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A Caixa D´água de Rosário do Sul

Erner Machado

26.02.2013

A Caixa D´água de Rosário do Sul

Rosário do Sul, hoje, já tem alguns edifícios. Não muito altos, mas tem. Mas, houve tempo, em que as casas mais altas eram os sobrados ao redor da Praça, o Hotel Brasil, os edifícios do Banco da Província, do Banrisul e do Banco do Comércio. E ai acabavam os prédios grandes do Centro.

Destacava-se antes e destaca-se, agora, para quem chega à cidade, entrando pela Ponte General Abreu, uma imensa Caixa D´água, que abastece a cidade, suspensa por quatro enormes pilares.

A história, conturbada, de sua construção descrevo a seguir:

O Projeto do Executivo foi enviado para a Câmara com vistas a sua aprovação. A Câmara de Vereadores se julgou incompetente, tecnicamente, para apreciar a matéria e pediu um laudo técnico do renomado Dr. Rubens Sica que além de engenheiro era professor de matemática e física no Ginásio Plácido de Castro.

O professor Sica, no seu Laudo fez referencia que devido ao local onde a caixa ia ser construída, a mesma, não teria a eficácia desejada, devido a lei da Gravidade.

Os vereadores ao lerem o laudo do professor, concluíram que a tal de Lei da Gravidade estava impedindo de construir a Caixa d´água que traria grandes benefícios para a cidade.

O Ivalé Trindade, do PL pediu a palavra e num entusiasmado discurso, citando os princípios que defendia em prol do povo de sua cidade, exigiu que a Egrégia Câmara de Vereadores, votasse um substitutivo regimental revogando a Lei da Gravidade.

O Jaime de Pietro, do PTB, disse que embora não gostasse do Ivalé, e do seu partido, não podia discordar do que ele tinha proposto e que se esta porcaria de “Lei da Gravidade” estivesse “ prujudicando” o “ pogresso” da cidade votaria pela revogação da mesma. E que acreditava que os vereadores de Rosário do Sul tinham bastante coragem e eram bastante machos para revogar este “diproma que embora legau era mau”.

O João Ortácio, do velho PTB, pediu um aparte e dirigiu-se ao Ivalé dizendo que a ideia do nobre vereador era excelente, mas que, lamentavelmente, esta medida era inócua, pois esta lei era uma Lei Estadual e o Legislativo Municipal não tinha poderes para revogá-la.

O Presidente da Câmara, professor Alzemiro Cassemiro Severo, homem de boas letras, guardava um silêncio sepulcral e me parece que proposital, permitindo que os debates prosseguissem e que as discussões se acalorassem. Acho que ele queria ver até aonde as coisas iriam.

O Araci Furtado, que era do PSD, adversário ferrenho, independente de qualquer circunstância, do falecido Getúlio Vargas, pediu um aparte e colocou, também, a sua opinião de maneira emocionada e empolgadíssima: Nobre Presidente Alzemiro Cassemiro Severo, nobres vereadores, entendo que todos os meus pares que, anteriormente, se pronunciaram, o fizeram dentro do melhor espírito de consciência municipalista e visando o bem de todos os rosarienses mas, lamentavelmente, nada podemos fazer com relação a esta Lei que não é municipal, nem estadual, mas é uma lei federal e foi impingida, a toda a Nação, pela mão de ferro do Ditador Getulio Vargas.

Nesta altura a plateia que se encontrava, por alguma razão, mancomunada com os demais vereadores que se mantinham em silêncio, rompeu em um riso estrondoso que se propagou pela praça inteira, pois era verão e as portas e as janelas do Teatro Municipal, onde funcionava a Câmara, estavam abertas.

O Secretário da Câmara, o Dr. Augusto Brasil de Carvalho, jovem vereador, que viria a ser tornar, mais tarde, um dos grandes advogados criminalistas do Rio Grande do Sul, silenciosamente, sugeriu ao presidente Alzemiro que encerrasse a Sessão daquele dia.

A Sessão foi encerrada, mas a plateia não queria se retirar do recinto, o que só foi conseguido com a intervenção do seu Pelágio dos Santos que era delegado de Policia, na época.

A Câmara retornou o projeto ao Executivo que, pediu ao professor Rubens Sica para fazer um novo estudo.

A solução encontrada foi elevar em dez metros o tamanho original dos pilares da velha caixa d´água que, até hoje atende, com muita eficiência, a população de nossa cidade e onde, por maior que seja a estiagem, nunca falta água !!!


Tags: Erner, artigos, textos


Erner Antonio Freitas Machado, é natural de Rosário do Sul, trabalhou no Banco da Província, no Banco da Amazônia e na CRT (Telefonica-BRT).

Escreveu O AZUL PROFUNDO, livro de poesias. Colabora com a FOLHA DO LITORAL, de Capão da Canoa e com diversas mídias eletrônicas, destacando LITORAL MANIA, de Xangri-lá e BLOG DO PAULO NUNES de Vitoria da Conquista -BA.

Está trabalhando na coletânea de Prosa e Poesias de sua autoria que vai publicar, com o nome de NOVOS TEXTOS.

e-mail: ernermachado@gmail.com




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