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Os tambores da Morte.

Erner Machado

10.10.2016

Os tambores da Morte.

Na noite de sexta para sábado os que vivem no litoral norte entre Capão Novo , Arroio Teixeira e Curumim, tiveram seus sonos interrompidos das 22 horas às 07:30 manhã, por um festival de músicas exóticas que se expressam, em alto volume e  pela repetição das mesmas notas que são acompanhadas pelo ritmo extenuante dos aparelhos de percussão.

Para mim, que fui guri leitor de Gibi, não pude deixar de me encontrar lendo uma revista do Tarzan, em cujas páginas as letras os textos e os desenhos, se transformavam em diálogo e tinham movimento e som.

Numa destas tantas histórias que li, Edgar Rice Burroughs, criador dos personagens da lenda, produziu um diálogo em que Tarzan explicava para Boy, o significado dos variados rituais que tribos nativas executavam, com altos e variados  toques de tambores os quais se propagavam pelo silêncio da Selva, e prolongavam-se até a madrugada mantendo em alerta, homens, mulheres, leões, elefantes e Gorilas... Parece que vejo, hoje ainda, o Tarzan falando, o Boy escutando e a Jane, silenciosa, fazendo alguma comida para a família.

Lendo os diálogos e ouvindo a conversa, (creiam, a gente ouvia !!!) aprendi, lá pelos anos sessenta que haviam toques de tambores que celebravam o casamento, o nascimento , a puberdade, as vitórias contra inimigos, uma boa caçada que produzia comida abundante para todos e haviam, também, os toques de tristeza e de dor. E o mais triste e lúgubre destes toques era o TOQUE DA MORTE... cuja cerimônia se realizava em homenagem a uma mãe ou um pai que partia, à uma criança que nascia morta, ou a algum guerreiro que sucumbia ante ao ataque de um inimigo ou de um animal, costumeiramente um leão ou um gorila enfurecido.

Estas lembranças, todas, me vieram à mente porque após esta noite da festa “Reive” do litoral quatro jovens resultaram mortos quando capotaram seus carros...

A diferença entre os rituais dos tambores da Velha África de Tarzan e a realidade atroz que se produziu em estradas secundarias do interior litorâneo é que, nas histórias que eu lia, os tambores eram batidos depois das mortes e das desgraça e, aqui, eles foram percutidos antes das partidas... como prenúncios de maus agouros, de dores, de sofrimentos e de perdas irrecuperáveis pela morte ter levado pessoas tão jovens e que tinham tanta vida pela frente.

Outra diferença é que nas histórias do Tarzan, não havia drogas que produzem alegria e energias fugazes e nem bebidas alcoólicas que privam as pessoas tão jovens da capacidade de discernimento, de entendimento e de  lucidez....

Só nos resta lamentar que os Tambores da Morte, numa festa “Reive” numa sexta-feira, no Litoral Norte, tenham tocado, desta vez, para chama-la e que ela os ouviu e veio de tão longe, para no sábado, quando o sol nascia, com sua foice, ela  ceifar  quatro vidas e espalhar a dor, a tristeza, a incapacidade de entender, entre quatro famílias e milhares de pessoas que mesmo não conhecendo ou não tendo  o sangue da vítimas foram, também, contaminadas pela dor e pela tristeza e incapacidade de entender.

Os Tambores da Morte silenciaram, mas os seus sons subiram aos céus e se transformaram em uma camada de nuvens escuras, que pairaram assustadoras, sobre o Litoral Norte...


Tags: Erner Machado, coluna, colunista, artigo


Erner Antonio Freitas Machado, é natural de Rosário do Sul, trabalhou no Banco da Província, no Banco da Amazônia e na CRT (Telefonica-BRT).

Escreveu O AZUL PROFUNDO, livro de poesias. Colabora com a FOLHA DO LITORAL, de Capão da Canoa e com diversas mídias eletrônicas, destacando LITORAL MANIA, de Xangri-lá e BLOG DO PAULO NUNES de Vitoria da Conquista -BA.

Está trabalhando na coletânea de Prosa e Poesias de sua autoria que vai publicar, com o nome de NOVOS TEXTOS.

e-mail: ernermachado@gmail.com




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