, e de políticas que lhes proporcionem conhecimento e meios de produção, para construírem suas vidas e as vidas de seus descendentes, aumentando a qualidade de vida e gerando riqueza para o Pais. E clamam há anos.... mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• Temos milhares de pessoas doentes, que buscam os hospitais públicos para obterem tratamento para suas dores. Entram nas filas, enormes filas, esperam horas e dias para quando forem atendidas, de má vontade, receberem a informação de que a tão esperada consulta só vai acontecer daqui a dois meses. Se acontecer... mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• Temos milhares de crianças, sem escola pública, e as que têm acesso ao ensino recebem conteúdos de péssima qualidade, com carga horária insuficiente que não os qualifica para concorrem com os filhos dos brasileiros mais privilegiados que estudam em escola particular. Os professores são mal pagos, os pais não interagem com a escola, os alunos veem nos bancos escolares uma obrigação e não uma motivação para mudarem o curso de suas vidas... mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• Temos milhares de universitários que, acabado o último ano do curso escolhido, são jogados em mercado de trabalho que não tem capacidade de absorver seus conhecimentos e sua mão de obra e aviltam em estágios sem remunerações ou com remuneração humilhante e com grande incidência de desvio de capacidades, porque é o que tem e não podem deixar passar a oportunidade de aceitar a miserável relação de trabalho.... mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• Temos uma população de negros e de índios que, por estarem abaixo da linha de miséria, perambulam pelo campos, pelos arredores das nossas cidades, grandes ou pequenas, e encontram no roubo e nas drogas a forma de ganharem suas vidas e aliviarem suas miseráveis dores.... mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• Temos problemas no tráfego aéreo, cuja culpa não é dos controladores, mas de falta de estrutura e de equipamentos, de áreas físicas em aeroportos, por ausência de uma política reguladora e fiscalizadora que evite acidentes como o que aconteceu, há pouco tempo, em Congonhas (SP) matando quase duzentos brasileiros... mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• Nossas Forças Armadas, (Exército, Marinha e Aeronáutica) estão se tornando obsoletas, como Instituições encarregadas da mais alta defesa da Pátria. Veículos do século passado, navios e lanchas ridículas, aviões que são uma temeridade... mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• A Brigada Militar do Rio Grande do Sul, e de todos os Estados, se encontra de igual maneira. Os seus integrantes, para sobreviverem, com evidente desvio de função, são obrigados a fazer “bicos“ em boates, bingos, Postos de Gasolina, prostíbulos, etc..., o que os deixa muito próximos, por conseqüência, da área onde operam, dos delinquentes...., mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• Nossas pesquisas cientificas, nas Universidades deixaram de ser prioridades, por falta de verbas e por falta de cientistas, que emigraram para outros países em busca de remuneração e reconhecimento... mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• Temos um grau muito grande de corrupção em todas as instâncias dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A Polícia Federal tem se esforçado para desmanchar estes nichos cancerosos de nossa Pátria. Recebeu seguidamente, ordem de “aliviar” a pressão sobre os investigados que tem foro privilegiado... mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• Temos um sistema prisional altamente deficitário onde o preso, ao invés de receber condicionamento recuperador de seu caráter, que lhe permita voltar ao convívio social e cadeia produtiva de trabalho e renda, recebe iniciações que o habilitam a exercer com mais sofisticação o ato de delinquir... mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• Temos estradas em péssimas qualidades de tráfego, que a cada fim de semana e a cada feriado deixam saldos indescritíveis de mortos e feridos. O problema é grande e exige uma imediata atenção das autoridades. Mas o problema persiste há anos e a atenção não fica além de promessas não realizadas... mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• Temos CPIs não resolvidas, nas quais os acusados, por artifícios maquiavélicos, politicamente montados, passam de acusados a vitimas, envergonhado o Brasil, perante outras Nações... mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• Todos os anos, milhares de jovens deixam o país, com destino a outras pátrias em busca de oportunidade de trabalho que aqui não existem por falta de visão e de investimentos Institucionais que fossem capazes de reter a inteligência nacional, como forma de criar uma reserva que conduzisse o pais, no futuro, aos rumos a que todos desejamos... mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• A FIFA exige que o Brasil mude legislações internas e vai auferir bilhões de reais em lucro decorrente do processo financeiro da copa. Este valor exuberante, com certeza, vai ser deslocado de alguma área essencial das contas publicas... mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• Temos outras tantas circunstâncias desabonadoras como país e como povo que não nos qualificam para eventos desta natureza que serão realizados em detrimento de melhorias que poderiam ser feitas em nosso país.... mas, assim mesmo, o Brasil vai sediar a copa de 2014;

• Talvez um dia façamos uma reflexão profunda, como Cidadãos, como Governantes e como Nação e compreendamos que não deveríamos ter sediado a copa de 2014 porque, mesmo sendo o País do Futebol, não tínhamos condições Morais, Financeiras e Econômicas para um projeto que nada acrescentaria ao nosso povo, a não ser a ilusão do espetáculo cujos atores milionários realizam por amor ao dinheiro, sem saber das necessidades e anseios verdadeiros de nosso povo.

• Talvez digamos, como conclusão, que: independente da condição de miserabilidade de nosso país e de nosso povo, assim mesmo, o Brasil com teimosia infantil, sediou a copa de 2014.


Tags: Erner, artigos, textos


Erner Antonio Freitas Machado, é natural de Rosário do Sul, trabalhou no Banco da Província, no Banco da Amazônia e na CRT (Telefonica-BRT).

Escreveu O AZUL PROFUNDO, livro de poesias. Colabora com a FOLHA DO LITORAL, de Capão da Canoa e com diversas mídias eletrônicas, destacando LITORAL MANIA, de Xangri-lá e BLOG DO PAULO NUNES de Vitoria da Conquista -BA.

Está trabalhando na coletânea de Prosa e Poesias de sua autoria que vai publicar, com o nome de NOVOS TEXTOS.

e-mail: ernermachado@gmail.com




Opinião do internauta

  • Valdir Oliveira (08.12.2011 | 19.51)
    Oportuna a dissertação. A Alemanha está ainda hoje pagando os custos da Copa do Mundo. Na África do Sul, comenta-se sobre a possível demolição da maioria dos estádios por falta de utilidade. E o povo continua como antes. As Olimpíadas, na Grécia, é um dos motivos da atual crise porque passa o país. A Inglaterra está preocupada porque os custos para as Olimpíadas do ano que vem, estouraram o orçamento. E pode cair o governo. O grande problema nosso é o otimismo. Desde os tempos de Cabral. Racionalismo nos faria bem.
  • Luiz Ernani (08.12.2011 | 08.46)
    Mesmo concordando com a maioria dos teus argumentos, tenho uma visão mais otimista sobre o momento atual do Brasil: vivemos uma época de menor desemprego das últimas décadas, mão de obra qualificada está vindo para o Brasil e não saindo (há um movimento de retorno de parte dos brasileiros que sairam em busca de oportunidades), um número muito grande de brasileiros está tendo condições de consumo que estão aquecendo as vendas em todos os setores, estamos entrando em um círculo virtuoso da economia justamente em um momento em que Europa e Estados Unidos vivem momentos de terríveis dificuldades. Isto não significa que os problemas não existam e a maioria deles estão aí descritos no seu texto. O momento de discutir a oportunidade ou não da Copa já passou - foi quando nos candidatamos a realizá-la. Agora é tentar tirar algum proveito econômico do evento e fiscalizar o que for possível (tarefa difícil quando os órgãos de controle são inoperantes). Abraço.
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