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A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA

Erner Machado

13.05.2014

A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA

O Brasil tem 13 de maio, como a data da Libertação dos escravos negros. Para os brasileiros mais consequentes em termos de consciência esta é uma data que nos lembrará, sempre, que logo depois de nosso descobrimento até ao ano de 1888, mantivemos deliberadamente seres humanos em regime de submissão total, explorando-os, maltratando-os privando-os de suas famílias e da  suas liberdades.

É verdade que o Decreto Régio assinado pela Princesa Isabel, resultou na liberação física do enorme contingente de negros, mas não foi suficiente para emancipá-los politica, social e culturalmente dentro do território nacional.

Assim é que os negros ao lhes serem tiradas as algemas de suas mãos, as cangas de suas costas e a correntes de seus pés, ganharam a possibilidade de ir e vir mas, viram-se aprisionados, igual que antes, ao poder do senhor de engenho que tinha as terras onde  encontravam-se e nas quais por, absoluta incapacidade de sobrevivência foram obrigados a ficar. O estado brasileiro além de priva-los por  quase quatrocentos anos, da liberdade, da cidadania, da dignidade, acabou reduzindo-os a um contingente de pessoas que, por absoluta incapacidade cultural, não poderia por si próprio iniciar uma atividade empreendedora que lhes garantisse a subsistência dentro dos padrões aceitáveis e condizentes com o respeito e com a dignidade.

Esta enorme massa de homens, mulheres e crianças se encantaram com a liberdade, se é que ainda tinham ânimo para se encantar com alguma coisa, mas desesperaram-se com o seu presente e com o futuro que estava destinado aos seus iguais.

A grande maioria qual um rebanho desorientado ficou ao redor da Senzala, onde antes estivera presa pelos ferros e, agora, se encontrava amarrada  pela necessidade de sobrevivência... Uma parcela, não menos considerável, tomou a estrada e como uma manada em busca de água foi se embebedar com a sua liberdade e viver da mendicância e da generosidade de quem encontravam pelo caminho. E esta é a gênese do povo negro brasileiro que representa 53,74% de nossa população, segundo o Senso do IBGE, de 2010.

Acabaram as Estradas Reais, acabaram-se as Senzalas mas ainda hoje os grandes proprietários rurais, a exemplo dos seus antepassados, contam com a mão de obra barata e subalterna dos negros do Brasil. Nas periferias das grandes e pequenas cidades estes mesmos negros compõem o biótipo principal das favelas miseráveis onde campeia a fome e onde o crime se apresenta como uma constante  em suas vidas.

Nos presídios são a maioria, na escola pública, nas universidades são a minoria. Estão presentes, sempre, nas estatísticas de assaltos a mão armada e de mortos pela polícia. Nas cidades são os traficantes, mendigos, os moradores de rua. No campo são os boias frias, os taipeiros, os cortadores de arroz, os párias das solidões. Pouquíssimos conseguem romper estas barreiras e realizarem-se como homens e mulheres, com um lar, com profissão, com Educação Superior... E, a vislumbrar-se os cenários econômicos, sociais, políticos e educacionais não tem esperança de, no curto prazo, reverterem esta situação.

Por isto, para os brasileiros mais consequentes em termos de consciência, o dia 13 de maio significa o dia em que o Brasil, extinguiu a Pena de Escravidão, mas não conseguiu reverter a situação das vitimas que sofrem, eternamente, os efeitos da Execução da Pena. Não há, portanto, o que comemorar.


Tags: Erner Machado, coluna, artigo


Erner Antonio Freitas Machado, é natural de Rosário do Sul, trabalhou no Banco da Província, no Banco da Amazônia e na CRT (Telefonica-BRT).

Escreveu O AZUL PROFUNDO, livro de poesias. Colabora com a FOLHA DO LITORAL, de Capão da Canoa e com diversas mídias eletrônicas, destacando LITORAL MANIA, de Xangri-lá e BLOG DO PAULO NUNES de Vitoria da Conquista -BA.

Está trabalhando na coletânea de Prosa e Poesias de sua autoria que vai publicar, com o nome de NOVOS TEXTOS.

e-mail: ernermachado@gmail.com




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