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Palco imaginário.

Erner Machado

15.12.2015

Palco imaginário.

E, de repente, me encontrei na Auto Estrada ouvindo um velho CD onde, com caneta vermelha, estava escrito: Seleção das confirmadas!

Passei do primeiro pedágio e a Maria Bethânia entrou cantando Carcará. As margens da estrada e suas árvores, laterais e centrais, os carros que me passavam ou dos quais eu passava, desfilavam ante meus olhos como se fossem uma projeção de slides antigos. A voz eterna, da moça da Bahia, foi tomando conta de todos os espaços do carro....

Não sei quanto tempo se passou até que uma vós espanhola forte, de mulher, tomou conta do meu palco solitário e Mercedes Sosa, sem pedir licença, entra cantando Alfonsina e El Mar.

No meu estado alterado de consciência me encontrei levantando da cadeira e aplaudindo de pé a Maria Bethânia que saia a Mercedes Sosa que, nesta altura, já explodira o meu coração e a minha alma, com sua voz e com seu sentimento.

Grossas lágrimas desciam de meus olhos e molhavam o meu rosto mas eu não queria e não podia parar de ouvir... ainda bem que o segundo pedágio estava longe.

Novo espaço de tempo indefinível se passou, até o Marco Aurélio Vasconcéllos pediu licença para a Mercedes e entrou cantando, Só Restou, do José Hilario Retamoso na Décima Primeira California em 1981, que começa com fortes acordes de violão para prosseguir, logo depois, com a forma de cantar, inconfundível, deste cantor pampeano.

Uma estranha felicidade não me permitia parar de chorar. Agora não eram mais lagrimas silenciosas, mas sim, um ruidoso e incontido pranto. Diminui a velocidade e fui para direita para poder sentir, melhor, a apoteose do espetáculo...

O Marco Aurélio saiu do Palco e eu apertei o botão desliga e continuei dirigindo, porque nada mais que eu ouvisse teria sentido, ou teria sentido imprevisível...

O espetáculo acabou, o teatro imaginário acendeu as luzes e abriu as portas.

Levantei da poltrona e sai para a rua. Dei uma olhada e não tinha nem um bar onde eu pudesse sentar e comentar, com alguém, conhecido ou estranho, o que eu tinha ouvido e visto.

As luzes do segundo pedágio se aproximavam. Abri o vidro e entreguei dez reais para moça que, espantada, ao ver minhas lágrimas, perguntou se eu estava bem.

Respondi que sim e que ia pagar, na saída, o que deveria ter pago na entrada. Ela abriu mais os olhos deu-me o recibo e o troco e deve ter ficado pensando que tem “loco” para tudo... passei a cancela e fui dirigindo, rumo a Porto Alegre, com uma estranha e inexplicável e sensação de felicidade mas, com a certeza de que tinha pago muito barato, pelo espetáculo inesquecível no palco da Auto Estrada...


Tags: Erner Machado, coluna, colunista, artigo


Erner Antonio Freitas Machado, é natural de Rosário do Sul, trabalhou no Banco da Província, no Banco da Amazônia e na CRT (Telefonica-BRT).

Escreveu O AZUL PROFUNDO, livro de poesias. Colabora com a FOLHA DO LITORAL, de Capão da Canoa e com diversas mídias eletrônicas, destacando LITORAL MANIA, de Xangri-lá e BLOG DO PAULO NUNES de Vitoria da Conquista -BA.

Está trabalhando na coletânea de Prosa e Poesias de sua autoria que vai publicar, com o nome de NOVOS TEXTOS.

e-mail: ernermachado@gmail.com




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