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MEUS ANTEPASSADOS

Erner Machado

12.07.2012

MEUS ANTEPASSADOS

Para os Machado, os Freitas, os Oliveira, os Menine, e os Izaguirri que se foram nas esquinas do dias, mas cuja lembrança tenho na minha alma e no meu coração e dos quais guardo este jeito de Peão de Estancia que conservo, através dos tempos...

Meus antepassados, que já se foram
me lembram as velhas arvores,
Daquelas que plantadas, pela natureza,
Emolduravam a imensidão da Pampa.

Angicos, Guajuviras, Espinilhos, Pitangueiras,
Cinamomos, Aroeiras, Umbus , Corticeiras, curunilhas,
E uma infinidade de outras que não lembro ....

Todas com personalidades próprias
E com finalidades determinadas.

Nada melhor do que uma trama ou um moirão de angico,
Para tornar uma cerca centenária.
Capaz de segurar touros alçados e tropas em disparada.

As tronqueiras para atar potros aporreados
E quebrar-lhes os queixos, eram sempre de Guajuviras.
Fincados na Frente das Estâncias ou no meio das mangueiras.

Os Espinilhos, se esparramavam em longas valas,
E se incendiavam, virando brasas, para suculentos churrascos,
Que eram comidos, cortados no espeto com facas carneadeiras,
Longas e finas como língua de chimango...

As aroeiras, atacavam com brotoeja e com coceiras,
Aqueles que se aproximavam delas,
e não lhe cumprimentavam, por respeito!

Se era de manhã se dizia: Boa tarde dona Aroeira
Se era de tarde se dizia: Bom dia dona Aroeira.
Os ferreiros da Pampa usavam sua lenha para produzir fogo,
E o calor de suas brasas caldeava o aço com que se faziam,
Freios, ferraduras, Cruzes e adagas...!

As pitangueiras, viravam obras de artes, contra os fins de tarde,
Com suas frutas vermelhas, lindas e doces,
que se encontravam sempre perto da mão do caminhante
ou guri guloso, para matar a fome e adoçar a boca.

Os cinamomos com suas imensas sombras
Eram como casas construídas no relento....
E os umbus frondosos e copados,
Reinavam sobre o trono da imensidão
Protegidos por solidão e por silêncio.

As corticeiras brotavam, perto de um olho d’água
ou de alguma sanga.
E seus galhos caídos ao chão acabavam, sempre,
Entrando nos remansos ou corredeiras e se embalando,
Calmamente, com altivez de nautas, ao sabor das águas!
Na primavera vestiam-se de verde
E enfeitavam seus vestidos com flores
Cuja forma e cuja cor pareciam fitas vermelhas.

Tive antepassados,
Que foram Angicos,
Que foram Aroeiras,
Que foram cinamomos,
Que foram curunilhas,
Que foram Pitangueiras,
Que foram Umbus
Que foram Espinilhos,
E alguns, que foram corticeiras....

Todos eles me deram um pouco de suas naturezas
E me encontro, às vezes, queimando sob os fogos,
Ou descansando às sombras,
Golpeando potros, e lhe quebrando os queixos,
Sendo sombra e alimento,
Ponteando tropas, ou fazendo freios, cruzes ou adagas!
Mas, o que quero mesmo, um dia,
como um velho galho de corticeira,
É me atirar na calma dos remansos,
ou me confundir, para sempre, com as águas,
no turbilhão das corredeiras, para flutuar nos rios
e para, finalmente, navegar nos mares !


Tags: Erner, artigos, textos


Erner Antonio Freitas Machado, é natural de Rosário do Sul, trabalhou no Banco da Província, no Banco da Amazônia e na CRT (Telefonica-BRT).

Escreveu O AZUL PROFUNDO, livro de poesias. Colabora com a FOLHA DO LITORAL, de Capão da Canoa e com diversas mídias eletrônicas, destacando LITORAL MANIA, de Xangri-lá e BLOG DO PAULO NUNES de Vitoria da Conquista -BA.

Está trabalhando na coletânea de Prosa e Poesias de sua autoria que vai publicar, com o nome de NOVOS TEXTOS.

e-mail: ernermachado@gmail.com




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