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13 de maio de 2012

Erner Machado

13.05.2012

13 de maio de 2012

Me lembrei, hoje, da reprise do último capitulo da novela Sinhá Moça.

Não vou entrar no mérito ou na razão de ter me lembrado da novela que passou, há muito tempo, na globo. Só sei que serve como referencia por que todos os meus leitores, certamente, olham novela e se não olham, sistematicamente, fazem como eu: de vez em quando, dão um espiadinha, não é verdade?

Mas o que me chamou a atenção no final da novela, foi e êxodo do povo negro, liberto pela rainha, das fazendas grandes para as estradas.

E isto é merecedor de uma reflexão!

A Lei Áurea foi, efetivamente, um grande instrumento de libertação deste povo que teve aviltados os seus mais elementares direitos, inclusive o de não ser reconhecido como pessoa humana passando a ser tratado como animal de carga ,tração e reprodução.

O que me chamou atenção é que os negros, partiram das casas grandes, somente com a liberdade de seus corpos mas aprisionados pelas algemas da mais cruel circunstancia que os levaria a degradação como povos e como cultura.

Passados cento e vinte e quatro anos de sua liberdade os seus descendentes, hoje, compõem um parcela de nossa sociedade que responde pelos índices de analfabetismo e pobreza extremos, trazendo consigo, todos os processos degradatórios que estas condições proporcionam.

Sou um dos milhares de brasileiros que não se conformam com esta situação. Quem, algum dia, leu Castro Alves, vai compreender a minha indignação.

Ouvindo o Carlos Vereza ler, na novela, o texto da Lei Áurea, se nota que ela tem, somente, um artigo. Faltaram outros que, além da liberdade, reparasse a dignidade que este povo tinha, em sua terra da qual foi arrancado para ser, na nossa terra, reduzido a animal e sofrer sob a chibatas dos senhores da casa grande que, por si próprios ou utilizando bandidos cruéis a seu serviço, tudo podiam.

Podiam mesmo praticar os maiores crimes impunemente.....

Acho que na lei Áurea faltou um dispositivo que destinasse ao povo antes maltratado e expropriado, uma indenização em forma de território onde eles pudessem começar vida nova, com terra, com casa e com alguma possibilidade de renda e de subsistência.

Penso que a princesa, como nunca precisou de nada, achou que os negros já libertos, seriam alimentados e mantidos por alguma espécie providência divina. Deu-lhes a liberdade dos ferros dos senhores da casa grande, mas lhes aprisionou, por omissão, ‘as correntes da miséria, da fome e subalternidade como cidadãos e como povo.

E o pior é que esta prisão subsistiu, até agora, passando de descendência a descendência como uma pena eternamente cruel e que não permite ao povo ao qual ela maltrata, qualquer espécie de apelação a qualquer tribunal que não seja o tribunal do coração de alguns poetas e sonhadores ,por natureza mais sensíveis, e por isto capazes de entender de dores e de sofrimento.


Erner Antonio Freitas Machado, é natural de Rosário do Sul, trabalhou no Banco da Província, no Banco da Amazônia e na CRT (Telefonica-BRT).

Escreveu O AZUL PROFUNDO, livro de poesias. Colabora com a FOLHA DO LITORAL, de Capão da Canoa e com diversas mídias eletrônicas, destacando LITORAL MANIA, de Xangri-lá e BLOG DO PAULO NUNES de Vitoria da Conquista -BA.

Está trabalhando na coletânea de Prosa e Poesias de sua autoria que vai publicar, com o nome de NOVOS TEXTOS.

e-mail: ernermachado@gmail.com



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