Últimas notícias

Colunistas

RSS
Vinhos

Erner Machado

22.03.2012

Vinhos

( aos meus amigos que apreciam silêncios e vinhos...)


Quando tomo um vinho branco,
Navego em rios de prata com margens de geadas,
Destas velhas geadas que caem na fronteira
E que são capazes de congelar os silêncios

das palavras que eu não disse.

Quando tomo um vinho bordô.
Navego em rio vermelho de paixão e sangues.
De duelos travados por fidalgos,
Na solidão de bosques seculares,
Sob o olhar atento do luar que se derrama,
Colorindo, com suas luzes, as velhas árvores...

Quando tomo um vinho tinto,
Sinto na boca a secura dos desertos,
Que é saciada pelos sabores
dos mil beijos da mulher que amo,
E me transporto para íngremes paisagens,
Feitas de verdes e de pedras.

Quando tomo qualquer vinho,
Me torno um silencioso buscador,
Das verdades que se escondem no meu coração
E no coração dos homens e das mulheres,
Dos quais sou imagem e voz, silhueta e sombra.

Quando tomo qualquer vinho,
Os minutos tem sabor de horas,
E as horas, tem sabor de anos,
E o relógio do tempo, inflexível,
Desliga seus tirânicos ponteiros.
E me permite compartilhar da eternidade.
E dos mistérios que se escondem na minha alma
E na alma de todos os homens e de todas as mulheres ,
Que como eu existiram, e que existirão, eternamente.

E posso ver os seus amores e os seus ódios,
As suas compaixões e as sua raivas,
Os seus orgulhos e os seus medos,
Os seus gritos de alegrias,
E vejo, também, os seus sisudos rostos
em cujas bocas, os sorrisos não habitam.

E posso ver o inquisidor que com seus ferros,
De apertar e de queimar,
Produz agonias e mortes, nos mártires escolhidos.

Mas posso, também, ver em uma noite,
Algum amante apaixonado, aos acordes de uma viola milenar,
Cantar para a sua amada,
que aparece em uma janela que se abre,
na escuridão de seculares casas.

E posso ver os trabalhadores com suas mãos,
Rudes e calejadas, com velhos arados,
Puxados por bois, grandes e dóceis,
Preparando a terra, para receber a semente,
De trigo e de videiras....
Que crescerão dando frutos,
Para que seja possível a alquimia do pão e do vinho,
Nutrientes de corpos e de almas que,
Como o meu corpo e como minha alma,
Serão alimentados, plenamente, para sempre !


Tags: Erner, artigos, textos


Erner Antonio Freitas Machado, é natural de Rosário do Sul, trabalhou no Banco da Província, no Banco da Amazônia e na CRT (Telefonica-BRT).

Escreveu O AZUL PROFUNDO, livro de poesias. Colabora com a FOLHA DO LITORAL, de Capão da Canoa e com diversas mídias eletrônicas, destacando LITORAL MANIA, de Xangri-lá e BLOG DO PAULO NUNES de Vitoria da Conquista -BA.

Está trabalhando na coletânea de Prosa e Poesias de sua autoria que vai publicar, com o nome de NOVOS TEXTOS.

e-mail: ernermachado@gmail.com




Opinião do internauta

Deixe sua opinião

Comemoramos hoje - 25.06

  • Dia da Agricultura
  • Dia de São Máximo de Turim
  • Dia de Salomão da Bretanha
  • Dia de São Guilherme
  • Dia do Anjo Nith-haiah
  • Dia do Cotonete
  • Dia do Imigrante
  • Dia do Quilo