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Primeiro de Maio

Erner Machado

01.05.2016

Primeiro de Maio

Me lembro que, na década de sessenta, neste dia, o meu pai e os demais trabalhadores de Rosário do Sul, dirigiam-se para Sociedade Operaria, na Amaro Souto, e lá faziam   um grande churrasco, regado a muita cerveja, para comemorar dia do Trabalho.

Aos meus olhos de guri este, era um momento de grande civilidade, de valorização do trabalhador e acima de tudo de patriotismo pois antes de servirem o churrasco, havia um momento cívico em que discursos eram proferidos, parabéns eram cantados e no ponto apoteótico da festa, ouvia-se o, tomando conta do ambiente e da rua, um coro de vozes entoarem o hino nacional...

Era impossível não chorar ao sentir-se que cada um daqueles homens rudes e sem cultura, possuíam um enorme orgulho de serem trabalhadores.

Os anos se passaram e me tornei, como a maioria do povo brasileiro, um trabalhador e minha carteira de trabalho foi assinada no dia 15/10/1964 como funcionário contratado do banco da Província, em Rosário do Sul.

E desde então tenho muito orgulho de minha condição que, mantenho até hoje e que me acompanhará por toda a minha vida.

Este meu orgulho que não é menor que o da maioria dos brasileiros e decorre da consciência que tenho de que somos nós, os trabalhadores, os gestores de tudo o que se produz, nos campos e nas cidades de nosso pais e, nos campos e nas cidades de todas as pátrias.

Somos nós que com nossas mãos e com nossas inteligências criamos do rudimentar arado que rasga a terra à tecnologia mais avançada que permite ao homem estar presente em qualquer lugar do Universo.

Somos nós que construímos, com o suor de nossos rostos e com a agudeza de nossos raciocínios, transformados em trabalho, tudo o que existe e que é colocado a nosso serviço e a serviço de nossos irmãos da humanidade.

Por isto a nossa dignidade não é afetada por aqueles que nos exploram e que tentam algemar as nossas mãos e as nossas mentes. Que tentam criar condições para escravizar a nós e aos nossos filhos.

A nossa liberdade reside na nossa capacidade de criação e de transformação. E quando os povos, pela ganancia, pelo ódio, pelo roubo, pela corrupção e pelo abuso de poder político de seus falsos lideres levarem a sociedade à ruína e à desgraça a nossa capacidade de trabalho reconstruirá tudo, de novo, com o nosso amor, com a nossa dedicação, com nossa força e com nossa união inquebrantável.

Por isto, hoje estou de parabéns! Trabalhador que sou e que me transformei de filho de trabalhador em pai de trabalhadores e com certeza, em avô de trabalhadores.

Estão de parabéns, comigo, todos aqueles trabalhadores do Brasil e do mundo que mesmo não estando reunidos na Sociedade Operária de Rosário do Sul, acreditam que o trabalho honesto e permanente é a única forma de libertar o ser humano da miséria, da fome, da ignorância criminosa da individualidade e transformá-lo em um Ser Social que possui a Dignidade e a honra como bandeiras de conduta permanentes.

Parabéns, então, para os verdadeiros trabalhadores!!!


Tags: Erner Machado, coluna, colunista, artigo


Erner Antonio Freitas Machado, é natural de Rosário do Sul, trabalhou no Banco da Província, no Banco da Amazônia e na CRT (Telefonica-BRT).

Escreveu O AZUL PROFUNDO, livro de poesias. Colabora com a FOLHA DO LITORAL, de Capão da Canoa e com diversas mídias eletrônicas, destacando LITORAL MANIA, de Xangri-lá e BLOG DO PAULO NUNES de Vitoria da Conquista -BA.

Está trabalhando na coletânea de Prosa e Poesias de sua autoria que vai publicar, com o nome de NOVOS TEXTOS.

e-mail: ernermachado@gmail.com




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